A seleção polaca persegue o objetivo de voltar a ser uma das grandes seleções europeias, aproveitando a onda do seu país, que na última década foi conquistando alguma relevância política no âmbito da União Europeia. No futebol, os tempos áureos foram a década de 70 e o início da década de 80, quando a Polónia jogou duas meias-finais de Campeonatos do Mundo, em 1974 e 1982. No entanto, depois de 1986, os polacos fizeram uma longa travessia do deserto, sem marcar presenças em grandes competições até 2002.

No Mundial, a Polónia nunca mais conseguiu ter um papel relevante. Duas presenças no século XXI, ambas a ficar pela fase de grupos, a equipa polaca não marcou presença nos dois últimos torneios. Nos Europeus, sim, começou a dar um ar da sua graça, com presenças regulares desde 2008 e o atingir dos quartos-de-final em 2016. A ambição polaca leva a equipa a sonhar repetir esse feito, agora no Mundial.

Bilhete garantido em superação

Polonia

A Polónia não atinge os oitavos de um Mundial desde 1986

O grupo que a Polónia integrou na fase de qualificação europeia deu-lhe, desde o início, a noção de que a discussão seria feita a dois. A Polónia viveu sempre com vantagem, assumindo uma prestação de grande sucesso, que apenas tremeu já bem perto do final, quando se deslocou à Dinamarca, o seu grande adversário neste grupo, e foi derrotado por 0-4. No entanto, com 28 golos marcados na fase de qualificação, a equipa polaca demonstrou ter capacidade ofensiva para superar eventuais problemas defensivos que não deixaram de aparecer. Mesmo com equipas como Montenegro, Roménia, Arménia e Cazaquistão no seu grupo, sofreram um total de 14 golos em 10 jogos.

O homem-golo

Robert Lewandowski

Lewandowski valeu metade dos golos marcados

Robert Lewandowski é a figura principal da seleção polaca, tendo-se destacado como o melhor marcador da fase de qualificação europeia. Metade dos golos marcados pela Polónia no caminho para a Rússia foram marcados pelo seu avançado, que procura no Mundial uma exibição que marque a sua carreira. O plantel polaco tem vários jogadores a atuar num nível alto, nos respetivos clubes, beneficiando daí com uma experiência que lhe vai valendo consistência nestas provas. No entanto, a extrema dependência do seu ponta-de-lança pode revelar-se um problema em fases mais adiantadas.

A cara da seleção

Internacional polaco enquanto jogador e com experiência anterior a trabalhar para a estrutura federativa, a escolha de Adam Nawalka em 2013 surgiu como natural, tendo em conta a sua identificação com o projeto de devolver os polacos ao mais alto nível. O técnico tem procurado encontrar mais soluções ofensivas, mas é na defesa que encontra o seu porto seguro, garantindo que a equipa, sobretudo em fases finais, apresenta uma estrutura com capacidade para resistir frente a adversários mais fortes.

Ambição quanto baste

A Polónia entra neste Mundial com um desafio bem interessante, porque os seus nomes parecem pedir-lhe uma chegada aos oitavos-de-final, mas o seu grupo, com Colômbia, Senegal e Japão, apresentam-lhe a necessidade de ser uma equipa mais ofensiva do que gostaria neste início de prova. Se conseguir ultrapassar esta primeira fase, o facto de ter a Bélgica ou a Inglaterra como prováveis adversários deverá pesar nas suas hipóteses de ir mais longe.