O Domingo tinha sido um bom Domingo.

Quer dizer, podia ter sido melhor ainda, mas foi bom na mesma.

Na viragem do campeonato, a voragem da vitória. O Marítimo que tinha terminado a primeira volta do campeonato com uma derrota clara perante o SL Benfica, no Estádio dos Barreiros, por 4 a 0, iniciou a segunda volta com uma sorridente vitória por 1 a 0. Sorridente porque um pouco sacada à sorte. Mas como dizia não-sei-quem, a sorte também se procura, ou ainda, a sorte protege os audazes. Enfim, resta dizer que essa vitória foi contra o FC Porto, segundo na hierarquia da tabela classificativa da Primeira Liga.

Hélas, gritaram em uníssono os 6 milhões de portugueses que são adeptos das águias. Não era para menos. O FC Porto estava, neste início de segunda volta, a 6 pontos de distância do SL Benfica, o que possibilitava terminar a primeira jornada desta segunda volta com 9 pontos de distância dos dragões.

E com outro aliciante. Ao mesmo tempo que o FC Porto perdia no Funchal por 1 a 0, o Sporting CP ganhava, em casa, à Académica, antepenúltima na tabela classificativa da Primeira Liga, também pela margem mínima, 1 a 0, golo de João Mário a recargar sobre o ataque do redescoberto Tanaka. O Sporting CP aproximava-se, assim, perigosamente do FC Porto que, deixava de estar preocupado em agarrar o SL Benfica para se preocupar em não ser agarrado pelo Sporting CP.

E para adoçar ainda mais a jornada, com excepção do Sporting CP, até meio da da tabela classificativa ninguém tinha ousado levar de vencido o seu jogo.

Por isso, pode dizer-se que tinha sido um bom Domingo. Um Domingo amigo. Amigo de Jorge Jesus, do SL Benfica e dos benfiquistas.

Pois.

O Gosto de Complicar

Só que 2 + 2 nunca são 4, pelo menos na aritmética de Jorge Jesus, o treinador do SL Benfica, e activo exemplo do Princípio de Peter ou, melhor ainda, vivo exemplo da Lei de Murphy. Todas essas ordens de coisas são o dia-a-dia do intempestivo treinador dos encarnados.

Lima

Lima falharia uma grande penalidade e o SL Benfica perderia o jogo com o Paços de Ferreira com outra grande penalidade que o Paços não desperdiçaria

Então, com a possibilidade de poder ficar a 9 pontos de distãncia do segundo classificado, e arrancar para uma época histórica a fazer lembrar os tempos em que o mesmo FC Porto ganhava campeonatos com enorme distância pontual do segundo classificado, o que é que Jorge Jesus pensa? Que para o campeonato ficar mais interessante, ainda para mais com a aproximação do Sporting CP, e a já típica loucura dos adeptos que consideram que ainda estão na luta pelo título, o SL Benfica nunca poderia ganhar ao Paços de Ferreira, em nome de uma maior competitividade da Primeira Liga. Em nome do suspense. Em nome do campeonato. E assim aconteceu.

O SL Benfica até entrou mais forte, a jogar melhor futebol. Até beneficiou de uma grande penalidade. Mas Lima, o esfrangalhado avançado benfiquista resolveu não se permitir a esses luxos de marcar golo e chutou a bola à trave (muito mais difícil de fazer, como se sabe), inaugurando aí, uma série de várias bolas que bateram no ferro pacense, trave ou barra.

E depois, depois foi o assumir da máxima quem-não-marca-arrisca-se-a-sofrer. E assim também aconteceu. O SL Benfica sofre durante quase toda a segunda parte de um jogo triste e cinzento, sem chama e sem vontade, onde o Paços Ferreira foi muito mais activo, mais equipa, mais perigoso, até que conseguiu fazer o que as águias se recusaram a fazer: marcar um golo de grande penalidade quase no limiar do fim do jogo.

Nada de mais actractivo para quem vive do suspense do futebol. O SL Benfica não se distanciou, o FC Porto manteve-se ali, nem muito perto nem muito longe, e o Sporting CP aproximou-se para gáudio dos sportinguistas que costumam perder as esperânças por altura do Natal.

Jorge Jesus, conhecido sportinguista (alegadamente), ficou bastante contente. Ajudou o clube do coração (dizem!) e mantem acesa a chama do suspense.

Para quê resolver as coisas com esta antecipação? Uma equipa que sente o cheiro da vitória tão cedo aburguesa-se e arrisca-se a não ganhar nada no final. Como exemplo, Jorge Jesus pode mostrar o que lhe aconteceu há dois anos.

Foi melhor assim.

A Ajuda a Lopetegui

Paulo Fonseca

Ironicamente seria o mal-amado Paulo Fonseca a dar um balão de oxigénio a Julen Lopetegui

Quem acabou por ficar a ganhar foi Julen Lopetegui que estava a ver a sua vida a andar para atrás, e de repente é salvo pelo treinador que foi substituir no FC Porto. Não seixa de ser irónico que a grande figura portista da jornada seja o treinador que o FC Porto despediu na época passada por não ter atingido os objectivos com uma equipa muito inferior à que Julen Lopetegui tem à disposição.

Ao ganhar ao SL Benfica, Paulo Fonseca fez mais por Julen Lopetegui e o FC Porto que os próprios. Assim, o campeonato ainda não está finalizado. Assim, o FC Porto ainda está na luta pelo título, favor do treinador do Paços de Ferreira.

A verdade é que isto é tudo uma arquitectura maquiavélica de Jorge Jesus que acha que enquanto Julen Lopetegui estiver no comando da equipa portista, esta nunca irá ganhar o campeonato. Pode ter a sua razão, é bom é que não se esqueça de Marco Silva. É que de repente também o Sporting CP entrou na luta pelo campeonato. Os mortos também resssuscitam.

E depois tem de se perguntar: estará Jorge Jesus preparado para lutar contra duas frentes?

Daqui a duas semanas tudo se irá decidir quando o SL Benfica for jogar a Alvalade contra o Sporting CP de Marco Silva. E sabendo como Jorge Jesus se dá com a pressão, não se espera grande coisa dessa visita. Mas espera-se o engano. E que não complique mais o que já está complicado.

Boas Apostas!