Chamar aborrecido ao futebol do Chelsea foi moda que, neste ano de 2015, ganhou forma de tendência primaveril. Talvez tenha começado desde logo em 2014, nos jogos da Liga dos Campeões onde José Mourinho se deu sempre por satisfeito quando vencia por pequena margem, sem grande esforço, mas terá aumentando o seu espetro quando, perante uma vantagem na Premier League, começou a abordar os jogos frente aos seus principais rivais com o espírito de antes empatar que perder. No fundo, ao tentar seguir uma lógica de gestão de resultados, José Mourinho acabou por desiludir muitos daqueles que viam, no início da temporada, um Chelsea capaz de jogar um futebol mais alegre, de posse, com jogadores com talento adequado a essa ambição. O afastamento da Liga dos Campeões terá sido o único arrependimento de Mourinho que, no entanto, este domingo, se prepara para festejar mais um título da Premier League.

Devagar, devagar

Chelsea campeão

A festejar como um quase campeão!

Costuma dizer-se que devagar se chega longe, mas para o Chelsea, basta ir devagar, que a esperança de conseguir mexer no resultado é algo que faz parte da própria constituição da equipa. Ter ido a perder para o intervalo frente ao Leicester não levou Mourinho a proceder a nenhuma alteração, bem como o golo de Drogba logo no abrir da segunda parte, seguido de longos minutos sem conseguir passar para a frente, não enervaram um técnico que continua a preferir esperar pelos erros dos adversários. O Leicester, dividido entre o garantir um ponto ou o procurar de uma vitória que o pudesse deixar mais sossegado na luta da manutenção, acabou por ceder.

Manutenção para que vos quero

Kasper Schmeichel

Kasper Scchmeichel, última barreira defensiva do Leicester

É no fundo da tabela que existe, neste momento, uma das grandes razões para seguir de perto a Premier League. Quase podemos dizer que existem dois campeonatos diferentes, com futebol diferente, a cruzar-se no fundo da tabela. Enquanto o Burnley, o Leicester e o Hull City dão privilégio a um jogo mais direto, estendido no campo, com muitos jogadores a “comerem” a relva, o Queens Park Rangers, o Sunderland e o Aston Villa parecem preferir um jogo mais organizado, esperando que alguns dos seus jogadores, com talento acima da média do grupo, inspirem todo o plantel a ser algo que, no fundo, não consegue ser.

Burnley e QPR caminham, autenticamente, sobre brasas, enquanto apenas cinco pontos separam Sunderland e Newcastle, 18º e 14º, num campeonato a cinco onde ninguém está autorizado a perder pontos (o que era bom, não era?), mas todos se preocupam muito mais em garantir um ponto que, de passagem, lhes anime as esperanças. O que é aborrecido para o futuro campeão, é razão de vida para quem vive no fundo da Premier League.

Vice-campeão, primeiro dos últimos?

Continua também em aberto a luta pelo segundo lugar. Na Premier League, para além do apuramento direto para a Liga dos Campeões, que apenas bafejará o segundo e terceiro classificado, há também a questão monetária, com o lugar a significar melhor ou pior prémio financeiro. O Manchester City voltou a estar em vantagem mas, jogando no terreno do Tottenham, não terá facilidades para o aguentar. O Arsenal visita o Hull, terreno de aflitos, e terá que conseguir também ultrapassar esta jornada intacto. A jogar em casa, cabe ao Manchester United o benefício da jornada 35, já que perante o West Bromwich não deverá haver problemas de maior para os Red Devils. O que parece certo, isso sim, é que esta é uma luta para levar até à derradeira jornada da Premier League.