Em tempo de crise, Edgardo “Patón” Bauza não resistiu ao chamamento da “albiceleste”. O patriotismo falou mais alto e o convite da AFA (Asociación del Fútbol Argentino) para assumir o cargo de seleccionador argentino foi recebido com agrado. O atual quadro não é agradável, mas Edgardo Bauza (58 anos) tem experiência e motivação para iniciar um novo ciclo à frente da seleção.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

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Edgardo Bauza assume o comando técnico da seleção argentina num momento particularmente delicado, tanto que a questão não se restringe à componente desportiva. A “albiceleste” perdeu as últimas três finais que disputou (Mundial 2014, Copa América 2015 e Copa América 2016), o astro Leo Messi resignou à seleção após a derrota na edição centenária da prova de seleções mais importante da América do Sul e a Federação continua a ser regida por um comité provisório com a supervisão da FIFA, resultado do marasmo em que caiu desde a morte de Julio Grondona. Antes de começar a pensar na qualificação para a fase final do Mundial 2018, a primeira preocupação de Edgardo Bauza será resolver o diferendo com Messi. O novo seleccionador argentino viajará até à Catalunha para falar com o jogador e averiguar se pode contar com ele para o encontro diante do Uruguai agendado para o dia 1 de setembro, naquele que será o primeiro encontro oficial do novo técnico à frente da seleção. Se conseguir demover o jogador do Barcelona, pode dizer-se que Edgardo Bauza se estreará com o “pé direito”, situação que faria aumentar a confiança dos argentinos sobretudo tendo em conta que era o nome menos cotado dos potenciais sucessores de Tata Martino.

No início da década de 80, quando se transferiu para o Junior Barranquilla, o interesse de Edgardo Bauza pelo jogo cresceu de tal modo que, segundo revelou em entrevista à revista “El Gráfico” (2011), gravava os próprios jogos para se poder corrigir e dialogava frequentemente sobre questões tácticas com o treinador Roberto Saporiti. A percepção táctica do jogo, aliada à capacidade de liderança que lhe era reconhecida, fez com que Edgardo Bauza assumisse as funções de treinador. Ao cabo de 18 anos de uma carreira que começou no “seu” Rosario Central, Edgardo Bauza assume os destinos da seleção argentina depois de ter vencido a Libertadores ao serviço da Liga de Quito (primeiro emblema equatoriano a vencer a prova) em 2008 e em 2014 no comando técnico do San Lorenzo. Em janeiro deste ano, tinha sucedido a Juan Carlos Osorio no comando da equipa do São Paulo, num percurso em que demonstrou ser um bom gestor de crises, conseguindo alcançar as meias-finais da Libertadores depois de um início de campanha muito conturbado. Com um bom leque de escolhas e uma equipa que patenteou qualidade com Tata Martino ao leme, a gestão da componente psicológica será um aspecto muito importante na liderança de Edgardo Bauza. Com uma carreira marcada por sucessos “contra a corrente”, o novo seleccionador ambiciona unir o grupo para poder devolver a Argentina aos grandes títulos. O nome de Edgardo Bauza pode não gerar o mesmo entusiasmo que Marcelo Bielsa ou Jorge Sampaoli provocariam em virtude das ideias de jogo marcadamente verticais que possuem, mas o facto de apostar ter recaído sobre si sugere o apelo ao carisma de um técnico que aceitou o desafio numa altura conturbada. Desportivamente, para já, é fulcral rubricar uma boa campanha no difícil apuramento da CONMEBOL para o Mundial 2018.

Boas apostas!