A poucos dias de ser dado o pontapé de saída na Copa das Nações Africanas, Wilfried Bony tornou-se no jogador africano mais caro da história.

A saída de Swansea com destino a Manchester custou aos cofres do City uma verba a rondar os 35 milhões de euros, quantia que ultrapassa os investimentos concretizados nas contratações de atletas como Adebayor, Essien, Drogba, Touré ou Eto’o. O nome de Bony figura, também, entre a lista de transferências internas mais caras da Premier League.

Bony cresceu numa academia de futebol situada no sudeste da Costa do Marfim, em regime de internato. Longe de sequer imaginar a disparidade que ali vigorava em relação às academias europeias, Bony perseguia incessantemente, junto a milhares de jovens, o sonho de se tornar profissional. Enquanto encontrava no futebol um refúgio, espelhando a realidade de tantos outras crianças africanas que encontram numa bola o seu bem mais precioso, perseguia algo que o permitia sonhar. Dali saíram outros astros do futebol costa-marfinense, como os irmãos Touré, Salomon Kalou ou Gervinho.

Quartos para os atletas, um pequeno edifício para que as crianças tenham acesso à educação, um campo em terra batida e uma cantina, constituem a estrutura da academia. Cyrille Domoraud, principal responsável pela academia e ex-futebolista, falou à BBC Sports, recentemente, a propósito da transferência de Bony: “Tive a oportunidade de ir para a Europa quando ainda era muito novo, e entendo que muitos jovens persigam esse sonho. Para tentar que isso se torne possível, decidi iniciar este projeto”.

Para o efeito, além da criação da academia, o responsável máximo encetou contactos no Velho Continente a fim de estabelecer protocolos com alguns emblemas belgas e ingleses. Falando sobre o caso de Bony em particular, Domoraud revela que foi numa missão de prospecção em Abidjan, capital do país, que viu Bony jogar pela primeira vez. A capacidade física aliada ao sentido de baliza e facilidade com a bola no pé, marcavam o perfil de um atleta cujo potencial pedia para ser exponenciado num contexto favorável.

A Caminho da Europa

Wilfried Bony no Swansea

Não vingou em Liverpool, mas depois de passagens bem sucedidas pelo Sparta Praga e Vitesse, Bony chegou à Premier League através do Swansea

A aventura de Wilfried Bony começou aos 19 anos, quando voou para Liverpool a título experimental. Em Anfield, não convenceu, e a solução para continuar na Europa foi encontrada em Praga, capital da República Checa. Integrando primeiramente a formação B do Sparta Praga, ascendeu depois ao plantel principal e sagrou-se campeão checo na temporada 2009/10. Os cinco golos apontados em seis jogos na Liga Europa 2010/11 – dois em cada jogo com o Lausanne e um ao Palermo – conferiram-lhe ainda maior projeção, e o Vitesse não hesitou em investir nos seus serviços quando a janela de transferências de Inverno abriu nesse mesmo ano. Assinou por três anos e meio, e marcou logo na estreia oficial frente ao De Graasfschap. Até final da época, realizou sete jogos na Eredivisie e marcou em três ocasiões. Bony estava, então, perfeitamente adaptado ao ofensivo futebol holandês e pronto para ampliar os números na nova época. 18 golos e oito assistências em 34 jogos pelo emblema do país das Tulipas foram o resultado da primeira época integralmente realizada no clube.

A grande explosão e definitiva afirmação do possante ponta-de-lança que já marcava habitual presença na principal seleção da Costa do Marfim chegou, definitivamente, na temporada 2012/13. Em 36 jogos disputados, rubricou, imagine-se, 37 golos e 10 assistências. Números incríveis que colocaram, naturalmente, vários em emblemas em polvorosa na expetativa de recrutar o melhor marcador do principal escalão holandês.

Os órgãos de CS portuguesa noticiaram uma potencial investia de dois grandes clubes nacionais, mas o chamamento do futebol inglês acabou por imperar, rumando a Swansea por uma verba recorde no que concerne às transferências do clube. Bony assinou um vínculo válido por quatro temporadas e, aos 25 anos, deu seguimento à melhor fase da carreira.

A Afirmação Inglesa

Wilfried Bony no Swansea

Não vingou em Liverpool, mas depois de passagens bem sucedidas pelo Sparta Praga e Vitesse, Bony chegou à Premier League através do Swansea

Com um total de 48 jogos realizados distribuídos por Premier League, Taça Inglesa, Taça da Liga Inglesa e Liga Europa, Bony fez os adeptos swans festejarem em 26 ocasiões. A adaptação ao futebol inglês foi, portanto, célere, e a lesão de Michu propiciou a sua afirmação enquanto principal referência ofensiva da equipa oriunda do País de Gales.

Agora, e pese embora o facto de estar a participar na CAN com a Costa do Marfim, convenceu o City a investir nos seus serviços.

Aos 26 anos, os media falam em Bony como sucessor do compatriota Drogba e, efetivamente, as caraterísticas físicas e o estilo de jogo justificam as comparações. O poderio físico, a velocidade, a capacidade de condução e a qualidade no remate de meia-distância são caraterísticas que definem o Wilfried Bony.

No Etihad, lutará por um lugar na frente do trio de ataque citizen com Aguero, Dzeko e até Jovetic.

Por agora, poderá ver Bony em ação na Copa das Nações Africanas que já começou na Guiné-Equatorial. Com transmissão em Portugal através da EuroSport, a Costa do Marfim encontra-se integrada no grupo D juntamente com Mali, Camarões e Guiné.

Ficha Técnica

Nome completo: Wilfired Guemiand Bony

Data e local de nascimento: 10 de Dezembro de 1988 em Bingerville, Costa do Marfim

Posição: Avançado

Clube: Manchester City

Boas Apostas!