O jogo que todos esperavam cumpriu, e de que forma, com as expetativas geradas à sua volta. Intensidade de jogo muito alta, desde o primeiro momento, com a surpresa de ver um FC Porto dominar o Benfica durante minutos, a equipa encarnada a estancar a sangria, mas sem capacidade para colocar a vantagem dos Dragões em causa, e um golo como encerramento tragicómico de uma noite que poderia ter sido perfeita para os portistas. Não foi e, na frente da Liga NOS, tudo continua como dantes.

O duelo começou no planeamento

Entre Nuno Espírito Santo, com todas as suas cartas disponíveis para lançar durante o jogo, e Rui Vitória, com fortes limitações em termos de disponibilidades em posições chave, havia logo um mundo de diferenças na entrada para este jogo. Mas a verdade é que o técnico do FC Porto procurou adaptar a sua aposta ao que esperava encontrar pela frente, apresentando a melhor versão de uma equipa que, este ano, tem andado ao sabor das correntes, mais do que apresentar uma ideia trabalhada para o jogo.

Com Herrera no banco, Óliver e Otávio soltaram-se como dínamos criativos da equipa, deixando a Danilo a exclusividade das responsabilidades defensivas do encontro e abrindo Jesus Corona e Diogo Jota nas faixas, criando problemas enormes ao momento defensivo dos encarnados. Para estes, a ausência de Fejsa pesou de muitas maneiras, já que abriu espaços a nível defensivo que Samaris está longe de conseguir cobrir e, na saída de bola, faltou a sua cada vez mais presente capacidade de lançar o ataque em profundidade.

60 minutos de um rumo só

O domínio do FC Porto durou 60 minutos, mas pesará sempre, na análise deste jogo, que tanta capacidade para desarmar o seu adversário não tenha sido aproveitada para marcar mais do que um golo. Aliás, na análise das oportunidades, uma bola ao poste da baliza de Casillas, perto do intervalo, até poderia entrar como a melhor a não dar golo.

diogo-jota

O golo de Diogo Jota

A jogada do golo é uma demonstração clara de duas coisas. A primeira delas, que são os melhores jogadores quem decide e inventa o jogo dentro do próprio jogo. A segunda delas, que defensivamente o Benfica esteve ontem muitos furos abaixo das suas necessidades. O trabalho de troca de bola entre Otávio e Óliver, em busca da melhor forma de a colocar na penetração de Jesus Corona, a forma como este vai encontrar Diogo Jota e, posteriormente, o extremo ultrapassa sem dificuldades o seu marcador direto são um resumo do que aconteceu.

60 minutos e um golo foi também o tempo que Rui Vitória demorou a entender que não poderia continuar a segurar o jogo com as pontas dos dedos, lançando André Horta para o lugar de Cervi e reconquistando algum equilíbrio na batalha da zona intermediária. Com o jogo a fugir-lhe por momentos, Nuno Espírito Santo chamou Ruben Neves para colocar um tampão tático no jogo e, ao minuto 70, tudo parecia continuar favorável aos azuis e brancos.

Pé atrás, pé atrás

Os vinte minutos finais da partida acabaram por demonstrar o pior lado de ambos os treinadores. Rui Vitória falhou na forma de abordar o ataque final aos pontos, lançando Raul Jimenez no jogo sem capacidade para alterar a estrutura da equipa, obrigando o mexicano a fechar no flanco e a retirá-lo da zona do terreno onde poderia ter mais influência. Nuno Espírito Santo, como que não compreendendo que tinha o jogo controlado, foi retirando criatividade e lançando betão para um meio-campo que recebeu a mensagem como se fosse necessário abdicar do ataque.

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O Benfica acabou por ganhar com o empate no Dragão

Foram vinte minutos sem grande história, até que os descontos voltaram a fazer tremer o Estádio do Dragão, mas, desta vez, quebrando o entusiasmo da maioria dos adeptos, vestidos de azul e branco. Herrera, que tinha entrado aos 87 minutos, procurou ganhar uma bola mas acabou por ceder pontapé de canto. Este, marcado à maneira curta, deixa à bola em André Horta que, perante um Herrera sem capacidade de reação, teve tempo para ajeitar a bola e procurar Lisandro López no meio de uma marcação que, naqueles poucos segundos, deixara de ser zonal para ser individual. A forma como a bola entrou na baliza, não sem alguma lentidão, foi como se a repetição tivesse ganho sobre a transmissão em direto.

O Benfica sai primeiro, com os mesmos cinco pontos de vantagem, de um clássico onde nada terá feito para pontuar. O FC Porto acabou castigado pela timidez no dia em que mostrou maior capacidade para liderar e dominar. Os deuses do futebol sorriem perante mais uma história com muito o que lembrar.

Boas Apostas!