A Sérvia regressa aos grandes palcos do futebol mundial, depois de uma ausência em 2014. Curiosamente, é nesta prova que os sérvios (nas suas diferentes denominações) têm conseguido ter algum impacto, visto que, no que toca a Europeus, a ausência estende-se até ao ano 2000. Depois de ter jogado os quartos-de-final na prova disputada entre Bélgica e Holanda, a então Antiga República da Jugoslávia, não voltou a entrar na elite europeia.

Nos Mundiais de 2006 e 2010, a Sérvia não foi além da fase de grupos. A falta de consistência de projeto num país onde há muito talento, mas constante desorganização, tem sido o principal pecado da Sérvia. Mesmo depois de uma fase de qualificação de sucesso, não foram capazes de manter o mesmo treinador para a disputa da fase final. Esse tipo de situações poderá fazer perigar os objetivos dos sérvios, num grupo onde, para lá do favorito Brasil, disputam o apuramento com Suíça e Costa Rica.

Subsistir no equilíbrio

Sérvia

Sérvia quer chegar aos oitavos-de-final

A fase de qualificação foi uma grande prova superada pela Sérvia, que se encontrou num grupo muito equilibrado, terminando em primeiro lugar depois de ter perdido apenas um jogo, frente à Áustria, já na fase final desta qualificação. De resto, três empates, frente a República da Irlanda, em casa, e País de Gales, por duas vezes, motivaram essa liderança na classificação final.

A proposta da Sérvia pareceu sempre bem sólida durante a qualificação, ainda que os 20 golos marcados e 10 sofridos demonstrem que a atitude da equipa foi sempre de alguma rebeldia. A saída do técnico depois de garantida a qualificação levanta uma série de questões, com a mudança de modelo da qualificação para a fase final no Mundial a poder surgir demasiado em cima do tempo limite.

Muitos pretendentes ao trono

Mitrovic Tadic Sérvia

Mitrovic e Tadic formam dupla letal

Havendo dúvidas quanto à forma de jogar da equipa da Sérvia, o jogador mais influente da fase de qualificação foi Aleksandar Mitrovic, com os seus seis golos em nove jogos, influência ofensiva que se espera continuar a ver. Dusan Tadic, um autêntico rei da criação de oportunidades, acaba por ser outro dos elementos que poderão acabar por brilhar na Rússia, assim a equipa encontre a dinâmica ideal para retirar dos seus jogadores a sua maior capacidade.

Na lista preliminar de jogadores entregue à FIFA estão, no entanto, dois jogadores que, não tendo atuado na fase de qualificação, poderiam ser figuras de relevo neste Mundial. Falamos dos médios Milinkovic-Savic, da Lazio, e Zivkovic, do Benfica, que fizeram boas épocas nos seus clubes, com minutos e oportunidades, tendo já mostrado qualidade para afirmação também na seleção nacional.

Estreia técnica num Mundial

Mladen Krstajic fez uma longa carreira entre a Sérvia e a Alemanha, tendo sido um defesa-central de qualidades reconhecidas em equipas como o Partizan Belgrado, o Werder Bremen ou o Schalke 04. Foi também internacional pela seleção sérvia. Como treinador, a sua experiência limita-se ao trabalho de assistente de Slavoljub Muslin, pelo que acabará por fazer o seu primeiro jogo oficial quando a Sérvia defrontar a Costa Rica a 17 de junho.

Deixem-nos sonhar

A Sérvia terá que ser mais forte do que Suíça e Costa Rica, num grupo onde o Brasil é o principal favorito à vitória. O grupo de jogadores tem talento, podendo, no entanto, sentir falta de alguma experiência competitiva por comparação com os rivais helvéticos.