A jornada da Premier League arrancou com uma exibição de encher o olho do Liverpool mas rapidamente foi dominada pela derrota do United em Vicarage Road. Foi o terceiro desaire consecutivo dos Red Devils e todas as dúvidas que tinham estado abafadas pelo aparente virar de página do início do campeonato vieram à tona. Há quem já diga que Mourinho perdeu a aura e a comparação inevitável com o que se passa no Etihad está a causar ondas de choque em Old Trafford.

Liverpool impressiona

Jordan Henderson marcou um forte candidato a golo do ano e ninguém o celebrou mais do que Klopp.

Henderson marcou um forte candidato a golo do ano e ninguém o celebrou mais do que Klopp.

É de elementar justiça, quando estamos a analisar o que se passou no fim de semana da Premier League, enaltecer a tremenda exibição do Liverpool em Stamford Bridge. Não é de hoje que sabemos que os homens de Jurgen Klopp adoram um jogo grande e ir desfeitear o Chelsea de Antonio Conte no seu reduto entra claramente na categoria. Mas a consistência da exibição, sem erros comprometedores, parece dar indícios de que que o grupo aprender com as desconcentrações anteriores. Os dois próximos encontros dos Reds – com o Derby County para a Taça e Hull City para a Liga – serão decisivos. Porque é neles que se vai perceber se o Liverpool consegue manter a atitude e foco quando enfrenta adversários teoricamente menos desafiantes.

United cai com estrondo em Vicarage Road

Mas o brilhantismo do encontro de sexta-feira rapidamente foi abafado pelo resultado do United. Os Red Devils sofreram em Vicarage Road (3-1) a sua terceira derrota consecutiva e o escândalo estourou. Todas as interrogações que havia relativamente ao que seria a temporada do Manchester United, de certa forma apaziguadas com as quatro vitórias iniciais, voltaram à tona. Há aqui muitos fantasmas prontos a assombrar Old Trafford, tanto pessoais como coletivos. O próprio clube carrega boa parte deles e talvez não esteja capaz de assumir que os tem. O fantasma de Alex Ferguson, o fantasma de Wayne Rooney de épocas que já lá vão, o fantasma das escolhas erradas de Moyes e Van Gaal. E depois há as assombrações de José Mourinho, a quem desde já aconselho a procurar ajuda especializada.

Mourinho sob pressão

De facto, esperava-se que José Mourinho chegasse e muda-se tudo, como por magia. Esperava-se porque ele próprio construiu essa aura, ao longo da carreira, mas também porque os adeptos do United estavam cansados de não ter perspetivas. Mas entretanto o treinador português acumulou bagagem, em Madrid e sobretudo no Chelsea, em que a sua impotência apareceu, pela primeira vez. Eu sou das que pensa que Mourinho perdeu a aura, a aura de que aconteça o que acontecer ele encontra o caminho para apresentar resultados. E que ninguém sabe melhor isso do que o próprio. Se havia algo que podíamos contar com José Mourinho é que ele sabia exatamente o que queria e como lá chegar. Era o seu lado pragmático, nem sempre espetacular. No mínimo e num curto espaço de tempo teríamos uma equipa organizada, construída de trás para a frente e com preocupação em evitar desequilíbrios. Sobretudo nos momentos menos bons, era o regressar ao básico para poder progredir.

O terceiro desaire consecutivo reavivou fantasmas individuais e coletivos.

O terceiro desaire consecutivo reavivou fantasmas individuais e coletivos.

Não foi isso que se viu frente ao Watford. Aí o United voltou a ser um conjunto onde falta coesão e fluidez. Wayne Rooney é uma carta fora do baralho e ninguém sabe o que fazer com o capitão do United. Há dias Mourinho pedia a Pogba que esquecesse o dinheiro que custou e jogasse o que sabe. Mas onde e em que sistema? Que ideia tem o técnico para a sua contratação multimilionária? No Real Madrid o treinador português perdeu o balneário e no Chelsea o plantel virou-se contra ela ao ponto de se autossabotar. Apontar o dedo a erros individuais – como fez com Luke Shaw no domingo – é uma excelente forma de voltar a esse cenário.

Eu acho que o treinador português está passar por uma crise de identidade. A carreira de Mourinho está numa encruzilhada e ele tem que encontrar maneira de se reinventar. A magia tem que aparecer rapidamente. Porque ali ao lado Guardiola está a ter um impacto que ultrapassa as expetativas dos mais otimistas. Pode ser injusta a comparação mas a vida e o futebol são mesmo assim.

Boas Apostas!