É preciso paciência, ter calma, dar tempo ao tempo, para se assimilar ideias, para criar rotinas, para descobrir empatias, para começar a obter resultados.

No futebol, tempo é um bem muito escasso, não raras vezes mesmo, inexistente. Ou as experiências e tentativas dão resultado imediato, ou está uma enorme fila de candidatos a fazer mais e melhor. Não há profissão onde os profissionais mais facilmente sejam despedidos. Mas também não há profissão onde os profissionais melhor sejam ressarcidos pelo trabalho não executado. Cá como lá. Com maior ou menor diferença, esta é uma verdade comum a quase todos os campeonatos, ou ligas, do Mundo.

Casos como o de Alex Ferguson no Manchester United, não são comuns. Antes pelo contrário. Daí, também, talvez, a dificuldade de encontrar o seu sucessor. Agora, o problema surge nas mãos de Louis Van Gaal, também ele um caso pouco comum no mundo do futebol. Mas as dificuldades avolumam-se.

Com uma pré-época de luxo, depois de vitórias expressivas por 3 a 1 com Real Madrid e Liverpool, e por 2 a 1 com o Valencia, em jogos amigáveis, o Manchester United começou a redescobrir o outro lado do futebol, aquele que tem conhecido desde que sir Alex Ferguson se decidiu pela reforma. Com 2 jogos já realizados na Premier League, o Manchester United de Louis Van Gaal já acumula 1 derrota e 1 empate, só contando com 1 ponto conquistado, estando em 13º lugar na tabela classificativa.

Para agudizar um pouco mais a situação, o Manchester United acabou por ser eliminado, ontem, da Taça da Liga Inglesa, ao perder por 4 a 0, com o modesto Milton Keynes Dons, do terceiro escalão do futebol inglês.

No mesmo dia em que anunciou a contratação de Ángel di María ao Real Madrid por 75 milhões de euros.

O que se passa, Manchester?

Louis Van Gaal, ainda agora chegado a Manchester, já está no meio da contestação

Louis Van Gaal, ainda agora chegado a Manchester, já está no meio da contestação

O jogador argentino não é milagreiro, e não lhe cabe a responsabilidade de resgatar o clube. É verdade que contra o que manda a “lei da bola”, os técnicos precisam de tempo para construir uma equipa, como os jogadores precisam de tempo para se adaptarem. Mas os adeptos, esses, não têm tempo. Não querem dar esse tempo. E o que por vezes se passa, é uma espiral depressiva sem fim de onde muito dificilmente as equipas conseguem sair. Veja-se os casos, bem próximos de SL Benfica e Sporting CP, e a quantidade de treinadores e jogadores triturados pela falta de tempo. O SL Benfica parece querer inverter essa tendência. E o Sporting CP também. M as veja-se lá ao tempo em que andam nisso.

No Manchester United, sir Alex Ferguson teve todo o tempo do Mundo para conseguir erguer uma equipa de dimensão Mundial como a que tem, hoje, o Manchester United. O mesmo se passa com Arsène Wenger e o Arsenal. Ano após ano sem conquistar quase nada, mas a tentar construir uma equipa. A verdade é que em pouco mais de um sopro, tudo pode desmoronar. Veja-se o que aconteceu com David Moyes e o Manchester United. E os riscos que já corre Louis Van Gaal.

Alex Ferguson esteve 27 anos à frente dos destinos da equipa de futebol do Manchester United. Tudo começou em 1986. Desde os anos ’60 que a equipa não ganhava um título de campeão inglês, e teve de esperar até aos anos ’90, mais precisamente à época de 1992/1993, para que os Red Devils voltassem a ganhar um campeonato. Ao todo, já ganharam 20 títulos da Premier League, 13 deles sob a batuta de sir Alex Ferguson. Ganharam ainda 11 Taças de Inglaterra, 5 com Ferguson. 4 Taças da Liga, todas com Alex Ferguson. E ainda 20 taças Community Shild (a Supertaça de Inglaterra), 11 com Alex Ferguson aos comandos. Também na Europa e no Mundo se pode perceber a importância de sir Alex Ferguson e o tempo que precisou para colocar o Manchester United onde ele está: ganhou por 3 vezes a Liga dos Campeões, 2 delas com Alex Ferguson, e ainda, com Alex Ferguson, ganhou 1 Taça UEFA e uma Supertaça Europeia. Ferguson ainda ganhou 1 Taça Intercontinental e 1 Taça do Mundial de Clubes da FIFA.

Em 2013 sir Alex Ferguson deixou o comando técnico do Manchester. Sucedeu-o David Moyes que não chegou a completar uma época, tendo sido substituído, provisoriamente por Ryan Giggs. Nesta época o comando foi entregue ao sempre polémico treinador holandês, Louis Van Gaal.

Até ver, os resultados não são muito animadores. E o dia de ontem foi mesmo desgraçado, ao ser eliminado da Taça da Liga por uma equipa do terceiro escalão. Mas como Louis Van Gaal disse no final do encontro: “Espero que os adeptos mantenham a confiança no clube e na nossa filosofia, porque essa filosofia leve tempo.”

Boas Apostas!