A contratação de Di Maria foi a mais cara de sempre do clube de Old Trafford e o valor mais alto alguma vez pago por um emblema inglês. Mas qualquer pessoa que siga a carreira do “fideo”, desde a sua passagem pela Luz, sabe que ele vale cada centavo nele investido. Os adeptos do United, pouco habituados a estas compras milionárias, dividiram-se entre a euforia e o ceticismo. Bastou, contudo, ver Di Maria em campo, na sua primeira exibição como titular, para se renderem à magia do argentino.

Real fica a perder

O que o Real Madrid desdenha pode muito bem ser a nova alma dos Red Devils. Quando os Merengues adquiriram o passe de James Rodriguez, este verão, Di Maria percebeu que o seu tempo no Bernabéu tinha terminado. Supostamente, Carlo Ancelotti e Cristiano Ronaldo resistiram bastante à ideia de Florentino Perez de vender o jogador mas a decisão do presidente estava tomada. “El Fideo” foi oferecido ao PSG e ao United mas foram os Red Devils que acabaram por se chegar à frente e pagaram o preço exigido pelo Madrid. Exatamente o mesmo valor que o Real pagou ao Mónaco para trazer James.

Abrir os cordões à bolsa

Poucos dias antes do fecho de mercado Angel di Maria era apresentado em Old Trafford, com Louis van Gaal ao lado, a louvar a suas muitas qualidades. Durante o longo reinado de Sir Alex à frente do United a política de contratações do clube passava por identificar jovens jogadores de talento e trazê-los para Manchester cedo para acabar de os formar. Alguns, como Cristiano Ronaldo, vingaram para se tornar nos melhores do mundo. Outros, com Anderson, não foram além da promessa. De qualquer forma, os adeptos dos Red Devils não estavam habituados a grandes gastos com jogadores já com nome na praça. Por isso houve alguma discussão quando a contratação recorde de Di Maria foi anunciada, um pouco como já tinha acontecido no ano passado com Fellaini e Juan Mata. Só não foi pior porque o clube caiu a pique desde a saída do velho treinador e o desespero desculpa muita coisa.

United já tem motor de arranque

Setenta e cinco milhões de euros é um balúrdio para um clube inglês, simplesmente a tradição não é essa. Mas, como os fans já começaram a perceber no último fim-de-semana, Angel Di Maria pode acabar por sair barato ao United. Foi apenas o seu primeiro jogo como titular com a nova camisola, e o adversário era o recém-promovido Queens Park Rangers, mas Angelito deixou a sua marca. Cada vez que ele toca na bola o jogo ganha vida e contagia os colegas em seu redor. Di Maria é um jogador que não exige protagonismo nem precisa de ser mimado. A sua energia não é apenas contagiante, tem uma finalidade. Não tem problemas em assumir o jogo, mesmo que no Real isso não lhe fosse pedido, e empurrar a equipa para a frente. É um elemento do coletivo que também decide sozinho. Tem essa faísca que o United, nesta fase de reconstrução e muita insegurança, tanto precisa. E de que tanto Wayne Rooney como Juan Mata, apesar de toda a qualidade individual, não são capazes.

Será até barato

Se tantas vezes o barato sai caro aqui, penso eu, vai passar-se exatamente o oposto. Di Maria vai ser o motor de arranque deste novo United e quando estiver a carburar em pleno pode fazer sobressair o melhor em Rooney, Van Persie, Mata e companhia. Sem entrar em euforias, claro. O trabalho ainda está só a começar. Esta foi apenas a primeira vitória da temporada para o United e o adversário era o QPR que acabou de regressar à primeira divisão inglesa. Mas o caminho é por ali, seguindo os passos de Di Maria.

Boas Apostas!