No Grupo F parece estar tudo preparado para o desfile da Inglaterra, com a Escócia a dar-se de brios para não ficar atrás do recente ressurgimento das outras seleções britânicas. Mas será mesmo assim? A Eslováquia vai querer ter alguma coisa a dizer e, pelo menos em casa, vai dificultar muito a vida aos anglo-saxões. Sam Allardyce vai precisar de algum tempo para tornar sua esta seleção inglesa e restaurar alguma confiança ao grupo, depois de mais uma campanha dececionante em França.

Entre o passeio e a crise existencial

A equipa técnica de Allardyce tem como missão acabar com as crises de desempenho em grandes competições.

A equipa técnica de Allardyce tem como missão acabar com as crises de desempenho em grandes competições, enquanto garante a qualificação.

Sejamos diretos: a Inglaterra tem a obrigação de vencer este grupo F. A qualidade dos seus recursos humanos, o nível competitivo e a diversidade de opções relativamente à concorrência é avassaladora. Dito isto, não se espere uma fase de qualificação perfeita como aquela que os ingleses fizeram para o Euro 2016. Para começar o conjunto vai ter que processar mais uma campanha dececionante em França, isso deixa marcas. Ainda há dias Wayne Rooney fazia referência a isso, dizendo que o novo selecionador estava a tentar encontrar o busílis da questão. O que falhou no Europeu? Porque é que a Inglaterra, depois de um apuramento exemplar, voltou a chegar à fase final de uma grande evento e espalhar-se ao comprido? Cada um dos intervenientes e muitos dos observadores já tentaram responder a isso mas o capitão de Inglaterra falava especificamente de uma reflexão que Big Sam está a fazer sobre o assunto. E isso implica que esperem que ele tenha uma solução. Sam Allardyce sucedeu a Roy Hodgson e a sua primeira preocupação foi tornar os estágios de preparação lugares de boa disposição. Não significa com isto que se ande a brincar mas é importante dado os últimos acontecimentos, tiram peso ao reencontro.

O selecionador inglês vai precisar de algum tempo para fazer sua esta seleção e é natural que os olhos estejam muito focados em 2018. Resta saber até que ponto essa preocupação no futuro, em resolver o problema da performance nos grandes momentos, não vai perturbar o presente das rondas de apuramento. Para já, percebeu-se que vai manter Rooney como capitão e o problema do guarda-redes – a possibilidade de Joe Hart ficar sem jogar desaparece com a transferência para o Torino – também está resolvida. A chamada de Michail Antonio mostra que o selecionador está atento aos desempenhos dos jogadores e aberto a dar oportunidades a quem se destaca. Os maiores desafios para Inglaterra serão as deslocações à Eslováquia, Escócia e Eslovénia. Abrir a campanha com os eslovacos, fora de casa, já vai dar para perceber se haverá mesmo uma dificuldade.

Escócia e Eslováquia na luta pelo segundo lugar

Muitos esperam que Oliver Burke, contratado pelo Dortmund, faça pela Escócia o que Bale fez por Gales

Muitos esperam que Oliver Burke faça pela Escócia o que Bale fez por Gales.

A Escócia começou muito bem a qualificação para o Euro 2016 mas acabou por não ir a França porque quebrou na etapa final. E certo que os lugares de apuramento diretos não deviam escapar a alemães e polacos mas talvez os escoceses pudessem ter agarrado o lugar da República da Irlanda, se tivessem acreditado e arriscado mais. Gordon Stratchan tem aqui um desafio complicado pela frente, que o recente ressurgimento de galeses e irlandeses na cena internacional só veio acentuar. A Escócia não quer ser o parente pobre do futebol britânico e vai ter que assumir maiores ambições. Já há quem diga que Oliver Burke, o extremo de dezanove anos contratado pelo Borussia Dortmund por treze milhões de libras, pode ter o efeito galvanizador que Gareth Bale teve na seleção do seu país. Um jogador desequilibrador e de qualidade excecional pode, de facto, arrastar o grupo para um nível superior. Mas Gales é bem mais que Bale mais dez.

Apesar de muitos apontarem a Escócia como a mais forte candidata ao segundo lugar é bem possível que vá contar com forte concorrência da Eslováquia. A equipa de Jan Kozák esteve no Euro 2016 e ainda que tenha ficado pela fase de grupos deu que fazer aos britânicos. Forçou a Inglaterra a um empate no jogo inaugural e foi algo infeliz na derrota frente ao País de Gales. Com estas experiências recentes os eslovacos vão entrar em campo confiantes em poder pontuar frente a ingleses e escoceses, em teoria os mais fortes do grupo. E, em casa, eu não apostaria contra.

Boas Apostas!