José Mourinho chegou onde queria. Mas não foi a entrada triunfante com que sonhou quando Sir Alex se aposentou. Houve resistências várias mas por fim tiveram que o engolir. Os adeptos esperam que o Special One leve o Manchester United de volta aos seus tempos áureos mas o português terá que ser inteligente a gerir as expetativas e os anticorpos que gera. Desde a saída de Ferguson os adversários perderam o receio ao United. Com Mourinho ao comando, os Red Devils voltarão a ser temidos. Com ou sem Pogba.

Mourinho chegou onde queria

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No Teatro dos Sonhos espera-se que o português traga de volta os tempos de glória.

José Mourinho sonhou ser o herdeiro apontado por Sir Alex Ferguson. Seria o seu momento de consagração, a passagem de testemunho. Não cabeça dela não havia dúvidas: era o melhor, o mais capaz, e o United quereria o melhor. Não antecipou as muitas resistências que surgiriam ao seu nome. Primeiro, Ferguson não queria alguém que fizesse sombra ao seu legado. E por outro lado, a personalidade vincada e agressiva do português vinha deixando um rastro de anticorpos. Os senhores que se seguiram foram desastrosos, cada um à sua maneira. Em comum o facto de não ganharem. A partir daí o terreno estava propício mas foi mesmo a ameaça, depois confirmada, de Guardiola se mudar para o Etihad que forçou a mão aos Glazers. Mourinho pode não ser Mister Simpatia mas sabe pegar numa equipa e fazer dela uma vencedora. Os adeptos estão fartos desta agonia, querem voltar a ser dominantes. Espera-se que o técnico português recupere a chama e a garra dos Red Devils, entretanto sugada pela desilusão que foi Moyes e a rigidez aborrecida de Van Gaal.

É para ganhar

Para Mourinho o melhor ataque é a defesa e as equipas constroem-se a partir dos mecanismos defensivos. O que não significa estacionar autocarros, apenas ter sempre como primeira preocupação barrar o acesso à sua baliza. O seu United será, certamente, uma formação inteligente, agressiva, oportunista – no sentido de ser letal a aproveitar as oportunidades – e vencedora. Os Red Devils têm o pessoal para se tornarem um ataque explosivo e vão sê-lo. Sempre preferindo as transições rápidas à posse de bola.

Zlatan Ibrahimovic foi contratado para dar o exemplo de determinação, entrega e vontade insaciável de ser o melhor. O sueco apresentou o seu cartão de visita quebrando todas as marcas nos testes físicos e marcando aquele golo acrobático na pré-temporada. A pudemos ver como a sua presença em campo entusiasma Wayne Rooney. Podemos imaginar que isso se prolongue no balneário e nos treinos.

À espera de Pogba?

Já é tempo dos Red Devils voltarem a ser temidos pelos adversários.

Já é tempo dos Red Devils voltarem a inspirar receio aos adversários.

Quando se apresentou, Mourinho disse claramente que o Manchester United precisava de quatro reforços. Estavam referenciados, era uma questão de tempo até tudo ficar definido. Os três primeiros chegaram com naturalidade. Eric Bailly, do Villarreal, para reforçar o eixo da defesa, era uma necessidade. A única surpresa talvez tenha sido a verba paga pelo clube inglês, trinta e oito milhões de euros pelo central de vinte e dois anos. Zlatan veio a custo zero, tendo chegado ao fim o contrato com o PSG. A terceira contratação foi a de Henrikh Mkhitaryan ao Dortmund por quarenta e dois milhões. O médio ofensivo arménio era há muito um desejo de Mourinho. Continua a faltar um, que os jornais dizem ser Paul Pogba, mas ninguém se descose no United. Acredito que, se pudesse, o treinador português teria procurado outras opções, nomeadamente para o setor defensivo. Mas para isso tem que ver livre de jogadores. Alguns já sabem que não entram nos planos que tem para o clube. Januzaj está aberto a uma saída mas quer uma solução definitiva e não mais um período de empréstimo. Moyes, agora no banco do Sunderland, não se importava nada de ficar com ele, assim como com Fellaini, resta saber se tem o papel necessário. Rojo recusou a proposta de Eriksen para se lhe juntar na China e diz querer lutar pela sua vaga em Old Trafford. Mas com Smalling, Blind e Bailly no plantel tanto ele como Phil Jones ficam sem espaço. Schweinsteiger está a treinar com as reservas.

Não tenho a menor dúvida: sobre o comando de Mourinho os Red devils vão voltar a ser dignos da alcunha. O United voltará a ser temido e vai ter sucesso. Mas o português tem que gerir com cuidado as expetativas e o talento que tem para criar anticorpos. No futuro próximo nenhum clube terá na Premier League o domínio de que o Manchester gozou durante o reinado de Ferguson. A liga mudou, tornou-se muito mais competitiva.

Boas Apostas!