Finalmente aconteceu. Em todo o mundo havia gente ligada a Stamford Bridge, na noite passada, na expetativa. Os protagonistas não eram os homens no relvado mas aqueles que se reuniram na casa de Jamie Vardy, para assistir ao jogo. Claudio Ranieri estava dentro de um avião, de regresso a Inglaterra, depois de ter ido almoçar com a mãe, quando Tottenham e Chelsea empataram a dois, consagrando assim o Leicester City como o campeão mais improvável de sempre da Liga Inglesa. Anda meio mundo, os envolvidos mais do que ninguém, a tentar perceber como isto aconteceu. Mas entretanto é tempo de festejar. Hoje somos todos Leicester e céu está mais azul.

Somos todos Leicester

leicester_playersJá muito se escreveu sobre este magnífico feito do Foxes e a verdade é que esta história não deixa muita gente indiferente. Parece excessivo falar da conquista do Leicester City como um conto de fadas dos tempos modernos mas é mesmo disso que se trata. O Leicester é a Gata Borralheira e por isso somo todos nós. Todos precisamos de acreditar que a figura mais modesta pode um dia ser princesa; que David pode derrotar Golias; que contrariando o que está contra cada um de nós podemos concretizar os nossos sonhos. É por isso que na noite passada houve gente a festejar o título um pouco por todo o mundo. Porque nos identificamos.

De Stamford Bridge com amor

Ontem à noite o Tottenham teve a vitória na mão mas a vencer por dois golos não soube gerir o resultado. O pior foi que os jovens jogadores de Pochettino se deixaram enredar pelas provocações dos adversários e acabaram por perder a cabeça no relvado. Deixaram escapar a vantagem e alguns serão certamente punidos à posteriori, por reações que Mark Clattenburg não viu ou não sancionou, numa altura em que ainda vão ter que defender o segundo lugar.

Há trigésima segunda jornada o Chelsea encheu-se de brios, tudo para impedir o rival londrino de aspirar ao primeiro lugar. Hazard compareceu a dois jogos do fim do campeonato e fez a sua magia. Imaginem se ele tivesse estado disponível no resto da temporada. Esperem… Esteve! Se eu fosse Abramovich descontava-lhe vários meses de ordenado.

Ranieri a presidente

Os jogadores do Leicester reuniram-se na casa de Jamie Vardy para assistirem ao jogo que podia decidir o título. Nas muitas análises que andam por aí sobre a receita do sucesso da equipa todas parecem coincidir na importância de haver um grupo de homens muito unido e próximo, característica que já vem da temporada passada e daquele trecho final em que garantiram a permanência. Acho que todos eles têm consciência que o valor do conjunto é muito superior à soma das contribuições individuais, ainda que existam claramente jogadores mais vistosos e talentosos.

Ranieri percebeu, aos sessenta e quatro anos, que fazer menos por vezes pode dar muito mais.

Ranieri percebeu, aos sessenta e quatro anos, que fazer menos por vezes pode dar muito mais.

O outro grande protagonista, Claudio Ranieri, optou por ir visitar a mãe de noventa e seis anos, e estar fechado dentro de um avião, enquanto o encontro decorria. Ele está no centro de várias razões que conduziram ao êxito dos Foxes. Soube chegar e resistir a mudar tudo. Leu, corretamente, que o grupo funcionava, tinha voz, e sentia lealdade para com o seu antecessor. Fez as mudanças táticas e no onze que considerou necessárias mas sem romper com o que estava bem. O protagonismo que foi ganhando veio por ser low profile, por não se pôr em bicos de pé. Numa época em que todos gritam “eu, eu, eu” ele soube dar um passo atrás e deixar os jogadores brilhar. A idade traz sabedoria e no dia de hoje Ranieri garantiu que o seu nome fica para sempre nos anais do futebol mundial.

Boas Apostas!