Os grandes são grandes entre os pequenos ou, assim também eu. Poderiam ser outros títulos para este texto.

Passada que foi mais uma semana europeia, com Liga dos Campeões e Liga Europa, os gigantes portugueses voltaram a casa. Uns mais gigantes que outros, uns mais capazes que outros, uns maiores que outros. Mas os participantes da Liga dos Campeões mantiveram alta a postura de grandes: as 3 equipas saíram vencedoras, por números concludentes, mais uma vez uns mais concludentes que outros.

O primeiro a entrar em campo foi o Sporting CP que, depois da vitória em casa contra o Maribor, que lhe garantiu, no mínimo, a Liga Europa, recebeu e derrotou o Vitória de Setúbal, que tem vindo de desastre em desastre, por 3 a 0.

Depois foi o já afastado da Europa, embora ainda com um jogo para o calendário, o SL Benfica, que após a derrota em San Petersburgo por 1 a 0 com o Zenit, deslocou-se a Coimbra para vencer a Académica local por 2 a 0, e com direito a uma pequena interrupção do jogo por carga policial sobre uma claque benfiquista.

Por último entrou em campo o já vencedor do Grupo H da fase de grupos da Liga dos Campeões, que recebeu um Rio Ave, acabadinho de chegar de uma definitiva eliminatória da Liga Europa, onde não conseguiu uma vitória, e o derrotou por 5 a 0, num jogo em que o resultado é maior que a prestação e se presta a vários equívocos.

O outro europeísta, o Estoril, só hoje entra em campo, em Paços de Ferreira, num jogo que se espera bastante difícil.

Grandes em Casa

O Sporting CP, que tem tido uma prestação caseira bem mais modesta do que a que está a conseguir na Europa, onde já conseguiu o apuramento para a Liga Europa, enquanto persegue, ainda, a continuidade na Liga dos Campeões, e a participação nos oitavos-de-final, recebeu uma amostra do Vitória de Setúbal que, este ano, e sob a batuta de Domingos Paciência, teima em andar desaparecido.

Sporting CP 3 - 0 Vitória Setúbal

O Sporting CP continua em período de vitórias e os 3 a 0 ao Vitória Setúbal agudizaram os problemas de Domingos Paciência

Este Sporting CP que persegue o sonho europeu, está em 6º lugar na Primeira Liga, a 8 pontos do primeiro classificado.

O Vitória de Setúbal está em 11º lugar, 9 pontos atrás do Sporting CP. Mas este Vitória de Setúbal que ainda só tem 3 vitórias e 2 empates, contra 6 derrotas na Liga, ainda não conseguiu uma única vitória fora de casa. É uma das 5 equipas que ainda não conseguiram ganhar fora de portas. E esta equipa ainda vinha de uma derrota, com consequente eliminação da Taça de Portugal, por 1 a 0, com o Clube Oriental de Lisboa, velha glória da Primeira Divisão, hoje mais modestamente a tentar sobreviver no Campeonato Nacional de Seniores.

Ora, embalado pelos bons ares europeus, a equipa de Marco Silva não foi de modas e carregou 3 golos na conta setubalense. Entrando muito forte, o Sporting CP mostrou-se muito perdulário e, à medida que o tempo ia passando, o 0 a 0 ia-se mantendo no marcador, e o nervosismo começava a aparecer, a espaços, em alguns jogadores leoninos. Só à passagem da hora de jogo a equipa de Alvalade lá conseguiu meter a bola na baliza adversária, por Slimani, e, aberta a porta da baliza, logo no minuto seguinte Fredy Montero aumentou para 2 a 0 e serenou as hostes sportinguistas. Até ao final, Slimani ainda conseguiu bisar, já no período de descontos, agravando a crise vitoriana. Mas este Vitória de Setúbal limitou-se, em Alvalade, a tentar conquistar um pontinho, defendendo, defendendo, arrastando jogo, provocando faltas. Domingos Paciência começa a ver o seu caminho bem tortuoso. O Sporting CP foi a única equipa a jogar. Não foi grande, mas assumiu o jogo como tal. Era para ganhar e ganhou.

O SL Benfica tinha uma tarefa mais difícil. Vinha de uma derrota com consequências bem graves para o prestígio da equipa e para os cofres da Luz, tendo sido eliminado da Liga dos Campeões e da Liga Europa, de uma assentada só, tendo ainda de fazer um jogo para cumprir calendário e tentar amealhar alguns milhões. Além disso jogava fora, com uma equipa que costuma ser problemática para os encarnados. Mas o SL Benfica chegou a Coimbra, marcou 2 golos, fechou a porta e veio embora.

A Académica é uma equipa que se arrasta pelos últimos lugares da classificação, estando a 4 pontos da linha de água, sendo a 16ª equipa na tabela, e indo receber o FC Porto na próxima jornada. Paulo Sérgio tentou armar uma teia que impedisse os jogadores do SL Benfica entrarem com o perigo habitual pelo meio campo alheio dentro, mas o seu guarda-redes portou-se mal. Se bem que o primeiro golo do SL Benfica é uma pequena obra de arte de Nico Gaitán, depois de um magistral passe de Enzo Pérez, também é verdade que Lee poderia ter feito bem mais e melhor. Mas o pior estava para vir e ofereceu o segundo golo à equipa adversária ao sair da baliza fora-de-tempo, não conseguindo agarrar a bola e dando oportunidade a Luisão para cabecear a bola para uma baliza deserta e aumentar a vantagem da equipa visitante.

O SL Benfica saiu de Coimbra com o primeiro lugar, mantendo a distância para o Vitória de Guimarães (segundo classificado) e FC Porto (o terceiro), deixando a Académica a agonizar e à espera de fazer algo de brilhante no próximo jogo (a Académica recebe o FC Porto).

FC Porto 5 - 0 Rio Ave

Este resultado do FC Porto com o Rio Ave é enganador, mas reflecte a Europa de cada uma das equipas, os que vão em frente e os que ficam pelo caminho

Já depois de conhecidos todos estes resultados, entrou em campo o FC Porto contra um Rio Ave que se queixou de ter jogado na Ucrânia na Quinta-feira e não ter tido tempo de descanso para um jogo que obrigaria a muito desgaste. Não espanta, por isso, os 5 a 0 com que os portistas receberam os homens de Vila do Conde. Mas é bom que não nos deixemos iludir pelo resultado tão dilatado. Não que a vitória não seja conclusiva ou que a equipa da casa não a merecesse. Mas a verdade é que o jogo esteve a zero até à segunda parte, que o terceiro golo apareceu aos 89′ e os outros para lá disso, e que o Rio Ave se queixa de uma grande penalidade contra o FC Porto, por mão de Herrera na grande área portista, quando estava o resultado em 1 a 0.

Não querendo colocar em questão a vitória portista, quer-se, somente, dar a dimensão exacta desta vitória, onde o FC Porto mostrou ser um candidato ao título, mas que não é tão esmagador como poderia parecer, como nem o Rio Ave é uma peneira por onde passa tudo como também poderia parecer. Este resultado é fruto de um momento e das circunstâncias. De todas as formas, é uma vitória justa para o FC Porto, mas com números injustos para o Rio Ave. Lopetegui poderá estar contente, mas não poderá dormir descansado se pensar que no próximo fim-de-semana terá de visitar uma Académica a precisar de pontos como de pão para a boca. E se o FC Porto tem estado imperial na Europa, também muito pela boa sorte do grupo que lhe saiu em sorteio, também é verdade que na Primeira Liga as coisas nem sempre lhe estão a correr de feição e, como dizem os entendidos, muito por culpa do seu treinador.

Este Rio Ave que também foi afastado da Liga Europa, e que agora pode concentrar todas as forças na Primeira Liga, promete uma Liga bem mais competitiva para 2015.

Uma Obrigação

Parece demagogia, mas é uma verdade. Sporting CP, SL Benfica e FC Porto ganharam e, verdade seja dita, tinham obrigação de o fazer. Eles próprios, por vezes, lançam a desculpa de, na Europa, não poderem acompanhar os orçamentos das grandes equipas e, desportivamente, ressentirem-se.

Ora, nada de diferente do que se passa em casa. Os grandes são grandes, têm orçamentos de grandes e, desportivamente são-no. Objectivamente grandes.

É claro que maior orçamento e melhores equipas e mais craques não são garantia de sempre grandes vitórias, como eles próprios provam na Europa ao ganhar a equipas mais ricas e com orçamentos muito superiores. Porque não é o dinheiro que ganha os jogos. Este só dá possibilidade a quem monta as equipas poder contar com um espectro de trabalho mais alargado.

E tanto assim é que as 3 maiores equipas do campeonato nacional não estão nos 3 primeiros lugares.

De todas as formas, este fim-de-semana cumpriram com as suas obrigações e ganharam a quem deveriam ter ganho e mantendo, assim, todas as esperanças num final de campeonato bem agradável, se bem que Jorge Jesus e o SL Benfica, não têm grande disponibilidade para deixar o campeonato para os adversários porque, ao serem afastados da Europa, concentram toda a sua artilharia no campeonato nacional da Primeira Liga.

Mas este campeonato promete ainda muitas surpresas. E vamos estar cá para assistir.

Boas Apostas!