E depois de, na semana passada, um dos portugueses com maiores probabilidades de ganhar a Liga dos Campeões, José Mourinho, ter ficado pelo caminho, demitido por um PSG tão determinado e raçudo, ontem recomeçaram a seguir em frente outros portugueses, por ventura menos qualificados.

Para fazer companhia, nos quartos-de-final que se seguem, ao FC Porto e ao Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Pepe e Fábio Coentrão, ontem foram apurados o AS Monaco de Leonardo Jardim, João Moutinho, Ricardo Carvalho e Bernardo Silva e o Atletico Madrid de Tiago. Uma verdadeira armada lusa que se estende pela Liga dos Campeões à espera de um lugar ao sol. Ou de um milagre.

E milagres, como bem se sabe, é coisa que até tem acontecido nestes oitavos-de-final de Liga dos Campeões. Tudo começou com o milagre do apuramento do Real Madrid, mesmo tendo perdido em casa com o Schalke 04 por 3 a 4, e tendo quase assistido a outro milagre, que seria o apuramento dos alemães em casa de espanhóis, tendo continuado depois com o apuramento do PSG, tendo empatado a 2 golos em casa do Chelsea, depois de ter estado a perder e, portanto, eliminado, verdadeiro milagre sobre um dos principais candidatos a ganhar a Liga dos Campeões, mesmo jogando com menos um jogador durante uma hora (sendo esse jogador Zlatan Ibrahimovic), e tendo o golo do empate, e consequente apuramento, sido marcado por David Luiz, um defesa brasileiro de quem José Mourinho, treinador do Chelsea, prescindiu no Verão passado, até à noite de ontem onde, o AS Monaco, em casa, não conseguiu mais que uma derrota por 0 a 2 frente ao Arsenal, mas que, milagre, foi suficiente para ultrapassar os londrinos de Arsène Wenger que esteve, também ele, à beira de um milagre que seria ser apurado para a eliminatória seguinte depois de ter sido pulverizado em casa, na primeira-mão da eliminatória, pelo AS Monaco, de Leonardo Jardim, por 3 a 1.

Com uma Mão Cheia de Tudo

Leonardo Jardim é, nos tempos que correm, o grande fazedor de milagres. Fez um grande milagre no Sporting CP ao conseguir o segundo lugar na Primeira Liga, na temporada 2013/14, com uma equipa muito jovem e sem grandes opções, ficando 7 pontos atrás do SL Benfica campeão, mas ficando 6 pontos à frente do FC Porto que, esta época, já está nos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

AS Monaco 0 - 2 Arsenal 2015

O Arsenal dominou a partida, mas faltou-lhe o golpe final, o terceiro golo que garantiria a eliminatória

Depois, aliciado por um projecto de grande envergadura, que prometia e possibilitava grandes voos, com uma equipa onde estavam Radamel Falcao e James Rodríguez, cedo se viu despojado dos craques, obrigado a trabalhar com a prata da casa, segundas opções, empréstimos, veteranos e muita juventude. A exemplo disso, o trio português composto por João Moutinho, Ricardo Carvalho e Bernardo Silva que têm sido uns executantes exímios de uma forma campeã de jogar futebol.

Pode dizer-se, com toda a certeza, que Leonardo Jardim é um grande treinador que faz magia com o que tem. É que há grandes treinadores que fazem grandes feitos com as grandes equipas que conseguem/podem construir, como José Mourinho, depois ainda há treinadores que todos os anos podem construir grande equipas e não conseguem retirar nada delas, como Arsène Wenger, e depois, ainda há aqueles treinadores que com equipas medianas conseguem levá-las à superação e a fazerem o que seria impensável, como Leonardo Jardim.

E o impensável é que o AS Monaco de Leonardo Jardim estivesse, nesta altura da época, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, depois de ter sobrevivido a um grupo muito difícil, com o Bayer Leverkusen, o Zenit e o SL Benfica, e que acabaria por eliminar o Arsenal de Arsène Wenger que, como diz José Mourinho, todos os anos constroi uma equipa campeã que nada ganha.

Ontem, e depois da derrota em Londres por 3 a 1, Arsène Wenger tinha de jogar o tudo por tudo. Daí que, no ataque, um quarteto de luxo que qualquer treinador gostaria de comandar: Danny Welbeck, Mesut Özil, Alexis Sánchez e Olivier Giroud. E, à passagem da meia-hora, o investimento a dar resultado, com o golo de Giroud a colocar o Arsenal na frente do marcador.

Arsenal

O Arsenal fechou todos os caminhos para a sua baliza e dominou o meio-campo

Por seu lado, e sem Ricardo Carvalho, Leonardo Jardim jogou com Aymen Abdennour e Wallace dos Santos a centrais, mas com uma equipa e trabalhar em conjunto, com muita entreajuda, que começava pelos homens do ataque e que tentava bloquear através de um meio-campo forte e muito povoado. Mas depois do primeiro golo, os ingleses cresceram na proporção em que os monegascos acusaram o golo e se retrairam.

Durante quase toda a segunda-parte do encontro, o Arsenal caiu em cima do AS Monaco que lá foi resistindo como podia, tendo o seu guarda-redes, Danijel Subašić, defendido tudo o que tentava aproximar-se das suas redes, até ao minuto 79 quando Aaron Ramsey, que tinha entrado no decorrer do segundo tempo, agradeceu um erro de Layvin Kurzawa, que lhe colocou a bola nos pés, e fez o segundo golo do encontro e aproximou o Arsenal dos quartos-de-final. Bastava só mais um golo. E havia 10 minutos, ainda, de jogo.

Esses últimos 10′ foram de verdadeiro massacre. Só deu Arsenal. A equipa de Arsène Wenger acercou-se da baliza de Danijel Subašić, mas este estava em noite sim e defendeu tudo o que havia para defender e Leonardo Jardim viveu um verdadeiro milagre com o apuramento para a eliminatória seguinte, para os quarto-de-final.

Quanto a Arsène Wenger, ontem fez um grande jogo. Mas foi em Londres que perdeu a eliminatória.

Finalmente, Jan Oblak

No outro jogo de ontem, o Atletico Madrid, de Tiago, que não jogou, conseguiu levar de vencida, não sem alguma dificuldade, os alemães do Bayer Leverkusen.

Depois de, na primeira-mão, os alemães terem ganho, em casa, por 1 a 0, ontem foi a vez dos espanhóis fazerem o mesmo e ganharem, em casa, por 1 a 0. Resultado empatado ao longos dos 90′ e depois no prolongamento, foi na marcação das grandes penalidades que o Atletico acabou por se superiorizar ao Bayer, tendo, em Oblak, um dos principais obreiros dessa qualificação.

Diego Simeone, como é hábito, escalonou Moya para o onze que iria defrontar o Bayer Leverkusen no Vicente Calderón mas, após 20′ de jogo, o guarda-redes sofreu uma lesão muscular e foi obrigado a abandonar o jogo. Para o seu lugar entrou, finalmente, Jan Oblak, o esloveno que encantou a Luz, mas que tarda em afirmar-se em Madrid.

Atletico Madrid

Finalmente uma oportunidade para Jan Oblak e este a garantir a eliminatória ao Atletico Madrid

No entanto, Oblak acabaria por ser um dos homens do jogo ao defender, na marcação das grandes penalidades, os penaltys que impediram o Bayer Leverkusen de seguir em frente na Liga dos Campeões.

O Atletico entrou em jogo com uma derrota por 1 a 0 que precisava de anular. E foi bem cedo, ainda antes da meia-hora de jogo, mas já com Oblak em campo, que Mario Suárez fez o golo que colocou o Atlético à frente no jogo, e empatado na eliminatória. Se por um lado, um golo furtuito dos alemães poderia levar tudo a perder, por outro o Atletico queria procurar a vantagem. Até ao final do encontro não conseguiu encontrar essa vantagem. Não que não tentasse. O Atetico Madrid acumulou mais remates, mais foras-de-jogo e mais pontapés-de-canto. Por seu lado, o Bayer cometeu muito mais faltas e rematou mais vezes à baliza, mas sem concretizar o golo nesses remates.

Durante o prolongamento houve algum receio, de parte-a-parte, de deitar tudo a perder por causa de algum lance fortuito de bola perdida.

Ambas as equipas estiveram mais preocupadas em destruir o jogo adversário que em construir jogadas. O medo falava mais forte e ambas interiorizaram a ideia de irem para a roleta das grandes penalidades para resolverem o assunto.

Com grandes penalidade falhadas de parte-a-parte, coube ao Atletico Madrid o grão de sorte, e a defesa de Jan Oblak.

A Oblak, que não estava a ter uma vida fácil em Madrid, que já deveria ter amaldiçoado o dia em que forçou a saída da Luz, saiu-lhe a sorte grande, e teve a felicidade de a agarrar e de se tornar no herói da noite ao garantir, ele próprio, a continuidade do Atletico Madrid na Liga dos Campeões e, por extensão, de mais um português em prova: Tiago.

Boas Apostas!