A última década não terá sido, propriamente, um tempo de grandes sucessos para as seleções russas. Apesar de marcar presença em diversos Europeus e Mundiais, apenas em 2008 a Rússia voltou a provar um mínimo de glória, marcando presença numa meia-final, contrariando a ideia de que sempre que chegam a uma fase final os russos se ficam apenas pela fase de grupos. Agora, em França, voltam a estar expostos a essa avaliação, com a possibilidade de voltarem a ir a jogo com um técnico russo, depois de nove anos às mãos de técnicos estrangeiros.

Leonid Slutsky Russia

O estilo de Slutsky é inconfundível

O primeiro não-russo a ocupar o lugar no banco da seleção foi Guus Hiddink, semi-finalista em 2008, mas ausente do Mundial 2010, seguindo-se Dick Advocaat e Fabio Capello. Mas perante as dúvidas no grupo de qualificação para este Euro, a Rússia viu-se na necessidade de chamar Leonid Slutsky, treinador do CSKA, que levou a seleção até ao Euro 2016 com uma série de vitórias consecutivas. O seu trabalho, neste momento, será o de demonstrar a face mais atrativa do futebol do seu país, numa espécie de regresso às origens.

Toda uma história

Apesar de ter apenas 45 anos, Slutsky é treinador há mais de 20. Uma lesão numa perna originada por uma queda depois ter tentado salvar um gato do topo de uma árvore, acabou com a sua carreira de futebolista aos 19 anos. Subindo a pulso na sua carreira, Slutsky acabou por se estabelecer como treinador principal do CSKA Moscovo a partir de 2010, tendo já vencido três Ligas e três Taças da Rússia.

A sua entrada na equipa russa poderá alimentar a possibilidade de vermos uma Rússia mais organizada em termos ofensivos, com o profundo conhecimento dos jogadores do campeonato local a permitir-lhe também uma maior influência sobre os seus selecionados. O sorteio do grupo não vai trazer grandes problemas à equipa, ainda que começar frente à Inglaterra poderá colocar uma pressão extra sobre o conjunto para os últimos dois encontros.

Aleksandr Golovin

Golovin é o elemento mais jovem da convocatória

Ainda assim, Slutsky considera que a sua equipa tem algo a provar neste Euro. Para começar, a capacidade do país formar valores, apesar dos problemas de infraestruturas que sente atrasar o desenvolvimento de alguns dos seus talento. Mas perante o facto da sua equipa apresentar apenas um jogador a atuar no estrangeiro – o recém naturalizado Neustadter, do Schalke 04 – o técnico sublinha as presenças de jogadores como Golovin ou Shatov como elementos de maior potencial para se apresentarem como “surpresas” nesta prova.

Voltar a temer a Rússia

Para o técnico russo, a preparação da sua equipa alia o instinto com a análise mais científica do jogo. Utilizando os dados do InStat Scout, Slutsky comprova as suas impressões do jogo, sublinhando que as categorias de análise a que presta mais atenção são o número de passes ofensivos, os passes para dentro da área, a percentagem de duelos ganhos e a posse de bola.

O seu sucesso será agora avaliado consoante a “magia” de Leonid Slutsky fará, ou não, da Rússia o adversário temível que foi no passado. O regresso às origens na nacionalidade do treinador, na sua relação com os jogadores e na capacidade de atingir o sucesso a partir de um clube local parecem determinar favoravelmente o contexto em que os russos entrarão no Euro. Assim a bola queira ajudá-lo a confirmar as melhores expetativas.

Boas Apostas!