Um clássico é feito de acérrimas disputas individuais.

Em consonância com a intensa rivalidade de um embate desta magnitude, categóricos intérpretes cerram fileiras na tentativa de se assumirem protagonistas.

Domingo, na Luz, Benfica e FC Porto jogam uma cartada decisiva no que concerne à prova-maior das competições domésticas. O campeão Benfica procura aumentar a vantagem e, desse modo, ficar a um passo do título, enquanto que o FC Porto pretende almejar um triunfo que reforce as aspirações no assalto ao título quando a Liga NOS entra na reta final.

Admitindo que o Jorge Jesus e Julen Lopetegui poderão contar, respetivamente, com Jonas e Jackson Martínez, – algo que, além de beneficiar ambos os lados da barricada, enaltece o espetáculo – o tapete verde do cofre-forte benfiquista será pisado por dois homens que, embora ao serviço de cores diferentes, têm algo em comum além da proveniência e da inicial dos nomes: golo.

Ambos de origem sul-americana, o brasileiro Jonas e o colombiano Jackson Martínez correm pela manutenção de uma tendência que se verifica desde a temporada 2006/07: a conquista da Bola de Prata – que premeia o goleador máximo do campeonato nacional – por parte de um jogador oriundo daquele continente. Jackson já conta com dois troféus destes no seu espólio pessoal, respeitantes às duas últimas temporadas.

Considerando o intervalo entre as épocas 2006/07 (inclusive) e 2013/14, verificamos que, de entre oito vencedores, só dois não lograram o feito com a camisola de Benfica ou FC Porto. Liedson (2006/07, Sporting) e Nené (2008/09, Nacional) são as fugas à regra. Nas restantes seis ocasiões, a balança pende a favor do FC Porto, que vestiu em quatro ocasiões o melhor marcador da prova: Lisandro López (2007/08), Hulk (2010/11) e Jackson Martínez (2012/13 e 2013/14). Óscar “Tacuara” Cardozo, goleador paraguaio, subiu ao palanque em duas ocasiões (2009/10 e 2011/12).

O número máximo de tentos ao longo do período considerado é, de resto, marca rubricada por Cardozo e Martínez: 26.

Agora, a cinco jornadas do termo de mais uma edição do campeonato nacional, Jackson Martínez continua bem posicionado para obter o tri de Prata, mas vê de muito perto um sério concorrente: Jonas, que tem 16 golos marcados, menos um que o jogador portista.

Considerando apenas números respeitantes ao campeonato, à entrada para o clássico, o top 5 da lista de melhores marcadores está ordenado da seguinte forma: 1º Jackson Martínez – 17 golos; 2º – Jonas 16 golos; 3º Lima – 14 golos; 4º Marco Matías – 13 golos; 5º Ahmed Hassan – 12 golos. No pódio, importa realçar a presença dos benfiquistas Jonas e Lima, a dupla ofensiva de Jesus por definição. Já no esquema de Lopetegui, Jackson – ou a alternativa Aboubakar – não costumam gozar de companhia tão estreita em comparação com o que acontece no ataque do Benfica. Por esta altura, é na Luz que mora a equipa mais concretizadora da Liga NOS: 73 tentos, em 29 encontros disputados, contra os 67 apontados pelo Porto. Líder e vice-líder do campeonato nacional têm, portanto, médias superiores a dois golos/jogo. Principais responsáveis pelo poderio ofensivo das respetivas formações, centremo-nos, então, na análise estatística às performances individuais de Jonas e Jackson, dois goleadores com identidades distintas mas igualmente letais na hora de atacar as redes contrárias.

Cha-Cha-Cha

Jackson Martinez

Jackson Martinez lidera a lista dos Melhores Marcadores do campeonato nacional

Começando por Jackson, legitimando a prioridade em função da maior experiência de futebol português que possui, saliente-se que participou em 25 dos 29 jogos disputados pelo Porto na Liga NOS. Uma lesão contraída em Braga, em jogo relativo à 24ª jornada, afastou-o dos duelos seguintes com Arouca, Nacional, Estoril e Rio Ave.

Na ausência do goleador colombiano, o FC Porto só vacilou na deslocação à ilha da Madeira, em compromissos do campeonato. Foi totalista em 19 jogos e só cumpriu menos de 80 minutos em três ocasiões. Em 25 jogos, fez o gosto o pé em 14 e apontou três bis: Moreirense (Casa), Académica (Fora) e Paços de Ferreira (Casa). Continuando com números bastante satisfatórios, – não apenas no campeonato – é com naturalidade que o assédio seja cada vez maior, e o internacional cafetero é, neste momento, um dos atletas com maior mercado no velho continente.

Além da aptidão inata no campo da finalização, destaca-se pela forma como luta na frente de ataque, pela capacidade que demonstra em segurar a bola e pela agressividade com que aborda o jogo e torna difícil a missão da defesa contrária em domar o cha-cha-cha e neutralizar a sua ação.

Samba

Jonas, no seu registo elegante, com a simplicidade de quem calça umas discretas Mizuno, figura juntamente com Jackson entre o lote de candidatos a melhor jogador do campeonato.

Jonas

Jonas foi-se aproximando e, neste momento, é vice-líder a 1 golo de Jackson Martinez

A operação que envolveu o seu ingresso na Luz constitui, de resto, muito provavelmente, o melhor negócio do defeso. Tendo em conta a qualidade que patenteia, custa a crer que tenha chegado ao nosso campeonato a custo zero.

Jogador de fino recorte técnico e arguto na forma como se move, imprime bastante criatividade no ataque. Tal como uma águia voraz que ataca prontamente e de forma eficaz a presa, Jonas não perdoa na hora de atirar à malha contrária.

Reforço garantido já depois do fecho do mercado, a chegada tardia a Lisboa inviabilizou a inscrição na Liga dos Campeões. Nas provas domésticas, a estreia também só surgiu em Outubro, após ter recuperado os níveis físicos desejáveis e ter sido devidamente preparado por Jorge Jesus. Até então, desde que se estreou na sétima jornada na receção ao Arouca, participou em 22 jogos. Curiosamente, na noite em que o companheiro de ataque, Lima, brilhou em pleno Dragão, não saiu do banco.

Totalista em 10 encontros – saiu para lá dos 75 minutos em tantos outros – marcou em 12 partidas. Já bisou em quatro ocasiões e, em vésperas de jogo decisivo, apresenta números que indicam que está em polvorosa: três bis consecutivos nos últimos três jogos do campeonato.

Jonas quererá, decerto, continuar a definir a favor do encarnado que veste, chegando ao clássico, e ao duelo direto com o principal rival, ao frenético ritmo de quem tem o país do samba como berço.

Boas Apostas!