A Liga NOS teve mais um fim-de-semana marcante para as contas do título. Tudo começou com a derrota do Benfica em Vila do Conde, seguindo-se um empate do FC Porto com o Nacional. Se, por um lado, os Dragões perdem a hipótese de colar aos encarnados, a verdade é que, a partir de agora, voltam a depender apenas de si próprios. O que nos falta ver neste campeonato?

Não há estabilidade com excesso de confiança

Lima Benfica

O Benfica desiludiu

Viajar até Vila do Conde com excesso de confiança não é, por estes dias, uma atitude de alguém que pisa com precaução os terrenos da Liga NOS. Por ali vive um conjunto cheio de excelentes valores, entre eles alguns que acabaremos por ver, num futuro próximo, em equipas de nível superior, com um técnico que sabe sempre ler o jogo seja quem for o adversário. Pedro Martins já havia mostrado isso no Marítimo e continua a comprová-lo no Rio Ave. O excesso de confiança do Benfica só cresceu com o golo de Salvio, logo aos cinco minutos, e as lesões consecutivas que afetaram a equipa vilacondense ainda antes do intervalo.

Erro crasso. Jorge Jesus tinha inovado com a entrada de Talisca para a faixa esquerda do ataque, podendo ter aí cometido o seu primeiro erro do encontro. O brasileiro continua à procura da melhor posição para voltar a ser figura com impacto na equipa encarnada, agora que deixou de ser surpresa para os seus adversários. Mas se há lugar onde ele não deverá brilhar, é nas faixas. O Benfica acabou assim por perder capacidade de explosão a partir das faixas, querendo que Talisca fosse Gaitán e não apostando em Ola John.

As coisas pioraram na segunda metade, quando Diego Lopes entrou em campo. O Benfica baseia a sua força na procura do ataque, mas a vencer por 1-0 e perante um Rio Ave que parecia inofensivo, Jesus pediu à sua estrutura para manter a posição em gestão. Erro do técnico que não percebeu o poder de passe do jovem brasileiro que até já vestiu a camisola encarnada. A partir do momento em que Diego “pegou” no Rio Ave, o Benfica não teve mais sossego, acabando por sair derrotado de um encontro onde, aos cinco minutos, parecia antecipado vencedor.

Serviços mínimos

Tello FC Porto

O golo de Tello não chegou

Para o FC Porto, a saber já da derrota do Benfica, o encontro no terreno do Nacional cresceu em importância. A equipa vagueava entre a missão de se manter próxima dos encarnados e o sonho da Liga dos Campeões, que colocará frente aos Dragões uma das melhores equipas da atualidade. Ainda assim, Julen Lopetegui acabou o encontro com um sinal de confiança para o que resta jogar na Liga NOS, com o FC Porto a depender apenas de si próprio daqui para a frente.

A grande questão será perceber como vai lidar a equipa com as diferentes competições em que está inserida. No campeonato não poderá, agora, pensar no que fazem os outros adversários, mas focar-se exclusivamente em si, sabendo bem como isso é exigente para uma equipa. Qualquer erro dos Dragões passa a ser punido com a perda de uma vantagem que, na prática, lhe caiu no colo. Para além disso, com a Liga dos Campeões a colocar desafios enormes e a Taça da Liga a representar, ainda, um jogo extra no calendário, Julen Lopetegui sentirá que é tempo de encontrar uma rotação que mantenha todos os ativos em condições de ir a jogo.

O FC Porto “alcançou”, em termos pontuais, o Benfica, mas o tempo dos serviços mínimos acabou. Resta saber que força têm os azuis e brancos para dar o passo seguinte.