Achei desde o início que o anúncio que confirmava Pep Guardiola no Manchester City na próxima temporada era, no imediato um tiro no pé dado pelos dirigentes do clube inglês. Os únicos que podiam beneficiar dessa informação, com tanta antecedência, seriam os adversários. Grande parte do atual plantel dos Citizens sabe, ou desconfia, que terá guia de marcha e não vai dar o litro. Mas a vinda de um ator tão proeminente para o Etihad força a mão dos restantes concorrentes crónicos ao título inglês. É preciso apostar forte sob pena de ser atropelado.

Timming do anúncio foi tiro no pé

No dia de fecho do mercado de inverno o Manchester City divulgou um comunicado de imprensa que confirmava o que há muito era sussurrado. Pep Guardiola será o próximo treinador do clube azul de Manchester, depois de terminar o seu contrato com o Bayern de Munique. O contrato terá a validade de três anos. Mas os dirigentes dos Citizens foram mais longe. Acrescentaram que estas negociações, agora finalizadas, tinham sido iniciadas em 2012, na altura em que o catalão seguiu para a Alemanha. Outra forma de dizer que Manuel Pellegrini tinha sido uma solução de recurso e temporária, enquanto o alvo desejado foi escapando às propostas do City.

Pep_GuardiolaO Manchester City não andava famoso e logo então pensei que não iria melhorar. Ainda houve quem dissesse que talvez fosse uma forma de pressionar os jogadores, no sentido de brilharem numa espécie de audição para o novo técnico. Ainda houve um curto arroubo de lealdade de alguns elementos, a dizer nos dias que se seguiram que queriam vencer alguma coisa por Pellegrini. Mas esses defensores, além de inconsequentes, foram também alguns dos que sabem ter a posição em risco. O plantel do City tem uma média de idades alta e são vários os que sabem que o seu tempo no clube chegou ao fim. Uns pela veterania, como Demichelis ou Yaya Touré, outros pela falta de qualidade, com Joe Hart. Mas também porque se sabe que o treinador catalão tem ideias muito definidas sobre o que quer dos seus jogadores e certamente vem para Manchester com a garantia de que poderá trazer quem quiser, o que pressupõe limpar o balneário. As especulações quanto às próximas contratações são mais do que muitas e não custa imaginar como isto deve circular entre o grupo de trabalho.

Se o City não estava bem só piorou, como os mais recentes resultados vieram confirmar. E se alguém saiu beneficiado a curto prazo por esta informação foram os clubes adversários.

Mourinho e quem mais para conter Pep?

A contratação de Guardiola pelo City forçou a mão dos donos dos candidatos crónicos ao título inglês. Quem estava a pensar fazer jogadas conservadoras e até poupanças na próxima temporada teve que rever toda a estratégia. É preciso combater fogo com fogo sob o risco de sair esturricado, se não o fizer. O Manchester United ficou sob os holofotes. Vai precisar de ser arrojado nas suas escolhas para não ser ofuscado pelo rival. Esse pode ser o argumento de peso que desvaneça as resistências a José Mourinho. Ressuscitar a famosa rivalidade pode ser uma narrativa poderosa e não por acaso os rumores sobre um acordo entre os Red Devils e o técnico português parecem cada vez mais certos. Mas o próprio Chelsea teve que se abordar o mercado de treinadores de uma outra forma e assim tem ganho forma a possibilidade de Massimiliano Allegri se mudar para Stamford Bridge. Para competir com Guardiola não chega contratar um gestor de balneário. Tem que haver assinatura de autor, tem que ser alguém disposto a investir no mesmo nível tático e de inovação. Tem que ser um líder capaz de seduzir os grandes jogadores. Veremos até quando Arsène Wenger se vai manter no comando do Arsenal quando a fasquia que se antecipa subir o nível da concorrência. Esta segunda-feira a imprensa inglesa fala da possibilidade de Mourinho assumir o United mesmo a tempo da deslocação ao Emirates, a 28 de fevereiro. Mind Games ou algo mais?