Antes da primeira mão, em Madrid, Jurgen Klopp admitia que os Merengues estavam ainda mais fortes que na época passada e que, dadas as baixas do plantel, o objetivo passava por manter a eliminatória em aberto. As coisas não correram pelo melhor e as chances do Dortmund, se não estão mortas, estão moribundas. Só há dois desenlaces possíveis, para a segunda mão no Signal Iduna Park. Ou o Real aplica um golpe de misericórdia, acabando de vez com o sofrimento germânico, ou o Borussia opera um milagre.

O Real de Madrid tem estado absolutamente dominador nesta temporada da Liga dos Campeões, tanto fora como em casa. As goleadas sucederam-se, começando pelos 6 a 1 aplicados ao Galatasaray, na Turquia, e terminando com igual resultado em Gelsenkirchen, frente ao Schalke 04. Há quem argumente que os Merengues ainda não encontraram adversário à altura. Talvez, mas o facto de estarmos nos quartos-de-final e tal não ter acontecido só reforça a condição de favoritos. Na quarta-feira, receberam os finalistas vencidos da época passada e resolveram a partida com confiança e naturalidade, há meia hora de jogo já Bale e Isco tinham feito mexer o marcador. O Real até se deu ao luxo de poupar Cristiano, depois do capitão português ter marcado o golo que igualava o recorde de Messi.

A falta que eles fazem

Os dois emblemas encontraram-se no ano passado, nas meias-finais da competição, na altura foi o Dortmund a avançar para a final. Mas a equipa orientada por Klopp está longe do nível a que nos habituou na temporada passada. Para dar uma ideia, dos onze jogadores que alinharam em Abril de 2013 só quatro estiveram em campo no Bernabéu, um ano depois. O grupo tem sido assolado por uma praga de lesões – Gundogan, Bender, Bandowski, Blaszczykowski e Subotic continuam de fora. Mario Gotze mudou-se para o gigante de Bayern e Robert Lewandowski, que fez um póquer na última visita do Real a Dortmund, cumpria castigo. Agora que está de volta, mesmo que o polaco conseguisse repetir a proeza, um resultado de 4-1 não seria suficiente para manter os alemães na competição. Isto não significa que os homens de Jurgen Klopp já atiraram a toalha ao chão. Nas palavras de Marco Reus, “ainda não desistimos. Se fizermos o mesmo que na primeira parte, em Madrid, vai ser difícil. Mas se jogarmos como fizemos no segundo tempo, temos uma oportunidade. Vamos dar tudo por tudo, em futebol tudo é possível.”

De “El Niño” a bode expiatório

Fernando Torres Chelsea

There’s no future, Torres?

Ao contrário do Dortmund, o Chelsea não tem uma boa desculpa para a derrota pesada sofrida em Paris. José Mourinho usou a carta “Com estes avançados não vou a lado nenhum”, o que sendo verdade já é uma desculpa esfarrapada de tão gasta. Ele sabe, desde o início da época, com aquilo que conta. E que as opções de ataque do Chelsea não têm nível para se bater com as equipas de topo mundial. Mas se têm servido para manter o segundo lugar da Liga Inglesa e chegar aos quartos da Champions não podem depois ser o bode expiatório. Mourinho, tão famoso por proteger os seus jogadores e dar o peito às balas, desta vez tentou desviar a atenção do óbvio. O seu plano tático falhou, o Chelsea 2013/14, ainda em formação, dificilmente teria condições de bater um Paris Saint Germain maduro, experiente, e no auge da sua força.

Alguma carta na manga, José?

Dito isto, Samuel Eto’o voltou hoje aos treinos, ainda que à parte e com atenção específica de Rui Faria. Quando o camaronês foi integrado no plantel foram muitos os críticos. Que o seu tempo tinha passado, que já não tinha nível para a Premier League, e as primeiras exibições pareciam dar-lhes razão. Até ao hattrick ao Manchester United. Recuperada a confiança, Eto’o começou a afirmar a sua influência na equipa, não só com golos em partidas decisivas mas interagindo com as estrelas em ascensão do Chelsea – Hazard , Óscar e Willian, em particular. O “velhote” pode ser um dos trunfos do treinador português na receção ao PSG, mas não será o único. Conhecendo Mourinho, e apesar das afirmações de que já era quase impossível reverter a desvantagem, esperamos que tire um ou outro coelho da cartola. E ver quais serão, e com que resultados, é o que vai manter muita gente de olhos postos em Stamford Bridge na terça à noite.

Boas Apostas!