José Mourinho é uma espécie de mestre do disfarce nos bancos do futebol mundial. O técnico português veste, muitas vezes, a pele do mal amado pela forma como gere e vive as conferências de imprensa e as suas aparições fora dos estádios, mas junto ao relvado, continua a mostrar ser o homem que desafia a lógica dos sistemas, alimentando os seus jogadores como centro do laboratório tático de que dispõe. Este fim-de-semana, com uma goleada de 6-3 no terreno do Everton, Mourinho voltou uma vez mais a demonstrar que vai tentar escrever história nos Blues de Londres.

Diego Costa Chelsea

Diego Costa marca em Inglaterra

Mais do que os seis golos marcados e os três golos sofridos, o Chelsea demonstra, numa fase de abertura da temporada, que o seu sistema tático está pensado para revolucionar o futebol na Premier League. Ao juntar Matic e Fàbregas na frente da sua linha defensiva, José Mourinho traz para o campeonato inglês a criação de jogo a partir de linhas muito recuadas, obrigando os seus adversários a estenderem os seus esquemas defensivos. Mas este trabalho do treinador não realça, apenas, aqueles que são os mais dotados em termos de inteligência de jogo. Com este esticar do plano para o comprimento do campo, o Chelsea oferece espaço para jogadores criativos como Willian ou Hazard, uma morada entre-linhas para Óscar e a possibilidade de Diego Costa ser goleador em Inglaterra.

Obviamente dizer que o Chelsea caminha para algum tipo de perfeição é errado. O risco de esticar assim a sua equipa tem custos defensivos (e os três golos sofridos são filhos dessa falha de segurança), físicos e, sobretudo, não resolvem naturais dificuldades criadas por equipas que, mesmo perante o planeamento dos Blues, resistam e se reservem a ficar em linhas recuadas. Mas é a capacidade que o técnico demonstra para, de um ano para o outro, olhar para os jogadores à sua disposição e oferecer-lhes o melhor desenho para que possam buscar as suas qualidades que torna Mourinho tão especial. Ao fim de três jornadas, três vitórias e o primeiro lugar.

Três projetos ao pé coxinho

Sanogo Arsenal

Sanogo é pouco para o que o Arsenal precisa

Três dos anunciados candidatos ao título inglês perderam pontos neste fim-de-semana. O Manchester City jogou em casa, perante o Stoke, e viu Mame Diouf correr de área a área, escapando-se sempre à deficiente arrumação defensiva dos Citizens, para marcar o golo da vitória. O senegalês ganhou o dia, provocando a preocupação em Manchester. Será que a equipa tem suficientes opções para dias maus? Dzeko, Jovetic e Kun Aguero foram chamados a responder, mas falharam o teste. Ainda assim, será com eles que Pelegrini atacará a presente temporada.

O Manchester United e o Arsenal empataram fora, frente a equipas acabadas de subir. Preocupações, muitas, de cariz diferente. Os Gunners vivem o desgaste de anos e anos de Wenger no comando da equipa, sem a capacidade e o carisma para liderar uma revolução na forma da sua equipa jogar. Sem Giroud, lesionado, o técnico francês chamou Sanogo ao onze e as dificuldades da linha atacante para resolver a partida foram evidentes. No United, a história está ao contrário. Chamado para revolucionar o clube, van Gaal não sabe se terá o tempo e, sobretudo, se terá a capacidade para definir um plantel à altura das suas ideias. O holandês trouxe um desenho e espera que os jogadores se adaptem aos seus desejos. A vida vai ser difícil para os Red Devils, um ano mais.