O clássico termina empatado e deixa o Benfica mais próximo do título. Dragões e águias não desfizeram o nulo e o campeonato aproxima-se do fim.

Pragmatismo

O Porto deslocou-se à Luz com a obrigação de vencer o Benfica para poder continuar a aspirar pelo título de campeão e tirar a possibilidade dos encarnados conquistarem o bicampeonato.

O momento não era o mais indicado, depois de uma goleada sofrida em Munique. 6-1 no jogo da segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, perante um Bayern que em casa não deu hipóteses e impossibilitou que o Porto seguisse em frente, rumo às meias-finais.

O Benfica chegou ao clássico focado exclusivamente no jogo. Jorge Jesus teve a possibilidade de preparar devidamente a estratégia para o jogo de ontem e encontrar a solução para a ausência de Salvio.

Júlio César

Jogo muito táctico, foi por vezes feio, confuso e trapalhão

Talisca foi o escolhido pelo técnico português mas não conseguiu encaixar no modelo perspectivado.

O Porto entrou bem no jogo, com muitas alterações promovidas por Julen Lopetegui. O treinador basco colocou, de forma surpreendente, Helton, Marcano, Rúben Neves e Evandro, deixando no banco Quaresma.

A equipa portista entrou com o meio-campo reforçado, na tentativa de aproveitar a superioridade numérica para criar situações de perigo. O Benfica demorou alguns minutos a encontrar-se mas nunca permitiu ao Porto chegar perto da baliza de Júlio César, com excepção de um remate de Jackson por cima da trave, depois de um ressalto na sequência de um cruzamento de Danilo.

Os encarnados não criaram situações de perigo na primeira parte mas tudo mudou com as alterações no segundo tempo.

Uma primeira parte marcada pelo pragmatismo de parte a parte e o respeito que as duas equipas mostraram ter uma pela outra.

Intensidade

Lopetegui não demorou a mexer na equipa e a arriscar.

Ao intervalo, Rúben Neves deu o lugar a Herrera e, com o mexicano em campo, o Porto passou a assumir uma postura mais ofensiva. O mesmo se passou aos 55 minutos, com a entrada em cena de Quaresma para o lugar de Brahimi.

A primeira oportunidade no primeiro tempo até surgiu dos pés de Talisca, que acabou por sair para a entrada de Fejsa. Jorge Jesus não quis ficar atrás e reformulou a estratégia da equipa. Pizzi passou para o lado direito do ataque e o médio sérvio fez dupla com Samaris. Com dois médios mais de contenção, o Benfica teve a capacidade de dominar o meio-campo, vencendo grande parte dos duelos disputados.

Jorge Jesus & Julen Lopetegui

No final ainda deu para a picardia do costume: Jorge Jesus e Julen Lopetegui esgrimem razões

Uma das melhores oportunidades de golo, surgiu dos pés de Fejsa que imitou a papel químico o lance da primeira parte protagonizado por Jackson. O sérvio rematou por cima da baliza na sequência de um livre apontado por Gaitán. Uma substituição defensiva que se transformou numa alteração que permitiu ao Benfica atacar melhor. Um passo atrás para dar dois à frente.

Com maior dinâmica no meio-campo, o Benfica, através de Gaitán, Lima e Jonas passou a ter mais espaço na frente para tentar chegar ao golo no contra-ataque. Numa dessas oportunidades, Pizzi rematou à entrada da área para defesa fácil de Helton.

Aos 64 minutos, o técnico do Porto jogou a cartada final. Hernâni entrou por Evandro para encarar Eliseu. O lateral português já tinha amarelo e apresentava alguns sinais de desgaste. Um cenário que fez com que Jesus apostasse em André Almeida e tirasse Pizzi. Eliseu subiu no terreno, Gaitán passou para a direita e André Almeida encaixou na lateral-esquerda.

Até ao final do jogo, a história não se alterou, havendo ainda espaço para a entrada de Ola John. Jonas foi o sacrificado a sair. O melhor marcador do Benfica esteve apagado do encontro mas muito se deveu ao seu posicionamento táctico. O brasileiro não conseguiu encontrar o seu espaço habitual no meio dos centrais do Porto que o obrigaram a recuar no terreno, assim como Limas que deambulou muitas vezes da posição, procurando aparecer nas laterais.

Uma segunda parte mais intensa, mas sem oportunidades claras de golo. O resultado final premeia a consistências e organização defensiva do Benfica, colocando os encarnados mais perto do bicampeonato. O Porto nunca foi capaz de importunar Júlio César, demonstrando pouca capacidade para encontrar espaços na defesa dos encarnados.

Um clássico marcado por um empate táctico onde as duas equipas precisavam de ganhar, mas nenhuma quis arriscar.

Boas Apostas!