Quando se pensava que o Manchester City ia embalado para o título, a equipa de Guardiola tropeça como todas as outras e a luta pela Premier League ganha interesse. Os dois penáltis defendidos por Stekelenburg aguentaram o Everton na partida e Ronald Koeman ganha novo fôlego. Mas a surpresa da jornada foi a goleada do Bournemouth ao Hull: um reconhecimento que Eddie Howe já merecia há muito. Theo Walcott continua ao rubro e graças a ele os Gunners encostaram ao primeiro lugar. Tudo em aberto, como deve ser ao fim da oitava jornada.

Empate revelador em Anfield

O jogo da jornada oito da Premier League era o que a encerrava. Acontece que o duelo entre Liverpool e Manchester United, em Anfield, foi um tanto dececionante. Foi uma partida muito tática, que disse muito sobre as duas equipas e as suas lideranças. No fundo, José Mourinho foi capaz de montar um onze que frustrasse a ímpeto dos Reds, convencendo os seus jogadores a jogar organizado e feio, se necessário, para sair do embate com um ponto. Dado o estádio de evolução do United, um ponto em Anfield satisfez os visitantes. Do outro lado, Jurgen Klopp e os seus jogadores ficaram frustrados. Um empate não lhes chega e apesar de em vários momentos encostarem o adversário às cordas não conseguiram romper as barreiras defensivas. Mas diz muito do crescimento desta equipa, ter sido capaz de manter a disciplina defensiva, e não desatar em arrancadas individuais quando o golo teimava em aparecer.

Stekelenburg retribuiu confiança de Koeman

Stekelenburg foi a primeira contratação de Koeman quando assumiu o cargo em Goodison Park: aposta ganha.

Stekelenburg foi a primeira contratação de Koeman quando assumiu o cargo em Goodison Park: aposta ganha.

O Everton foi ao Etihad empatar o City (1-1). É o terceiro jogo consecutivo que a equipa de Pep Guardiola não consegue ganhar. Começou com o empate em Glasgow e continuou na derrota em White Hart Lane. Quer isto dizer que afinal o treinador catalão não opera milagres? Enfim, estamos a descobrir que o City também tropeça como todas as outras equipas. E é quando nos recordamos que este ainda é um projeto em construção. Não mais do que isso. Não é perfeito e será preciso corrigir e melhorar. Ponto. Agora, é preciso dar mérito a quem estava do outro lado. Ronald Koeman voltou a fazer das suas. A sua primeira contratação nos Toffees, o compatriota Marteen Stekelenburg, justificou a confiança do treinador e fez a diferença. Não foram apenas os dois penáltis que defendeu, houve outras situações de perigo, mas foram essas defesas que mantiveram o Everton na partida e impediram o City de escapar.

Theo “renascido” Walcott

Theo Walcott fez a segunda dobradinha pelo Arsenal no espaço de três semanas, com a paragem do campeonato pelo meio. E podia ter feito hat trick ou até um poker, de tal forma esteve empolgado na receção ao Swansea (3-2). Aos vinte e sete anos Walcott é um homem renascido e a metáfora perfeita para o que tem sido o Arsenal sob o comando de Wenger. De extremo a ponta de lança para regressar à posição inicial a carreira do inglês nunca alcançou o potencial que prometeu a espaços. É justo referir as lesões graves que sofreu, quase sempre quando estava a ganhar maior embalo, mas os azares também fazem parte neste carrocel que têm sido os vinte anos do francês no clube londrino. Custa muito entrar no entusiasmo que jogar de forma tão inspirada sugere mas assistimos demasiadas vezes a este filme para embarcar nele sem cinismo. Espero, sinceramente, que Walcott e os Gunners me desmintam e consigam explodir, começando por vencer o grupo da Liga dos Campeões ao PSG.

Trabalho de Howe no Bournemouth em evidência

Não admira que Eddie Howe apareça equacionado para a seleção inglesa. Há muito que um treinador inglês não demostrava tantas capacidades.

Pode ser ainda cedo para a seleção inglesa mas há muito que um treinador inglês não demostrava tanto talento.

Mas não podíamos terminar este passajar pela jornada da Liga Inglesa sem referir a goleada impressionante do AFC Bournemouth ao Hull (6-1). Seis golos, distribuídos por cinco marcadores – Junior Stanislas foi o único a repetir – com apenas um concedido, é um resultado para os anais dos Cherries. Há muito que o trabalho paciente de Eddie Howe merecia uma recompensa mais visível. Um treinador jovem e talentoso, que sabe o que faz e consegue transformar uma grupo de jogadores desvalorizados por outros emblemas numa verdadeira equipa, sempre competitiva, proporcionando um retorno muito superior ao investimento realizado.

Boas Apostas!