Portugal empatou a dois golos com a Tunísia, Fernando Santos saiu do jogo com cara de poucos amigos e desfez-se em lamentações por não ter ganho, mas, no balanço final do encontro, a seleção portuguesa sai com mais coisas boas do que más neste teste tunisino.

Olá João Mário

A primeira grande notícia para a seleção portuguesa é a utilização de João Mário como médio-ofensivo, muito solto à largura do terreno de jogo, com enorme capacidade para ter bola, para procurar o melhor passe, para oferecer dinâmicas e ideias ofensivas a uma equipa que, por vezes, está tão carenciada desta capacidade. O médio do West Ham foi, até, goleador, num grande golo saído de um remate de fora da área, a coroar a excelente exibição conseguida.

Joao Mario

João Mário festeja o grande golo marcado

Aquilo que se sentiu em Braga é que Portugal tem todas as condições para viver um período pós-Cristiano Ronaldo com uma equipa sólida e consistente a nível ofensivo, talvez um dos grandes temores que assombram, ainda, a nossa seleção. Isto não significa que o jogador do Real Madrid não tenha lugar no onze, obviamente que tem. Mas há soluções para jogar de outras formas e isso é uma excelente notícia.

João Mário foi o expoente máximo dessa qualidade ofensiva que o próprio Fernando Santos definiu como uma das coisas boas. Uma construção ofensiva que começou desde trás, com Ricardo Pereira a mostrar enorme capacidade para dar luta pela titularidade a Cédric Soares, William Carvalho a mostrar, apesar de em ritmo baixo, que é peça essencial para a equipa, Bernardo Silva a ser o homem que cria mais desequilíbrios com bola e André Silva a finalizar na seleção como não o faz com o AC Milan, sendo dele o primeiro golo.

Lacunas para rever

Não é surpresa alguma que, no momento da perda da bola, e olhando para um jogo amigável com este contexto, Portugal não tenha apresentado grande qualidade. Mas a vencer por 2-0, e frente a uma Tunísia que também tem qualidades, a equipa portuguesa acabou mesmo por oferecer a iniciativa ao adversário, sentindo aí que, como um todo, lhe faltam algumas noções ao nível da pressão na bola, da solidez do bloco e da capacidade de manter o perigo afastado da sua área.

Para além disso, a capacidade de unir pontos entre laterais, médios e centrais não está ainda bem trabalhada, tendo sido um dos problemas sentidos por Portugal ao longo de todo o tempo que Fernando Santos leva como selecionador nacional. Portugal tende a defender mais com quantidade do que com qualidade e uma equipa como a Tunísia foi o suficiente para evidenciar isso.

Talvez, no final, esse seja um outro dos pontos positivos que se podem retirar daquilo que a equipa passou neste primeiro amigável. A consideração, com provas, de equipas como a Tunísia como um conjunto com nível para criar problemas, uma constatação que será mais real e palpável quando, no Mundial, tivermos pela frente em modo competitivo equipas como o Irão e Marrocos.

O aviso ficou dado.

Boas Apostas!