Até há não muito tempo, João Mário, médio defensivo tornado número 10, não era mais que o irmão de Wilson Eduardo, o herói da família.

Wilson Eduardo era (é!) jogador do Sporting CP. Extremo direito ou ponta-de-lança, Wilson Eduardo, embora tenha começado pelos escalões de formação do FC Porto, foi no Sporting CP que cresceu e se formou jogador de futebol. Ao chegar à idade adulta, passou, por empréstimo do seu Sporting CP, pelo Real Sport Clube, de Massamá, pelo Portimonense, pelo Beira-Mar, pela Olhanense e pela Académica de Coimbra, onde fez uma excelente época e motivou o seu regresso a Alvalade. Mas teve algumas dificuldades em repetir no Sporting CP a mesma época que fez na Académica e, esta época, foi de novo emprestado, agora, ao Dínamo de Zagreb.

Mas outro Eduardo entraria na equipa do Sporting CP, João Mário de seu nome, irmão de Wilson, Eduardo, os dois. E ontem, Domingo, parece que que este Eduardo cresceu, emancipou-se e ganhou nome próprio. Este Eduardo passou a ser João Mário, e não o irmão do Wilson. Barcelos foi a terra dessa certeza. João Mário jogou e deu a jogar.

João Mário, tal como o irmão mais velho, também teve uma passagem inicial pela formação do FC Porto, mas logo rumou ao Sporting CP. Desde a, já distante, época de 2003/2004 até á época de 2012/2013, fez todo o seu percurso nas várias camadas de formação sportinguista, até chegar a sénior. Na época passada esteve um ano emprestado ao Vitória de Setúbal, época essa que motivou a ficar no plantel deste ano.

Não foi escolha imediata de Marco Silva. Até ontem. Ontem, João Mário foi aposta do treinador Marco Silva. E o jogador correspondeu com um jogo [quase] imaculado, onde jogou, deu a jogar, brilhou e ainda fez 3 assistências para golo. Tudo começou nos 45′ de jogo em Maribor, a substituir André Marques. E pegou de estaca. Mas os jogos não se repetem e, provavelmente, João Mário não voltará a fazer um jogo como aquele, contra o Gil Vicente, mas fará outros, uns melhores, outros piores, mas com a certeza de que está ali um grande jogador em potência, assim o saibam delapidar, assim se saiba preservar.

Com o ocaso a que se submeteu André Martins, ninguém sabe muito bem como, nem porquê, abriu-se a janela da oportunidade a João Mário, primeiro contra o Maribor, no primeiro jogo do Sporting nesta fase de grupos da Liga dos Campeões, jogo esse em que o Sporting CP deixou, infantilmente, fugir a vitória. Mas ontem, ontem foi o dia de João Mário, o dia em que afirmou, para quem duvidasse, que aquele lugar estava reservado e era para ele. Hoje, o jornal A Bola já intitulava “João Mário, O Desejado”. Pode ser já muita pressão para o jogador, mas ele parece ser forte e estar preparado para isso. Para já, conseguiu algo que nem Wilson Eduardo conseguiu, a unanimidade sobre a titularidade e o lugar onde jogar. Para já, João Mário é o número 10 que o Sporting CP poderia desejar. Para já, está ali, encontrado, o pensador de jogo leonino.Para já, este á o assistente de golos dos jogadores de Alvalade. E. para já, é muito e é bom.

Gil Vicente 0 - 4 Sporting CP

João Mário esteve no centro da robusta vitória do Sporting CP ao Gil Vicente

Mas é bom que o próprio jogador não embadeire em arco. É muito fácil subir alto, mais fácil ainda é tombar do alto.

É preciso perceber que André Martins não desaprendeu de jogar. Fez uma boa pré-época e pode estar, unicamente, a passar por uma fase de menor acerto. E estará atento. À espera de um deslise de João Mário para voltar a agarrar o lugar que já foi dele. Cabe a João Mário não largar esse lugar e provar aquilo que [quase] toda a gente espera dele, o futuro dono e senhor do ataque sportinguista.

Tão prometedora foi a estreia contra o Gil Vicente, em Barcelos, que já se começa a falar da Selecção Nacional. Mas é preciso ir com calma. É que ainda agora começou. E foi contra o Gil Vicente. É preciso ver até onde consegue ir. Quando os jogos se tornarem mais difíceis. E os adversários forem maiores. E mais sonantes. E mais assustadores. Mas acredita-se.

Boas Apostas!