Quem diria? Quem diria que, no alvor da segunda volta da Primeira Liga, FC Porto e Sporting CP estariam a discutir, entre si, o segundo lugar de um campeonato liderado por um improvável SL Benfica?

Quem diria que aquela que era considerada, por todos os analistas e demais comentadores de futebol, mesmo os afectos à equipa portista, como a melhor equipa deste campeonato e uma das melhores equipas do FC Porto dos últimos anos, estaria em risco de ver o SL Benfica distanciar-se com 9 pontos, e sentiria o Sporting CP aproximar-se tanto que lhe sentiria a respiração a bafejar o pescoço?

Quem diria que um Sporting CP em construção, jovem e algo inexperiente, acabadinho de sair de uma guerra interna entre presidente e treinador, que poderia ter posto em causa toda a campanha do clube, estaria a morder os calcanhares à melhor equipa da Primeira Liga?

Quem diria que o grande interesse, a esta distância do final do campeonato nacional, seria a disputa entre o segundo e o terceiro classificado e o acesso directo à Liga dos Campeões?

Quem diria que a grande esperança dos dragões seria Paulo Fonseca, o mal amado ex-treinador portista que não conseguiu revalidar o título na época passada e que, de regresso ao seu Paços de Ferreira, defronta hoje o SL Benfica e é a única pedra numa estrada que pode levar as águias para um destino a 9 pontos de distância dos seus perseguidores?

Um FC Porto Indefinido

Não é claro, hoje, que FC Porto é este que compete na Primeira Liga.

Desde o início que o seu treinador, Julen Lopetegui, se empenhou em criar uma estrutura que sobrevivesse à troca de jogadores. Não o conseguiu.

A ideia era que, numa equipa tão completa como a do FC Porto, com, pelo menos, 2 bons (quando não mesmo excelentes) jogadores por posição, se criasse uma equipa rodada e rotinada que funcionasse independente dos seus interpretes, motivando, assim, a luta interna entre os seus jogadores, promovendo à equipa os que apresentassem os melhores índices competitivos.

Marítimo 1 - 0 FC Porto

No mesmo campo onde o SL Benfica ganhou, na semana passada, por 4 a 0, o FC Porto foi derrotado por 1 a 0 e perdeu a oportunidade de pressionar os encarnados

O problema é que as rotinas nunca foram criadas, porque nunca houve tempo para criar essas rotinas, promovendo-se, desde o início, uma rotatividade aleatória, independentemente da forma e do resultado do trabalho dos intervenientes, para além de alguns, óbvios, erros de cálculo, de jogadores que nunca corresponderam às expectativas.

Obrigado a mudar o rumo das suas ideias, muito por pressão dos adeptos, comentadores e, provavelmente da direcção, o FC Porto encarreirou e começou a produzir um futebol mais consistente e objectivo, lançando-se na perseguição do SL Benfica, equipa que, estanto ainda em indefinição, lá ia ganhando jogos, marcando pontos e cimentando a dianteira.

Contrariamente às expectativas, o mesmo SL Benfica foi ganhar ao Dragão, a uma equipa pouco lúcida e muito perdida, muito longe daquilo que tem sido o FC Porto dos últimos 25 anos. E abriu-se o fosso que, garantia o treinador portista, não tardaria a ser encurtado.

Ora, depois do aziago ano de Paulo Fonseca que não chegou ao fim da época, Julen Lopetegui arrisca-se a ser o próximo treinador a representar uma má aposta do presidente portista e a não chegar ao fim da temporada.

Depois de não poder perder mais pontos na sua caminhada atrás do SL Benfica, e do seu desejo de recuperar o título perdido na época passada, o FC Porto vai perder contra a mesma equipa que o seu adversário derrotou na semana passada por uns expressivos 4 a 0.

Esta equipa do FC Porto esteve toda muito cinzenta. Se ao Marítimo se pode reduzir todo o seu jogo a 2 remates à baliza, contra mais de uma dúzia dos portista, se se pode falar numa certa felicidade da equipa madeirense, também se deve falar da incapacidade da equipa portista e, principalmente, do seu ataque. Fabiano, que esteve durante quase hora e meia a ver o jogo a ser jogador longe da sua área, não conseguiu parar o único remate que o adversário fez na primeira parte. A defesa, que pouco teve de fazer, não conseguiu ir ajudar um grupo de avançados que se viu incapaz de furar a defesa adversária.

Há jogadores muito fora de forma. Quintero, Herrera e Alex Sandro passaram ao lado do jogo. Jackson Martinez não marca e não se descobre quem o faça. E Ricardo Quaresma não chega como o único inconformado.

E de repente, o FC Porto que corria para diante, olhando para as costas do SL Benfica, pressionando-o, tentando-o fazer perder as estribeiras e pontos, acabou por ter de olhar para trás, que tem o Sporting CP demasiado colado para passar despercebido, um Sporting que, até há pouco tempo, não era equipa contabilizada para preocupar os candidatos ao título. E agora, ou o Sporting CP passou a contar para o título, ou o FC Porto deixou de o ser.

Um Sporting CP Melhor que a Encomenda

No equilibrio cósmico, costuma dizer-se que para a ausência de uma coisa, o nascimento de outra. Se o FC Porto está a supreender pela negativa, já o Sporting CP está a surpreender pela positiva. mesmo com jogos, como os de ontem, ganhos por 1 a 0, já na recta final do jogo. Mesmo que com exibições muito modestas, para não dizer menos, e perante a ausência dos adversários (não se viu a Académica em Alvalade), os leões lá vão amealhando os pontos necessários para fazerem pela vida.

Sporting CP 1 - 0 Académica

Com um jogo muito sofrível, o Sporting CP lá conseguiu vencer a Académica por 1 a 0, e aproximar-se do FC Porto

Se, não há muito tempo, o Sporting CP tinha de se debater com com a dupla do Minho (o Vitória de Guimarães e o SC Braga), agora já está com olhar de cobiça, pensando que, em ultrapassando o FC Porto, o céu e o SL Benfica são o limite e com acesso directo à Liga dos Campeões. Nem no melhor dos sonhos de Marco Silva, para um primeiro ano de trabalho numa equipa de topo mas sem orçamento para tal, isso terá sido equacionado. Nada que o presidente Bruno de Carvalho não achasse possível. No fundo, a razão de algum do desentendimento que clube viveu nos últimos tempos e que, com muita sorte, acabaram por não fazer mossa na equipa de futebol.

Numa equipa que está a ser construída, com juventude e alguma boa vontade, onde a vontade é, por vezes, maior que a capacidade, deve-se a vários factores o lugar que a equipa está a ocupar na Primeira Liga. Desde logo a chegada, por empréstimo, de Nani, um jogador superlativo que veio engrandecer o plantel e elevá-lo a outra dimensão. Depois, o apuro de forma de alguns jogadores que fizeram a primeira volta da Liga, como José Mário, Carrillo e Slimani. E quando uns começam a desaparecer, da forma (Carrillo) ou do Campeonato (Slimani), outros valores vieram ocupar os seus lugares: finalmente William Carvalho e, surpreendentemente, Tanaka, o marcador de serviço dos últimos jogos.

No início da temporada ninguém esperaria que o Sporting CP estivesse a pressionar o FC Porto. Como também ninguém esperaria que o SL Benfica estivesse à distância que está e a que pode ficar ainda hoje (Segunda-feira). Mas isto é o resultado do trabalho de uma equipa humilde, que conhece as suas limitações, comandada por um treinador que tem os pés no chão e que, mesmo com toda a pressão provocada pelo presidente, continua o seu caminho.

Entretanto… Enquanto a equipa do Sporting CP se aproxima perigosamente do segundo lugar, o presidente Bruno de Carvalho entretem-se a processar adeptos sportinguistas que escreveram análise críticas da equipa leonina nas redes sociais. Enfim… Enquanto uns esgrimam contra moinhos de vento, outros vão fazendo o seu trabalho. O duelo agora é entre portistas e sportinguistas.

Boas Apostas!