Início da temporada 2014/15.

Leonardo Jardim abraça o segundo projeto fora de portas na respetiva carreira. Envereda por um caminho tantas vezes percorrido por muitos outros compatriotas. O destino, esse, é bem diferente em relação aos habituais pontos de chegada dos emigrantes portugueses em França. O principado monegasco aguarda Jardim, escolhido para assumir as rédeas de um projeto que se identifica muito com o contexto social do próprio espaço geográfico.

Hoje, já com mais de uma volta de Ligue 1 decorrida, e as contas no que concerne à fase de grupos da Liga dos Campeões fechadas, podemos tecer as primeiras considerações com maior clarividência sobre este início de carreira de Leonardo Jardim em terras francesas.

Apesar das dificuldades nos primeiros tempos que roubaram vários pontos ao Mónaco numa fase prematura da Ligue 1, o técnico soube colocar a equipa na rota dos triunfos.

Progressivamente, a equipa do Mónaco foi assimilando processos e começando a patentear marcas que Leonardo Jardim havia incutido nas anteriores formações pelas quais passou. Não contou com os mesmos “presentes” que o seu antecessor, perdeu Falcao e James, mas certamente que a situação não o fez perder outra coisa: o sono.

Viu-se obrigado a lidar com uma mudança de política do patrono Dmitry Rybolovlev. Afinal, e tal como se viu no Sporting, Jardim é um técnico capaz de trabalhar e rentabilizar ao máximo as unidades de que dispõe. O mérito do técnico passa muito por isso mesmo: “espremer” tudo o que puder dos jogadores que tem ao seu serviço, elevando ao maior rendimento e escalonando-os nas posições em que o seu futebol melhor possa auxiliar a prestação coletiva.

A Estabilidade de Leonardo Jardim

As equipas de Jardim pautam-se, enfim, pelo equilíbrio.

São coletivos que se destacam pela organização e coesão. A adoção de filosofias/dinâmicas de jogo e a implementação de ideias na equipa é um processo que requer tempo.

Lille 0 - 1 AS Monaco

Berbatov foi o autor do golo da vitória do AS Monaco sobre o Lille, mas Bernardo Silva tem sido peça fundamental na estratégia de Jardim para a sua equipa

Com apenas cinco vitórias nas primeiras 15 jornadas, colocavam-se dúvidas à liderança de Leonardo Jardim. A surpreendente passagem na pole do respetivo grupo na Champions deu alento ao conjunto francês que, na altura em que escrevo estas linhas, está há sete jogos sem perder para o campeonato.

Estabilidade define a equipa do Mónaco. Uma formação equilibrada, coesa e organizada sobretudo em momento defensivo. Os jogadores às ordens de Jardim denotam cultura táctica nas suas ações, nota-se que há um perfeito entendimento daquilo que têm que fazer dentro das quatro linhas. A equipa aproxima bem linhas e, ao contrário daquilo que se viu em alguns jogos a princípio, sabe o que tem que fazer sem bola. Em termos estruturais, nota-se que o Mónaco é uma formação meticulosamente trabalhada em vários aspetos.

Com 22 jornadas disputadas, o Mónaco é uma das melhores defesas em prova com 25 golos sofridos. Os laterais não se prestam a grandes envolvimentos na manobra ofensiva e, quando o fazem, contam com o precioso auxílio dos homens do meio-campo. A experiência de Toulalan confere perspicácia ao sector intermediário, juntamente com um João Moutinho que teve que se reinventar após a saída do colombiano James Rodríguez.

Jardim opta, por norma, pela utilização de um duplo pivot mais recuado conferindo maior liberdade a um terceiro elemento na condição de médio-armador.

Em momento ofensivo, as jogadas de maior espetacularidade e irreverência saem dos pés de jovens elementos como Ferreira-Carrasco, Bernardo Silva ou Ocampos. É uma equipa que, à semelhança do que acontece no cômputo geral, procura ser eficiente e eficaz no ataque. Dimitar Berbatov é a principal referência ofensiva, obrigado a assumir as despesas do lugar deixado por Falcao. Vive com Lacina Traoré na sombra e, até agora, é o melhor marcador da equipa.

O Mónaco, atual quinto classificado de uma Ligue 1 que está bastante entusiasmante, é, enfim, uma equipa à medida de Leonardo Jardim. O trabalho do técnico luso à frente de uma equipa em que conta com os compatriotas Ricardo Carvalho, João Moutinho e Bernardo Silva, merece-nos atenção e elogio. Aguardemos para aferir até que patamares chegará este emblema sob a égide de Jardim.

Boas Apostas!