Jorge Jesus é um pouco como Cristiano Ronaldo, sofrem ambos de super-exposição.

Tanto um como o outro põem-se sempre a jeito para o que poderá seguir-se. Uma vezes por questões desportivas, outras nem por isso. Se, por um lado, o grosso das últimas intervenções sobre Cristiano Ronaldo tem a ver com a sua performance desportiva, por outro, Jorge Jesus, ultimamente, tem levado ao fait-divers.

O treinador do SL Benfica é uma espécie de one man show. Aquele que, na anedota, faz a festa, lança os foguetes e depois ainda apanha as canas.

É claro que isto é reduzir demasiado o muito bom trabalho que Jorge Jesus tem executado no SL Benfica. Mas é muito bom, atenção, não é excelente. E está cheio de buracos, e erros, e manhas, e incompreensões. Que toda a gente vê, menos Jorge Jesus.

É verdade que quando Jesus chegou ao SL Benfica, a equipa andava, anémica, pelas ruas da amargura. É verdade que naquele seu primeiro ano à frente da equipa, a tornou num caso sério de equipa de ataque demolidor que dava gosto ver.

É verdade que Jesus pôs a render muitos e bons jogadores que ajudaram a encher os cofres da Luz. É verdade que Jorge Jesus chegou, viu e venceu.

E depois? E depois insuflou e rebentou.

Tem-se que, afinal, o grande problema de Jorge Jesus seja um ego demasiado grande para a personagem.

Que não se entenda mal. Jorge Jesus até leva à empatia. É simpático, ás vezes paciente e, bastas vezes, não foge à esgrima de opinião sobre as suas opções técnicas ou tácticas. Fala abertamente sobre quase tudo com quase toda a gente, mesmo que quando enervado. A Jorge Jesus nunca se lhe viu colocar a mão à frente da boca para não verem que palavras brotam os seus lábios. Não, no caso de Jorge Jesus, se pudesse até ia para o campo com um megafone para melhor gritar aos ouvidos, por vezes surdos, dos seus jogadores, principalmente quando estes não entendem o que pretende.

Mas por vezes o treinador tende a inchar.

Top Ten

Tudo isto a propósito de um seu desabafo por não estar nomeado para treinador do ano. E, como ele próprio diz: “Há muitos que estão lá e fizeram menos do que eu.” Por um lado, até se percebe a linha de pensamento de Jesus para o dizer, mas por outro lado, parece que o treinador do SL Benfica não consegue ver para além da sua própria barriga.

Veja-se a lista dos nomeados:

  • Carlo Ancelotti (Real Madrid) – Vencedor da Liga dos Campeões e da Taça do Rei, em Espanha;
  • Antonio Conte (Juventus) – Vencedor da Serie A;
  • Pep Guardiola (Bayern Munique) – Vencedor da Bundesliga, da Tala da Alemanha e do Mundial de Clubes;
  • Jürgen Klinsmann (Selecção dos E.U.A.) – Não venceu nada;
  • Joachim Löw (Selecção da Alemanha) – Vencedor do Campeonato do Mundo;
  • José Mourinho (Chelsea) – Não venceu nada;
  • Manuel Pellegrini (Manchester City) – Vencedor da Premier League e da Taça da Liga;
  • Alejandro Sabella (Selecção da Argentina) – Não venceu nada, mas foi Vice-Campeão do Mundo;
  • Diego Simeone (Atlético Madrid) – Vencedor da La Liga e da Supertaça Espanhola e foi finalista vencido na Liga dos Campeões;
  • Louis Van Gaal (Selecção da Holanda) – Não venceu nada, mas ficou em terceiro lugar no Campeonato do Mundo.

Não está nesta lista o Jorge Jesus, que venceu a Liga Portuguesa, a Taça de Portugal, a Taça da Liga e foi finalista vencido da Liga Europa. Mas também não consta aqui Unai Emery, o treinador do Sevilla, vencedor da Liga Europa. Ou, como disse Jorge Jesus, não devem constar da lista treinadores que foram eliminados da Liga dos Campeões na fase de Grupos.

Jorge Jesus & Garay

Jorge Jesus e Garay, cuja ausência o treinador deve sentir bastante

A bem da verdade, poder-se-ia perguntar o que é que Jürgen Klinsmann aqui está a fazer, e será, provavelmente ele, a quem Jorge Jesus está a referir-se, porque, o outro treinador que não ganhou nada, José Mourinho, já deu mais que provas da sua competência e, mesmo não tendo ganho nada, não é grave ser nomeado. Ele próprio já afirmou que não merece ganhar nada porque não ganhou nada. Uma questão de prestígio, com certeza. Já Klinsmann, o que é que se comemora? Ser alemão?

De todas as formas, são estas saídas de raciocínio que se tornam mortais a Jorge Jesus.

Na semana passada antevia o jogo com o SC Braga como um jogo da Liga dos Campeões. Mais valia estar calado. É claro que, este ano, à semelhança dos outros anos, aliás, os jogos da Liga dos Campeões são, para o SL Benfica, para perder, então… Então o SL Benfica não encontrou melhor saída que perder no Minho.

Jorge Jesus é, neste momento, um treinador acossado. Já tem o FC Porto a espreitar por cima do ombro, e já sabe que o FC Porto quando agarra, não larga e, o SL Benfica de Jorge Jesus, não é conhecido por aguentar a pressão. Vejam-se todas as derrotas e finais perdidas que têm acumulado.

Tentando ganhar um campeonato pela segunda vez seguida, coisa que um benfiquista já não lembra quando foi a última vez que tal aconteceu, Jorge Jesus cometeu a imprudência de descurar a UEFA. Já vai mal encaminhado para a Liga dos Campeões, e a Liga Europa, nesta altura só se vislumbra por um canudo. Hoje recebe o Rio Ave no Estádio da Luz com o FC Porto e o Sporting CP à espreita. Na próxima Terça-feira recebe o AS Monaco para a Liga dos Campeões.

Ou Jorge Jesus dá a volta a estes dois próximos jogos, ou escusa de barafustar que acha que deveria estar no Top Ten dos treinadores que ninguém o levará a sério.

Boas Apostas!