Vigésimo primeiro título da carreira de José Mourinho.

Um terço do espólio de troféus, conquistado em Londres, ao serviço do Chelsea. Tudo começou precisamente com uma vitória na Taça da Liga 2004/05, no caso, à custa do Liverpool.

A façanha repete-se volvidas oito temporadas e os blues somam a quinta Taça da Liga ao respetivo palmarés, três delas obtidas sob égide do Special One. A título de curiosidade, à entrada para esta final, que teve Chelsea e Tottenham em disputa, os rivais londrinos detinham o mesmo número de Taças da Liga nas respetivas vitrines: quatro. Além de distanciar o Chelsea dos spurs na lista de vencedores, o troféu serviu simultaneamente para quebrar o jejum de um técnico que, como se sabe, respira sucesso.

Mourinho não vencia qualquer título desde agosto de 2012, altura em que ergueu a Supertaça espanhola ao leme do Real Madrid. Foi o maior período de seca que Mourinho conheceu enquanto treinador profissional. Impôs-se voltar a Stamford Bridge, um local que para o técnico português tem o conforto digno de um lar, para reentrar na rota dos troféus. Falamos, enfim, da casa que batizou o português com a alcunha pela qual responde em qualquer parte do globo, onde é adorado pela massa adepta que, bem ao seu estilo, não se coíbe de criticar quando considera pertinente. Reencontrou a felicidade no Reino Unido, território em que provou valor depois de se ter mostrado ao mundo enquanto técnico do FC Porto.

Capital One Cup – Final

Os adeptos do Chelsea acercavam-se de Wembley e carregavam consigo boas notícias, em permanente contacto com o que se passava em Liverpool. O Manchester City, concorrente direto na luta pela Premier League, estava na iminência de deixar pontos em Anfield. A derrota confirmou-se e o Chelsea, com um jogo a menos, passou para um situação ainda mais confortável no campeonato, propícia a uma gestão cuidada que não comprometa nas outras frentes, uma vez que o calendário, tal como Mourinho faz questão de criticar insistentemente, é apertado. Mas só o triunfo na final diante do Tottenham confirmaria o “domingo gordo”.

A Capital One Cup não goza de grande prestígio comparativamente a outros troféus do futebol inglês. Pesem embora as mudanças promovidas por Mourinho na equipa ao longo da competição, exaltou a importância de conquistá-la: “Vejo-me sempre a ganhar títulos. Para mim, é difícil viver sem troféus. São eles que me alimentam”, declarou após o encontro. As palavras são de um colecionador de méritos que, tal como já foi referido, tinha acabado de pôr fim ao maior percurso sem glória da respetiva carreira. “Para o Chelsea é apenas mais um troféu. Mas para esta equipa, é o primeiro, isso é importante”.

As equipas da capital inglesa já se tinham defrontado no novo ano civil, mais concretamente no primeiro dia do ano. A vitória do Tottenham por 5-3 em White Hart Lane elevava a expetativa para esta reedição com Wembley como palco.

Em novo dado curioso, importa referir que o último título conquistado pelo Tottenham remonta a 2008 e trata-se nada mais nada menos que de uma Taça da Liga ganha… ao Chelsea. Um golo de Woodgate já no prolongamento fez o troféu viajar de Wembley para White Hart Lane. Desta feita, pese embora a meritosa atuação do Tottenham, a taça tinha Stamford Bridge como destino.

Tecendo algumas considerações genéricas acerca do jogo, nota para uma exibição agradável do Tottenham, sobretudo no primeiro tempo. A equipa de Pochettino portou-se bem com bola e sem bola. Com o avançar do relógio, foi-se soltando das amarras e o seu futebol cresceu. Eriksen chegou a atirar à trave na cobrança de um livre. Unidades como Townsend ou Bentaleb estiveram em bom plano numa tarde em que Harry Kane foi praticamente neutralizado por uma boa prestação da linha defensiva blue.

O Chelsea, com maturidade condizente de quem joga uma decisão, soube suster a ação contrária e, sem dar grande sinal de si, com uma matreirice muito caraterística, chegou ao golo em boa hora. No remate final de uma primeira parte menos conseguida, John Terry materializou em golo a primeira investida que teve a baliza de Lloris como destino. Um rude golpe nas aspirações dos spurs, que antes da hora de jogo consentiram o 2-0 e se resignaram com o rumo dos acontecimentos, com gestão tranquila da equipa de Mourinho.

Fig.1

Equipas dispostas em 4x3x3. Zouma foi a principal novidade no onze do Chelsea, substituindo o castigado Matic. Central de raiz, Mourinho fê-lo jogar à frente do eixo. Contou com a preciosa ajuda de Ramires. De um ponto de vista genérico e tendo em conta as circunstâncias, obteve nota positiva. Longe de oferecer a fluidez que Matic confere ao jogo do Chelsea, a sua exibição foi melhorando ao longo do encontro. Depois de ter começado algo perdido no terreno de jogo, passou a posicionar-se melhor. A principal crítica talvez vá de encontro à lentidão exibida a nível da recuperação.

Fig.2

Meio-campo do Chelsea: Fàbregas mais avançado no terreno. Maior liberdade de movimentos e a responsabilidade de pautar o ritmo. Zouma e Ramires mais atrás, em recuperação. A ajuda do queniano a Zouma na condição de 8 foi uma constante ao longo do desafio, acompanhando, neste caso, Eriksen. Willian, também na imagem, foi preciosa ajuda no jogo interior. Solidário no processo defensivo, como é apanágio.

Fig.3

No Tottenham, estrutura idêntica. Duplo pivot Mason-Bentaleb, com Eriksen à frente. Bom jogo de Bentaleb, garantindo qualidade na saída e denotando astúcia na hora de se envolver em tarefas ofensivas. Bom uso do porte físico. Jogo interessante do internacional argelino que assistiu à queda de produção dos seus colegas no miolo com o avançar da partida.

Fig.4

Primeira parte agradável do Tottenham, tanto com, como sem bola. O Chelsea fez apenas um remate à baliza de Lloris e foi na sequência de um pontapé de canto. Unidades bem posicionadas. Boa resposta às tentativas em diagonal de Hazard, que foi quem mais calafrios criou à defesa dos spurs durante a primeira parte.

Fig.5

Fig.6

Do lado do Chelsea, a prestação defensiva merece-nos elogio. O quarteto defensivo esteve em excelente plano. Ao longo do desafio, notou-se grande preocupação em neutralizar Harry Kane. Missão cumprida com distinção. Prestação muito sólida da defesa liderada pelo homem que foi considerado o melhor em campo: John Terry.

Imperou a sobranceria, a experiência, a maturidade de quem está habituado a cenários de decisão.

Após o encontro, Pochettino rendeu-se a Mourinho: “Estar frente a ele numa final em Wembley é um sonho. Admiro-o. Para mim, é o melhor ou um dos melhores treinadores do mundo”.

A Taça da Liga é o segundo troféu mais vezes ganho pelo Chelsea, apenas atrás da outra taça nacional – e mais significativa por sinal: a FA Cup. Um excelente tónico para o que resta de uma temporada em que o Chelsea se encontra na pole para levar de vencida a Premier League e gera expetativa quanto à prestação na Liga dos Campeões.

Boas Apostas!