O FC Porto bateu o Sporting por 3-0, manteve a diferença pontual de quatro pontos para o Benfica, sublinhando estar vivo na luta pelo título da Liga NOS e atirando os Leões para uma distância de oito pontos, confirmando, assim, a tranquilidade no que toca ao apuramento direto para a Liga dos Campeões. Foi um jogo de sentido único no Estádio do Dragão, com o FC Porto a ter a posse de bola controlada, pelo menos até chegar ao segundo golo, fazendo a gestão do encontro como quis e bem lhe apeteceu. Cristian Tello sai deste jogo com a coroa dos heróis, entrando para a história deste clássico com um hattrick. O espanhol acabou, assim, por ser o dragão destacado para finalizar as ações ofensivas que se aproveitaram de uma Terra de Ninguém situada debaixo dos olhos da linha defensiva do Sporting.

Três provas cabais

Golo 1

Jackson Martinez sozinho no primeiro golo

Tínhamos sublinhado na antevisão deste jogo o facto de no meio-campo defensivo do Sporting poderem existir muitas situações de igualdade numérica. O problema central estava nas movimentações de Jackson Martínez, que transformava o jogo num gigantesco desafio às qualidades da dupla Paulo Oliveira – Tobias Figueiredo. Durante toda a partida ficou a dúvida sobre a organização defensiva leonina – quem devia seguir Jackson sempre que este recuava e quem devia manter-se pronto para a ajuda. Incapazes de responder a esta questão, Oliveira e Tobias ofereciam imenso espaço ao colombiano para que este trabalhasse as vantagens conseguidas no último terço do terreno.

Poder-se-ia pedir a William Carvalho que policiasse essa zona do terreno, mas a verdade é que a arrumação do meio-campo portista impediu a libertação do internacional português. Também na zona do meio-campo o Sporting se encontrava em igualdade numérica, com a intensidade constante de Herrera, Casemiro e Evandro a ter que ser policiada por Adrien Silva, William Carvalho e João Mário. Aliás, João Mário foi quem acabou por sofrer mais com a disposição das peças em campo, anulando-se a sua intervenção ofensiva. Nas faixas, Nani e Carrillo serviam para tentar amparar as subidas de Alex Sandro e Danilo, deixando Montero com pouco que fazer.

Golo 2

Tello escapa ao controlo da linha defensiva no segundo golo

Regressando aos golos, não deixa de ser curioso que Julen Lopetegui tenha privilegiado o lado direito do seu ataque. À partida, poderíamos pensar que o espanhol procurava testar a inexperiência e falta de rodagem da dupla Jonathan Silva – Tobias Figueiredo, no entanto, olhando para as imagens dos golos, acabamos por entender que existiam mais razões. É óbvio que a velocidade de Tello ajudava à penetração e exploração do espaço nas costas, mas no lado esquerdo, Brahimi servia como uma espécie de atração para Cédric Soares, que fosse por ordens de Marco Silva, fosse por desposicionamento (algo de que o lateral-direito também sofre várias vezes), aparecendo numa marcação mais individual do que à zona.

Marco Silva entregou-se

Golo3

Meio-campo em desvantagem e Tello marca o terceiro

Sempre a olhar para o momento ofensivo, Marco Silva acabou por entregar a partida com a dupla-substituição feita ao minuto 61. A sua equipa perdia já por 0-2 e esperava-se que o FC Porto recuasse no terreno, tendo agora Quaresma para jogar, também, em velocidade na outra faixa. No entanto, o Sporting abdicou da igualdade numérica do meio-campo para se colocar em desvantagem, abrindo assim ainda mais espaço para a forma como os Dragões procuravam explorar a transição. Rúben Neves veio dar consistência à intermediária dos portistas, a partir do minuto 70, e mesmo que o Sporting tenha tido mais bola nesta parte final, a verdade é que nunca chegou com real perigo à baliza de Fabiano.

Tello Porto

Sporting fica para trás, FC Porto cheira a luta pelo título

Com apenas um ponto de vantagem sobre o SC Braga, equipa que receberá na penúltima jornada da Liga NOS, o objetivo do Sporting está agora focado no garantir da terceira posição. Essa caminhada implica que os Leões tenham, em quase todas as partidas, a obrigatoriedade de pegar no jogo, algo a que nem sempre se conseguem adaptar. Marco Silva terá assim uma exigente prova até ao final do campeonato, com as meias-finais da Taça de Portugal a servirem como momento de ganhar confiança e manter o discurso de conquista de, pelo menos, um título na presente temporada. O Sporting já se havia mostrado capaz de jogar de igual para a igual com equipas mais poderosas, como o FC Porto e o SL Benfica, e o que demonstrou ontem no Dragão é que nem sempre se está a falar de uma questão de dinheiro no momento de avaliar um resultado desportivo.

Já para Julen Lopetegui, a primeira vitória num clássico em Portugal surge num momento de claro crescimento da sua equipa. O Porto escolheu a forma de vencer este encontro e sai muito reforçado em termos de confiança. Existe ainda a Liga dos Campeões para confirmar o apuramento para os quartos-de-final e uma Taça da Liga que pode ser um teste prévio ao duelo com o Benfica. Chegados ao início de março, parece aceitável dizer que Lopetegui conseguiu ganhar o respeito dos adeptos e dos adversários. Mas será preciso juntar-lhe títulos para que entre na galeria de históricos do seu clube.