Com cinco pontos de avanço em relação ao seu principal perseguidor, o Chelsea segue descansado na frente da Premier League, de onde não parece ser possível afastar a equipa do técnico português empurrando-o na linha lateral. O futebol que os Blues têm mostrado tem provado ser mais consistente do que o de toda a concorrência, com José Mourinho a poder voltar a gabar-se de ser especial, até porque consegue, na sua carreira, mostrar que aquilo que se vai passando dentro do balneário é muito mais importante do que o barulho mediático criado em volta da sua figura.

Fabregas ChelseaSe alguém imaginaria ser possível que José Mourinho viesse a entregar a liderança em campo de uma sua equipa a um jogador que fez parte do Barcelona que pareceu ser, durante três anos, o maior inimigo do português, na sua estadia à frente do Real Madrid, que meta o braço no ar. Não só Mourinho fez isso como demonstrou, pelas palavras de Fàbregas, que o importante no futebol é perceber os jogadores e oferecer-lhes expetativas de conseguirem dar o seu melhor. Se algo o português mostrou, ao longo dos anos, é que é um dos melhores a fazê-lo.

Ao bater o Arsenal por 2-0 antes da pausa na Premier League, o Chelsea manteve-se em alta, provando que tem plantel para aguentar o embate competitivo numa época de muitos jogos em Inglaterra e na Europa. O Manchester City, já a cinco pontos, é o único que dá sinais de conseguir manter-se em ritmo semelhante, enquanto Arsenal e Liverpool já se afundaram na tabela.

O atual terceiro classificado, o Southampton, dá provas de uma resistência inesperada. Os Saints perderam figuras essenciais da equipa que também fez uma grande primeira volta no ano passado, incluindo o seu treinador, e agora sob o comando de Ronald Koeman mantém-se em cena com uma produtividade muito elevada. O terceiro lugar, à frente de um Manchester United que, só com a Premier League por disputar, vai demorando a encontrar o melhor ritmo, é também uma vitória para Koeman no duelo particular de técnicos holandeses. Onde van Gaal tem sido sempre muito apoiado pelos analistas, pela sua personalidade mais intensa e estilo de jogo mais criativo, Koeman foi sempre um elemento na sombra. Agora, com menos meios e muito menores expetativas, mantém-se na frente do seu congénere.

O ano seguinte do Liverpool

Para os Reds, a saída de Luis Suárez tinha um preço que era conhecido, mas aquele que a equipa vai pagando tem explicações que vão muito para além da saída do uruguaio. As opções de Brendan Rodgers no mercado são agora, visivelmente, razão para crítica, já que os Reds ficaram mais frágeis na defesa e não apresentam jogadores capazes de entender o estilo procurado pelo seu técnico a nível ofensivo. Onde tínhamos uma equipa com capacidade para variações táticas no ano passado, temos agora um conjunto de individualidades que dá sinais de estar pouco comprometido com a inteligência que o seu técnico exige, podendo acabar por dar-se o facto de, depois de um ano no topo da tabela, o Liverpool regresse depressa demais a uma posição que, infelizmente para os seus adeptos, tem estado mais habituado.