É oficial: José Peseiro será o novo treinador do FC Porto. Anúncio feito sem pompa nem circunstância porque, com todo o respeito, a montanha pariu um rato. Não é a contratação galvanizadora que se esperava de um clube que muda de treinador a meio da temporada. Depois dos vários nomes falados – dos delírios de Mourinho a Sampaoli, passando pela tentativa de entalar Conceição – isto é um anticlímax. “A equipa vai jogar melhor mas não vai ganhar nada”, já me disseram. Para isso podiam ter deixado como estava, pelo menos até final da época.

Mexer só por mexer

O FC Porto anunciou ontem a contratação de José Peseiro para treinador principal da equipa dos Dragões. Sem pompa e circunstância, a montanha – leia-se direção do clube azul e branco, pariu um rato. Primeiro foram os delírios com Mourinho, Sampaoli, André Villas-Boas. Depois era Nuno Espírito Santo ou Marco Silva. E por fim Sérgio Conceição, naquela trama bacoca para entalar o técnico do Vitória antes do Porto ir jogar a Guimarães. Parecia um desfile do catálogo Jorge Mendes. Depois de vários nomes veiculados surge a escolha pouco óbvia por um verdadeiro globetrotter, cuja carreira leva o subtítulo de “treinador do quase”. Para isso mais valia deixar como estava. Esta urgência de mexer por mexer, sem claramente haver uma estratégia, não leva a lugar nenhum. Provavelmente o Porto não ganharia nada esta temporada. Mas assim acho que as hipóteses são exatamente as mesmas.

jose_peseiroA reputação pesa

Serei a última pessoa que apanharão a defender Julen Lopetegui. Teve a sua oportunidade e não esteve à altura das expetativas, nem da sobranceria. Tampouco me importa sobremaneira a falta de currículo a treinar clubes de dimensão. A falta passa, mas já é outra coisa bem distinta ignorar um currículo existente. Há quem se possa queixar de não ter tido as oportunidades mas Peseiro correu o mundo, treinou grandes e pequenos. Tem reputação de ser um tipo que trabalha muito a parte psicológica e motivacional dos jogadores. Tem reputação de pôr uma equipa a jogar bonito. Não tem reputação de ganhador. Não tem a garra que os adeptos associam à marca Porto.

Globetrotter

José Peseiro andou na faculdade e fez o curso de treinadores com José Mourinho e partilha com o amigo a preocupação com os aspetos psicológicos do jogo. Ribatejano de gema, fez as primeiras incursões como técnico principal nos clubes locais mas é ao comando do Nacional da Madeira que começa realmente a dar nas vistas. Em 2003 embarca na aventura de acompanhar Carlos Queirós para o Real Madrid, como adjunto. Durou pouco mas ser despedido do Bernabéu é coisa que não macula o trajeto profissional de ninguém. Regressa a Portugal para treinar o Sporting e é apresentado como uma espécie de visionário. A equipa dos Leões passou de fato a jogar muito melhor mas a sua passagem pelo banco ficou marcada pelo fracasso nos momentos decisivos. A final da Taça UEFA de 2005, perdida para o CSKA de Moscovo, e as opções técnicas que tomou para esse encontro, ainda persistem na memória dos sportinguistas. Quando deixou Alvalade correu o mundo. Grécia, Roménia e várias paragens no Médio Oriente, com breve pausa nas deambulações para vir comandar o Braga. Foram sete países e doze equipas, uma das quais a seleção principal da Arábia Saudita. Títulos? Uma Taça da Liga, pelos Arsenalistas, na temporada de 2012-13.