A seleção do Panamá vai participar pela primeira vez na fase final de um campeonato do mundo. Se, por um lado, o momento é de êxtase para “Los Canaleros”, por outro, é evidente que estamos a falar de uma das seleções mais frágeis que vão estar em solo russo. A reação do seleccionador Hernán Darío Gómez é elucidativa nesse sentido: “Vamos ao Mundial para desfrutar”. Para a posteridade ficarão momentos como a primeira vez que o hino panamiano se ouvir na fase final da competição, o primeiro golo ou o primeiro ponto conquistado. É impossível exigir o que quer que seja à formação da América Central.

Qualificação histórica

Foto: "Reuters"

Foto: “Reuters”

Quem diria que a seleção do Panamá seria uma das três apuradas da zona CONCACAF, ainda para mais de forma direta. Depois de ter ultrapassado a primeira fase ao vencer o seu grupo com 16 pontos conquistados em 18 possíveis, os “Canaleros” foram uma agradável surpresa na segunda fase. Os 13 pontos conquistados em dez jogos foram suficientes para permanecer entre os três primeiros, beneficiando de vantagem no confronto direto em relação à congénere das Honduras que alcançou a mesma pontuação.

O bom desempenho caseiro da equipa panamiana foi essencial para assegurar o apuramento. Em sete jogos perante os seus adeptos durante a fase de qualificação para a zona CONCACAF, o Panamá não sofreu nenhuma derrota. México e Costa Rica foram as duas nações que terminaram acima do Panamá no derradeiro grupo de apuramento.

Veterania no Canal

O adepto mais atento associará três nomes ao futebol português: Gabriel Gómez, ex-jogador do Belenenses, Ismael Díaz, ex-jogador do Porto B, e Fidel Escobar, atleta com passagem pela equipa B do Sporting. Gabriel Gómez é o jogador mais mediático desta seleção panamiana. Aos 34 anos, o médio que esteve três épocas no Restelo defende as cores dos colombianos do Atlético Bucaramanga e leva mais de 140 internacionalizações aos serviço da sua seleção. Ismael está contratualmente ligado ao Deportivo da Corunha e tem atuado ao serviço da seleção alternativa, enquanto Fidel continua ligado ao San Miguelito e está no New York Red Bulls. Os últimos dois, com 21 e 23 anos, são dois dos elementos menos “batidos” desta seleção.

Luis Tejada, avançado de 36 anos, também leva mais de 100 internacionalizações pela principal seleção panamiana, sem esquecer a solidez defensiva proporcionada por Román Torres, defesa dos norte-americanos do Seattle Sounders. Blás Perez, 37 anos, é outro dos “dinossauros” desta equipa, avançado que conta com 119 internacionalizações.

Hernán Darío Gómez só superado por Henri Michel

Aos 62 anos, o colombiano Hernán Darío Gómez tornou-se no segundo técnico a conseguir levar três seleções diferentes a fases finais do campeonato do mundo, contando com quatro presenças a título pessoal.

Depois de ter levado as seleções de Colômbia e Equador a fases finais, foi a vez de colocar o Panamá pela primeira vez na fase final de um campeonato do mundo. Só Henri Michel detém melhor registo, técnico que apurou França, Camarões, Marrocos e Tunísia.

À frente da seleção do Panamá desde 2014, dificilmente poderão exigir mais a Gómez depois do grande feito que foi apurar a equipa para a competição que vai decorrer na Rússia.

Expectativas

Os jogos de preparação não têm dado as melhores indicações ao povo panamiano. Em quatro desafios disputados em 2018, os “Canaleros” só marcaram um golo, precisamente na única vitória que conquistaram nesta sequência, frente a Trindade e Tobago (0-1). Nos restantes desafios, duas derrotas em março frente a Dinamarca (1-0) e Suíça (6-0) e um empate sem golos frente à Irlanda do Norte.

Independentemente do grupo em que “caísse”, a seleção panamiana seria sempre o “elo mais fraco”. Num grupo que se adivinha dominado pelas seleções de Bélgica e Inglaterra, resta à seleção panamiana conseguir algo de positivo frente à Tunísia, embora também pareça estar uns furos abaixo da equipa africana.

Boas Apostas!