Projetar o campeão inglês de 2016/17 é puro exercício de adivinhação. Esqueçam o título, da forma como os concorrentes se alinham e reforçam já será complicado suficiente acertar no top-4. No texto anterior tratamos dos favoritos – United, City e Chelsea. Agora olhamos para quem corre por fora. À cabeça, o atual campeão, que contra todas as previsões manteve a sua força praticamente intacta. Pareceria mal não incluir o Arsenal, embora os londrinos façam pouco ou nada para reforçar essa pretensão. E depois há ainda Pochettino e Klopp. Desafios são muitos e em várias frentes.

Leicester diz presente

Contra todas as expetativas, Ranieri conseguiu manter o grupo quase intacto.

Contra todas as expetativas, Ranieri conseguiu manter o grupo quase intacto.

Não podemos deixar de mencionar o Leicester. É o campeão em título e contra todas as expetativas manteve a sua estrutura praticamente intacta. Até ao momento a única perda foi Kanté. Mas vários foram os que reforçaram e prolongaram o seu vínculo ao clube, a começar por Ranieri e terminando em Schmeichel. O treinador italiano teve a capacidade de segurar o grupo e convenceu os jogadores que estavam bem e ainda havia muitos momentos felizes para viverem juntos. Os Foxes foram também muito astutos no mercado de transferências, com as contratações de Nampalys Mendy e Ahmed Musa a impressionar na pré-temporada. O senão? Os rivais subiram muito a fasquia e a participação na Liga dos Campeões vai esticar o plantel ao limite, física e mentalmente.

Ainda que tenha pouca fé, até ficava mal não incluir neste rol de candidatos o Arsenal. Parece que Wenger finalmente percebeu que ou está na luta e tem que para o que o mercado pede por jogadores que façam a diferença ou fica definitivamente de fora e arrisca-se a cair aos trambolhões do top-4. Percebeu mas ainda não se chegou à frente e com o plantel que tem – e com a concorrência que enfrenta – a ambição do título é puramente académica.

Spurs e a aprendizagem da Champions

Mauricio Pochettino tem uma equipa jovem e de talento que no ano passado claudicou pela falta de experiência em lidar com os grandes momentos. A vantagem é que passando por desgostos e desilusões é que se ganha a carapaça. E que à segunda temporada sob o comando do treinador argentino os processos já estão interiorizados. Este ano os Spurs terão mais uma aprendizagem a fazer, a participação na fase de grupos da Liga dos Campeões, o que pode afetar a sua prestação nas competições domésticas. Mas é também um fator de motivação para os jogadores. Ao primeiro teste – duelo com o Inter na pré-temporada – responderam com goleada (6-1), o que é um excelente sinal.

Klopp consegue dar o salto?

Agora que pode escolher os seus homens o alemão vai ter qwue apresentar resultados palpáveis.

Agora que pode escolher os seus homens o alemão vai ter qwue apresentar resultados palpáveis.

E ainda falta o Liverpool. Jurgen Klopp fez o que pode na época anterior, com os jogadores que não escolheu. Agora está a ter a oportunidade de criar a sua equipa e vai ser julgado por isso. O técnico alemão tratou de acrescentar alternativas a Mignolet e reforçar o eixo da defesa, ambas preocupações sensatas. Mas o lado esquerdo continua a ser de Moreno, o que é um problema. Não vejo os Reds como verdadeiros candidatos ao título mas ficar nos quatro primeiros é inteiramente possível. Ter ficado fora dos lugares europeus pode ajudar, já que assim os esforços ficam concentrados nas provas inglesas. Será a época para amadurecer e consolidar. O verdadeiro teste é fazer com que a equipa funcione sempre, não apenas nos dias grandes.

Boas Apostas!