No dia da apresentação de Fernando Santos, os discursos sobre o consenso criado em volta do novo Selecionador esconde aquilo que é mais importante para o futuro do nosso futebol: o talento disponível que precisa de uma oportunidade na equipa de todos nós. Até pela possibilidade de não vermos o Engenheiro sentado no banco durante boa parte da qualificação para o Europeu (ou toda a qualificação!), a pessoa que deveria estar no centro das atenções é Ilídio Vale. Quer queiram, quer não, há uma geração de jogadores que passou pelas mãos deste técnico no trabalho que vem desenvolvendo na Federação.

Uma ideia de jogo

Fernando Santos pode prometer um estilo de futebol mais agarrado ao chão, realista, um estilo de jogo que, quer queiram, quer não, é a marca do futebol português. Só nos anos da Geração de Ouro, quando tivemos Figo, Rui Costa, João Pinto e companhia para oferecer um perfume diferente à nossa proposta tática, é que Portugal tentou posicionar-se como uma equipa de posse de bola e criatividade. As nossas raízes são linhas recuadas, meios-campos de carregadores de pianos e frentes de ataque com a esperança em génios. Foi assim em 1966, foi assim em 1986 e, depois dos anos de bonança, foi assim que Ilídio Vale levou a Seleção de Sub-20 à final do Mundial em 2011.

Com o atual talento disponível em Portugal, a conjugação de um regresso às origens, trabalhado por Ilídio Vale, com um toque de Fernando Santos, promete que a organização coletiva será o ponto de ordem da equipa, algo a que os jogadores que têm estado entre os escolhidos se devem acomodar. E talvez até seja aí que possa residir o principal obstáculo ao sucesso desta nova equipa técnica.

Há talento

Num ambiente de más notícias sobre o futebol nacional, as últimas semanas vão provando que existe talento selecionável. Alguns dos “meninos” de Ilídio Vale começam a conquistar a titularidade nos seus clubes, como é o caso de Mika, guarda-redes do Boavista, Tiago Ilori, no Bordéus, ou João Mário, no Sporting. Outros são já valores confirmados, como André Gomes, que brilha no Valência, Bruma, titular no Galatasaray, Danilo Pereira, peça essencial no Marítimo, Cédric, do Sporting, ou Mário Rui, lateral-esquerdo que subiu à Serie A com o Empoli. Se continuarmos a buscar nas gerações que passaram pelas mãos de Ilídio Vale na seleção, encontramos ainda jogadores como Ricardo Esgaio, Cafú, Sérgio Oliveira, Alex, Rony Lopes, Tozé, Ivan Cavaleiro ou Nélson Oliveira que, em maior ou menor escala, vão demonstrando que a fábrica de talentos portuguesa continua em forma.

Se continuarmos a olhar para os jogadores que surgem, neste início de época, com alguma relevância, podemos juntar nomes como Bernardo Silva, do Monaco, Hernâni ou Tomané, no Vitória de Guimarães, Tiago Pinto no Rio Ave, ou Miguel Rosa no Belenenses, o que poderia ajudar a formar um plantel para a Seleção com várias opções de qualidade. Romper com a ideia de que um jogador só é de Seleção quando veste uma camisola de um grande, ou de uma equipa de uma Liga de topo a nível europeu, é a principal missão da dupla Fernando Santos – Ilídio Vale, algo que, se não for levado a cabo, deita por terra qualquer ideia de revolução no futebol português.

Pensar o futuro

Cristiano Ronaldo precisa de amigos

Cristiano Ronaldo precisa de amigos

Uma Qualificação para um Europeu, nos modos atuais, é um verdadeiro convite a uma profunda renovação de quadros na Seleção. Olhando para aquela que foi a última convocatória de Paulo Bento, são muito poucos os jogadores que poderão receber o título de imprescindíveis na equipa. Na baliza, Rui Patrício. Na linha defensiva, Pepe e Fábio Coentrão. No meio-campo, William e João Moutinho. Na frente de ataque, Nani. Se a este grupo juntarmos Cristiano Ronaldo, temos o que poderá ser o coração da equipa de Portugal para os próximos anos, ainda que Pepe possa estar a caminhar para deixar de ser opção, pelo menos entre os titulares absolutos.

Outros jogadores, que levam agora alguns anos de trabalho a este nível, poderão encontrar o seu espaço como vozes de experiência no grupo, onde se poderá incluir Beto, Luís Neto, Miguel Veloso, Vieirinha ou Hélder Postiga. Possíveis regressos, como o de Danny, também poderiam ser equacionados. Entre as mais recentes apostas, Rúben Vezo, Adrien Silva e Ricardo Horta são nomes com os quais se deverá contar.

Tentemos, desta forma, apresentar uma possível convocatória para o próximo mês de outubro.

Guarda-Redes: Rui Patrício (Sporting), A. Lopes (Lyon), Mika (Boavista)

Defesas: Cédric (Sporting), R. Esgaio (Sporting), Pepe (Real Madrid), Luís Neto (Zenit), Rúben Vezo (Valência), Tiago Ilori (Bordéus),Fábio Coentrão (Real Madrid), Antunes (Málaga)

Médios: William Carvalho (Sporting), Danilo Pereira (Marítimo), Adrien Silva (Sporting), João Mário (Sporting), João Moutinho (AS Monaco), Bernardo Silva (AS Monaco), André Gomes (Valência)

Avançados: Bruma (Galatasaray), Vieirinha (Wolfsburg), Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Nani (Sporting), Ricardo Horta (Málaga), Hélder Postiga (Deportivo).

Temos, ou não, equipa?

Boas Apostas!