Qualificada em cinco dos últimos seis mundiais de futebol, a Nigéria é uma presença habitual e quase faz parte da mobília da casa, quando se fala de representantes africanos. Três presenças nos oitavos-de-final ajudam a reforçar esse estatuto, que nem sempre foi observável no seu próprio continente.

Entre 2000 e 2010, a Nigéria jogou cinco vezes as meias-finais em seis edições das Taças das Nações Africanas, apenas para atingir uma vez a final, na primeira delas, de onde saiu derrotado. Nas últimas três edições da prova, entre 2012 e 2017, só jogou uma delas, em 2013, conseguindo ser campeã. Os selecionados nigerianos são, hoje em dia, um conjunto de jovens com forte implantação na cena europeia, procurando neste Mundial manter o seu país como referência continental.

Tranquilidade até ao Mundial

Nigeria

O onze nigeriano quer surpreender

Depois de uma segunda ronda frente à Suazilândia, onde apesar do empate sem golos no jogo da primeira mão, a qualificação para a fase de grupos nunca esteve em causa, a Nigéria terá sido colocada em sentido pelo sorteio que a obrigava a defrontar Zâmbia, Camarões e Argélia, tudo equipas com currículo e ambições de atingir o Mundial. No entanto, o domínio da equipa nigeriana cedo pareceu evidente, com três vitórias na primeira volta, uma delas por goleada, 4-0, frente aos Camarões, acabando com dois empates fora, de novo com os Camarões e com a Argélia, situação que não fez perigar o seu apuramento. No final, tranquilidade confirmada pelos seis pontos de diferença para com o segundo classificado.

Obi Mikel na sua verdadeira pele

John Obi Mikel

Obi Mikel é o líder das Super Águias

Depois de dez anos no Chelsea, Obi Mikel acabou por ver na ida para a China, onde joga no Tianjin Teda, uma oportunidade para voltar à sua posição original. Utilizado durante boa parte do périplo inglês como um elemento de capacidade física na frente da linha defensiva, na China e na seleção nigeriana, vêmo-lo mais solto, oferecendo referência ofensiva a uma equipa que tem em Onazi e Ndidi os esteios mais recuados. Outro dos nomes que se espera ver fazer um bom Mundial é Victor Moses, que também joga em posição mais ofensiva do que no Chelsea, mas aproveitará a confiança da titularidade nos Blues para se lançar no maior palco do ano.

Finalmente, um Mundial

Gernot Rohr é alemão mas fez grande parte da sua carreira de jogador em França, ao serviço do Bordéus, equipa que, já como treinador, conduziu até à final da Taça UEFA em 1996. A sua carreira na Europa acabou, no entanto, por não atingir mais grandes feitos, tendo treinador pela primeira vez em África em 2008, nos tunisinos do Étoile Sahel. Na última década, Rohr tornou-se uma cara bem conhecida para quem acompanha o futebol africano, tendo sido treinador do Gabão, do Níger e do Burkina Faso, antes de pegar na seleção nigeriana em 2016. Agora, num Mundial e com uma equipa muito talentosa, terá oportunidade de mostrar qualidades a uma maior audiência.

O grupo mais difícil

O sorteio não beneficiou as ambições da Nigéria, mas num grupo muito difícil, o equilíbrio entre os concorrentes poderá deixar abertas portas para o apuramento dos africanos. A Argentina de Messi leva vantagem no prognóstico, enquanto Islândia e Croácia têm talento e qualidades para ambicionar presenças em fases adiantadas da prova. Isso poderá levar a Nigéria a ir a jogo sem nada a perder, tornando-se, desta forma, num incómodo convidado para a festa dos seus rivais.

Boas Apostas!