Regressou-se ontem à Liga dos Campeões.

E os jogos que aconteceram, e os resultados que se conseguiram, mostraram que a Liga dos Campeões é, definitivamente, a melhor das competições.

Bons, excelentes jogos, para todos os gostos e feitios. Diferenças onde não se esperaria e equilíbrios onde não se imaginava.

E golos, golos, golos, muitos golos.

E surpresas, muitas surpresas. Com algumas tristezas. E algumas injustiças.

O Chelsea FC de Mourinho derrotou copiosamente o NK Maribor por 6 a 0. O Sporting CP foi, injustamente, derrotado na Alemanha, pelo Schalke 04 por 4 a 3. O FC Porto conseguiu, num golpe de génio, levar de vencida o Athletic Bilbao por 2 a 1. O Bate Borisov perdeu, surpreendentemente, em casa, com o Shakhtar Donetsk, por 7 a 0. O Manchester City não conseguiu melhor que um empate a 2 golos em Moscovo, frente ao CSKA. O Bayern Munique, de Guardiola, foi desintegrar o AS Roma, a Itália, por 7 a 1. E os jogadores romanos já vieram pedir desculpa aos tiffosi. O FC Barcelona venceu, em casa, o Ajax por 3 a 1. E o PSG foi ganhar, não sem alguma dificuldade, ao Apoel de Nicosia, por 1 a 0.

Mas entre o deve e haver, muito se pode dizer sobre o FC Porto e o Sporting CP. Se um subiu aos céus, o outro desceu aos infernos.

O Céu do FC Porto

Pode começar-se por dizer óbvio: mais uma vez, Julen Lopetegui voltou a ser teimoso e a dar-se mal com a sua teimosia. Se ganhou este jogo, que parecia bem difícil de desenrolar, deve-o a Ricardo Quaresma, que tem sido ignorado pelo treinador dos dragões.

É caso para dizer, o que se diz de quando em vez, sobre determinados jogadores: deixem o Quaresma jogar!

Julen Lopetegui

Julen Lopetegui teve de se render à bancada para fazer entrar Ricardo Quaresma e ganhar o jogo

Não há dúvida que o extremo portista, dono de uma particular personalidade, que tem levado alguns treinadores a deixarem-no na prateleira (Paulo Bento e Julen Lopetegui), está com a fúria toda do seu lado. E com veia goleadora em jogos que não atam nem desatam. No jogo que opôs a selecção portuguesa à selecção dinamarquesa, foi um centro de Ricardo Quaresma, acabado de entrar, a dirigir-se à cabeça matadora de Cristiano Ronaldo e determinar o vencedor do jogo. Ontem, perante um difícil Athletic Bilbao, lá foi o mesmo Ricardo Quaresma, acabado de entrar, a marcar o golo da vitória azul e branca e a dar mais uns tempos de oxigénio ao seu teimoso treinador.

A verdade é que o FC Porto foi sempre, em larga medida do jogo, a melhor equipa, mas a sua cota parte de oportunidades tende a secar rapidamente e, mesmo tendo posse de bola, e controlando o jogo, a equipa de Lopetegui não consegue marcar. As ideias do treinador só podem andar baralhadas, está bem de ver.

Estava o jogo empatado, e Lopetegui faz sair Quintero para a entrada de Rúben Neves. Aos 64′ de jogo, o treinador do FC Porto arriscou ao que se seguiu: uma valente vaia. Não há memória de uma equipa do FC Porto estar empatada em casa, e o seu treinador pretender fechar a defesa com medo de deixar fugir esse empate. O FC Porto, tem no seu adn, a busca incessante pela vitória, muito mais ainda em casa. E ainda por cima o Athletic Bilbao, não sendo má equipa, também não era esse perigo que Lopetegui andou para aí a anunciar. Cuidados, mas sem perder o norte. Ai, ai Lopetegui.

Vai daí, 8′ de assobiadelas depois, Julen Lopetegui faz sair o faltoso Casemiro para a entrada do mágico. E Ricardo Quaresma não se fez rogado. 5′ depois, lá estava a bola dentro da baliza, e Lopetegui a pensar que tem de dar a mão à palmatória, que a bancada parece perceber mais de futebol que ele.

Mas voltemos um pouco atrás no jogo. Aos 58′, o Athletic Bilbao empata através de Guillermo. E como é que foi esse golo dos espanhóis? Bom, mais uma vez o meio-campo portista errou num passe lateral (Herrera a lançar a bola para Casemiro) que os adversários interceptam e marcam golo. Fácil, pois então.

Mas mesmo com a insistência no passe lateral imposto por Julen Lopetegui, numa espécie de tiki-taka dos pobrezinhos, anti-natura portista, nunca esteve em causa a justeza de uma vitória portista. Se é verdade que houve algumas peças em sub-rendimento, como Maicon, nervoso, Casemiro, faltoso, e Jackson Martinez, ausente, também é verdade que houve alguns jogadores em alto-rendimento que dominaram o jogo, como Tello, em alta velocidade, Fabiano, com segurança, e Quintero, o rei das assistências. Ontem, ao contrário de tudo isto, não foi noite de Brahimi, não que tivesse jogado mal, que nunca é esse o caso do argelino, mas não esteve ao nível a que já habituou os adeptos portistas.

Bonito foi ver, depois, na conferência de imprensa, Julen Lopetegui dizer que estava encantado com Ricardo Quaresma. Pois devia estar mesmo. Salvou-lhe a pele. Era altura de aprender a lição. Porque desta vez tocou o céu. E da próxima?

O Inferno do Sporting CP

Mas se ao FC Porto sorriu o céu, ao Sporting CP abriram-se-lhe as portas do inferno.

Lei de Murphy: tudo o que poder correr mal, vai correr. E ao Sporting CP saiu-lhe, em brinde, a Lei de Murphy. Uma lesão, uma expulsão, um clamoroso erro de arbitragem, um roubo. O Sporting CP não perdeu na Alemanha contra o Schalke 04, foi empurrado para a sua derrota pela equipa de arbitragem.

E como já se disse aquando da final da Liga Europa entre o SL Benfica e o Sevilla, o que raio estão a fazer num jogo de futebol os árbitros de baliza?

Schalke 04 4 - 3 Sporting CP

Sporting CP com menos um a jogar contra Schalke 04 e equipa de arbitragem

O Sporting até começou por se adiantar no marcador, com um golo de Nani logo aos 16′, a responder a um canto de João Mário. Mas aos 24′, Islam Slimani lesionou-se e teve de abandonar o jogo, entrando para o seu lugar Fredy Montero que acabou por ter de fazer mais trabalho de defesa do que de… matador. Aos 32′, expulsão de Maurício. Acumulação de amarelos, e a responsabilidade do defesa leonino. E Marco Silva foi obrigado a mexer na equipa. Fez entrar Naby Sarr para o eixo da defesa, tendo, por isso, de sacrificar João Mário. Naby Sarr esteve ao seu nível, deixando-se bater por um adversário mais baixo que, de cabeça, lhe roubou a bola e marcou o terceiro golo dos alemães.

Saindo para o intervalo empatado a 1 golo, mesmo com todas as contrariedades, não deixava antever o que se iria passar na segunda parte. Em 10 minutos o Schalke 04 coloca-se com vantagem confortável, a vencer por 3 a 1. Mas para a história fica que o segundo golo alemão é obtido de forma irregular. Mas o árbitro sancionou.

Contudo, o Sporting CP não baixou os braços e viu o esforço recompensado. Adrien Silva, por duas vezes, a primeira de grande penalidade, a segunda de cabeça, repôs a igualdade. A 12 minutos do fim do jogo, e com menos um jogador desde os 34′ de jogo, o Sporting CP empatava o jogo a 3 golos. E estava quase com um pé no céu, como o FC Porto.

Mas… E há sempre um mas nisto tudo, lá apareceu um dos ausentes árbitros de baliza para avisar o árbitro sobre uma mão de Jonathan Silva na área que, afinal, era a cara do jogador. Estávamos 3′ depois dos 90′ regulamentares, e o árbitro marca grande penalidade contra o Sporting CP a castigar uma mão inexistente que só o árbitro de baliza (um daqueles que não viu Beto subir 2 metros na grande penalidade na final da Liga Europa entre o SL Benfica e o Sevilla) é que vislumbrou.

Choupo-Mouting não desperdiçou esta oportunidade caída do céu e marcou o quarto golo, garantindo, assim, a vitória e mandando o Sporting CP para o inferno onde, com toda a certeza, não merecia estar.

O Sporting CP de Marco Silva foi vítima da arbitragem medíocre de Sergei Karasev. Mas deixou um grande jogo.

Boas Apostas!