Imaginemos, por momentos, Nuno Espírito Santo com as vestes do Indiana Jones, em territórios onde, é certo, muitos garantem haver um tesouro do qual se perdeu o rasto. De chicote na mão, pronto para uma série de acrobacias, Nuno Espírito Santo sente que a sua vida depende do sucesso nesta missão, onde, como é óbvio em qualquer filme de aventuras, muitos inimigos, melhor ou pior preparados, surgem na sua frente. A única diferença é que, com o Indiana Jones, no cinema, sabíamos que ia tudo acabar bem para o herói.

Uma mina ao lado da mina

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Nuno Espírito Santo continua a tentar responder aos problemas da equipa

Quando o terreno está minado, não há metro de terra que seja seguro. Uma boa lição para quem se atira à procura de salvação em território de guerra. Depois de três anos sem conseguir vencer, o FC Porto apresenta um quadro destes, piorando com o facto de a equipa ter deixado de produzir grandes vendas no mercado e assuma uma postura de alguma poupança na construção do plantel. Para Nuno Espírito Santo, à procura de um espaço para mostrar serviço, isso não pareceu um problema. Na pré-temporada. É que a partir do momento em que os jogos começaram a jogar-se a sério, a questão mudou de gravidade.

Para além do mais, se há coisa que nas bancadas do Estádio do Dragão não se atura, neste momento, são experimentações de treinadores. Não há como fazer bem depois de se ter visto Julen Lopetegui a combater a evidência e José Peseiro a ignorar a história de um FC Porto construído a partir de trás para tentar inventar um dragão super-ofensivo. Nuno Espírito Santo vive , sobretudo, em busca de um compromisso entre uma defesa segura e um ataque consistente, mas não há no Dragão jogadores que possam corresponder totalmente às expetativas de quem quer jogar para ganhar tudo e com uma certa superioridade evidente. Aliás, a superioridade não é mágica nem se constrói de um dia para o outro. Mas, entre minas, o tempo é também muito pouco.

Boavista, uma oportunidade ou uma condenação?

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Otávio é uma das chaves para o melhor futebol da equipa

Na passada sexta-feira, frente a um Boavista que defendeu muito e mal, o FC Porto encontrou uma oportunidade para regressar às vitórias. Nuno Espírito Santo voltou a misturar as cartas e puxou Otávio para um espaço mais central, beneficiando das movimentações de Adrián Lopez junto de André Silva. A equipa mostrou melhor cara, regressou às vitórias, mas, por vezes, na aparente melhoria reside também o contexto certo para se escorregar. Porque, um quadro como o apresentado por este adversário, não será o mais habitual de estar pela frente do FC Porto.

Por isso, a algumas horas de entrar em campo em Leicester, os Dragões continuam a ser uma equipa à procura de si própria. E talvez seja por aí que o trabalho de Nuno Espírito Santo está, de uma forma mais evidente, debaixo de ataque. Ao mudar a cada jogo, tentando adaptar-se ao que o seu adversário lhe apresenta pela frente, a equipa do Porto demora ainda mais a encontrar a sua personalidade, a sua dinâmica própria, empurrada desde muito cedo na temporada para ser uma equipa reativa, que se tenta adaptar às circunstâncias.

Daí que, tal como nos filmes de Indiana Jones, sabemos que vai haver confusão, duelos impossíveis, incerteza até bem perto do final. Mas, lá está, no cinema, o heróis salva-se sempre no fim. O que restará de heróico para encontrar na presente temporada do FC Porto?

Boas Apostas!