O Benfica cedeu a sua primeira derrota no campeonato da Primeira Liga e relançou a luta pelo título, com o FC Porto a estar agora a apenas um ponto de distância dos encarnados, o Vitória de Guimarães a dois e o Sporting a três. Mais do que questionar se o Benfica confia na sua capacidade para atingir o título, deve colocar-se a questão a Jorge Jesus sobre se ele confia nos seus jogadores.

Mudar para quê?

Jorge Jesus

Jorge Jesus perdeu pela primeira vez

Jorge Jesus perdeu com o Sporting de Braga mas, durante os noventa minutos, fez apenas uma substituição, o mesmo que já tinha feito quando perdeu os restantes pontos na Primeira Liga, quando empatou com o Sporting. Será que o técnico não confia nos jogadores que tem no banco? A verdade é que nos jogos decisivos, a estrutura do Benfica sofre poucas alterações. Maxi Pereira, Luisão e Eliseu são presenças recorrentes na linha defensiva, com Lisandro López a conquistar o espaço que foi de Jardel nos primeiros encontros da temporada. No meio-campo, Samaris está de pedra e cal, mesmo que na partida da Liga dos Campeões, André Almeida tenha sido chamado para ocupar o lugar do grego. Daí para a frente, não se mexe. Enzo Pérez e Talisca ocupam a zona central do meio-campo, Salvio e Gaitán estão nas faixas e Lima é o elemento mais adiantado do ataque.

Jonas foi o único jogador a merecer a confiança de Jesus na procura de reverter o resultado para o lado dos encarnados. No banco, estavam outras opções ofensivas como Franco Jara ou Pizzi que parecem ser meras peças decorativas no plantel do Benfica. Cristante e André Almeida também foram ignorados, num encontro que pedia a conquista da zona intermediária. Mais surpreendente terá sido a exclusão de Tiago Bebé do grupo escolhido, com o antigo jogador do Manchester United a não entrar nos dezoito, depois de, no Monaco, ter sido opção durante o encontro.

Terá razão Jorge Jesus em cingir-se a um menor número de jogadores? Muitos dirão que o técnico português apenas reage de acordo com o talento que tem disponível. Mas abdicar de utilizar jogadores acaba por criar, nesses mesmos elementos uma menor capacidade de fazer a diferença quando são chamados a jogo. Alguns destes elementos talvez já não acreditem que podem fazer parte das opções do técnico nos jogos a doer e isso acabará por fragilizar, ainda mais, as esperanças do Benfica atingir o título.

Julen Lopetegui descobriu o seu onze

Quintero Brahimi Porto

Dupla mágica no Porto

O espanhol Lopetegui, criticado por mexer em demasia no seu grupo, parece estar agora a encontrar a dinâmica certa para a equipa. Fazer conviver Quintero e Brahimi no mesmo onze parecia ser o grande desafio que o espanhol tinha na equipa e tem encontrado forma de ter os jogadores mais talentosos em campo. É por aí que o FC Porto começa a tornar-se efectivo na esperança de chegar ao título.

É verdade que o equilíbrio no topo da Primeira Liga volta a esconder como é frágil a concorrência presente no meio da tabela. Ainda que uma ou outra equipa consiga, a espaços, criar dificuldades aos grandes, o mais certo é que estes voltem a decidir o campeonato nos encontros entre eles. Daí que o próximo mês e meio de competição possa parecer uma espécie de caminhada sobre brasas. SL Benfica e FC Porto não podem perder mais pontos até se encontrarem, até para não serem ultrapassados pelo Sporting. Quando se defrontarem pela primeira vez na Liga deste ano, Águias e Dragões saberão que estão perante a sua melhor oportunidade de assinar vantagem na candidatura ao título.

Entre confianças e desconfianças, qual dos técnicos chegará ao clássico em vantagem?