Foi noticiado hoje no Diário de Notícias, e depois também no jornal Sol online, que um líder da claque sportinguista Juve Leo, conhecido como Mustafá, foi detido pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária.

Esta detenção foi feita no decurso de uma investigação que conta já com algum tempo, e que no ano passado tinha levado à detenção de várias pessoas acusadas de assaltarem casas fardadas de polícias.

O mentor destes assaltos é, alegadamente, o ex-inspector da Polícia Judiciária, e antigo vice-presidente do Sporting CP, Paulo Pereira Cristóvão, que hoje mesmo, de manhã, foi detido.

É caso para dizer que nada parece correr bem ao clube presidido por Bruno de Carvalho.

Desde que, em véspera de derby da capital, e véspera do seu aniversário, Bruno de Carvalho decretou fim do blackout que o mesmo tinha lançado, tudo tem corrido mal ao clube. Desde o empate, com sabor a derrota com o golo de Jardel já nos descontos, nesse derby, até à derrota no clássico, e terminando agora com a detenção de um líder da Juve Leo e de um antigo vice-presidente do Sporting CP, que nada parece correr bem para o clube de Alvalade.

Mas tudo começou lá mais para trás. Casos é com o Sporting CP. E com jogadores.

Os Casos com Jogadores

Bruma

Bruma foi o primeiro e o mais mediático caso com jogadores. Forçou a saída e o Sporting CP viu-se obrigado a vendê-lo para o Galatasaray

Tudo começou com o jogador português nascido na Guiné-Bissau, Bruma. Jovem e talentoso jogador, quis forçar a saída do Sporting CP, ambicionando um futuro risonho e rico, numa altura em que ainda estava em formação. Houve confronto entre o jogador e o clube, e Bruma acabaria mesmo por sair, vendido pelo clube de Alvalade aos turcos do Galatasaray por 10 milhões de euros. Ainda se falou numa hipotética proposta de 17,5 milhões de euros avançada pelo Manchester United mas o Sporting CP tinha gostado da forma correcta como os turcos abordaram o problema e falaram com os responsáveis pelo clube leonino e, por isso, escolheram o Galatasaray. O que não deixa de ser estranho, até pelas boas relações que o clube tem com o Manchester United que até terminaram no empréstimo de Nani.

Depois foi o caso do búlgaro Valeri Bojinov, a quem os leões despediram argumentando justa causa por abandono do local de trabalho. Bojinov tinha contrato com o Sporting CP até 2016. O caso foi para tribunal, com as duas partes a pedirem indemnização. O jogador reclamava 6,5 milhões de euros e a SAD pedia 5,5 milhões de euros. No final de 2014, e sem que fosse do conhecimento público, a FIFA deliberou no sentido de dar razão ao antigo jogador leonino que, agora, joga no Ternana, de Itália. Soube-se disto ontem, com a notícia de que a Sporting SAD tinha sido condenada, pela FIFA, a pagar 594.398 euros a Valeri Bojinov. O Sporting vai contestar.

Seguiu-se o caso de Oguchi Onyewu, um norte-americano de origem nigeriana, que ficou conhecido em portugal como o Capitão América, e que saiu do Sporting CP pela porta pequena. Onyewu foi emprestado ao Málaga e, quando regressou a Alvalade, foi-lhe instaurado um processo disciplinar pela nova direcção por ter sido operado e não ter informado o clube leonino. O jogador sempre negou que algo de semelhante se tivesse passado e mais, queixou-se de que nunca ninguém do clube tivesse falado com ele para resolverem a situação, acabando por sair da Alvalade.

Elias

Elias foi outro caso muito complicado, até pelo valor de compra do jogador. O Sporting CP acabou por vendê-lo ao Corinthians e vangloriar-se pelo que tinha poupado em salários

O brasileiro Elias é outro caso. O Sporting adquiriu a totalidade do passe do jogador por 8,85 milhões de euros. Depois vendeu metade do passe por 3,85 milhões de euros ao fundo Quality Football Ireland. Mas Elias, assim como outros jogadores sportinguistas que vinham da direcção anterior e que eram considerado demasiado caros, entraram-se em processos menos claros para os despacharem. Desde serem afastados do plantel, até processos disciplinares e empréstimos. O caso de Elias, que demorou bastante tempo a resolver, terminou quando a Sporting SAD vendeu 100% dos direitos desportivos e 50% dos direitos económicos do jogador pelo valor de 4 milhões de euros, ao clube brasileiro Corinthians, garantindo que o que tinha poupado em salários ao jogador já dava para pensar em lucro com a sua venda.

O marroquino nascido na Holanda, Zakaria Labyad, foi outro caso. O jogador forçou a saída do PSV para vir juntar-se a Stijn Schaars e Ricky Wolswinkel em Alvalade. Mas foi sol de pouca dura. Com um salário demasiado elevado para a nova direcção sportinguista, o jogador acabou por ser emprestado ao SBV Vitesse, onde está a fazer uma excelente temporada. Depois de no ano passado se ter falado no interesse do FC Porto, agora é o próprio Sporting CP que está a ficar mais atento ao jogador e fala-se já de um possível regresso.

De seguida, foi ainda o caso do jovem jogador turco Atila Turan, cujo empresário chegou mesmo a dizer que o jogador era prisioneiro do clube. Depois, quando o jogador estava a ser adquirido pelo Stade de Reims, o Sporting levantou uma série de exigências para a transferência, o que levou o clube francês a suspender o negócio. No entanto, o negócia acabaria por se fazer, e Turan rumaria para o Stade de Reims da Ligue 1 francesa.

Fabrice Fokobo é um jovem camaronês que o Sporting CP emprestou ao Arouca. O estranho do caso é que Fokobo era um jovem promissor, que já tinha jogado com a equipa principal, e a quem os entendidos projectavam um grande futuro e que, de repente, foi relegado para a equipa B, onde não jogava, até que acabou emprestado ao Arouca.

Ainda uma chamada para os casos do sérvio Luka Stojanović, do croata Danijel Pranjić e do português Rúben Semedo, jovens promessas que o clube de Alvalade não soube, não quis ou não pode acompanhar e que acabaram por se perder. Perder para o futebol leonino, entenda-se. Que estão todos a jogar noutras latitudes.

E ainda há o caso do egípcio Shikabala. Que vem, não vem, vários processos e ninguém sabe muito bem o que é que se passa e em que ponto é que se está.

Outros Casos

Mas a vida do Sporting CP, dos seus dirigentes e, especialmente do seu presidente, Bruno da Costa, não se esgotam nos casos com os jogadores ou nos casos de polícia.

Um dos casos mediaticamente mais badalados foi o que opôs o presidente do Sporting CP e o fundo de investimento Doyen, detentor de alguns jogadores sportinguistas e com quem o Sporting tinha vários contratos.

Bruno de Carvalho

Não há dia em que o Sporting CP, ou Bruno de Carvalho, não tenham de enfrentar um problema, uns por culpa do presidente do clube, outros nem por isso

Esta guerra entre Bruno de Carvalho e o Sporting com a Doyen veio, inclusivamente, inaugurar uma guerra contra os fundos de investimento, que até tiveram boa aceitação na UEFA e na FIFA, mas que é visto com cuidado por muita gente do Mundo do futebol. Há muito quem defenda que será necessário, por ventura, alterar modelos, modos e capacidades, mas que os fundos são imprescindíveis à actividade dos clubes que não têm dinheiro para adquirir os grandes jogadores do mercado. O que é certo é que a guerra foi aberta, o presidente do Sporting já cantou vitória, mas a verdade é que ninguém sabe como é que vai terminar e que rombo é que os fundos de investimento poderão causar nos clubes com a sua ausência. Mais ainda no caso português, onde os maiores investidores, o BES e a PT/MEO, estão onde, e como, estão, e sem capacidade para continuar a apoiar como faziam.

Não satisfeito com a sua guerra institucional aos fundos de investimento, Bruno de Carvalho ainda iniciou uma guerra, primeiramente surda, mas depois de grande berraria com o seu treinador, Marco Silva, onde ainda foi secundado por José Eduardo, e que acabou por perder, e perder ainda a face perante  os jogadores, a equipa, os adeptos e o país. Não terá sido por acaso que Jefferson se dirigiu nos moldes que dirigiu ao presidente, presidente esse que gosta de descer ao campo e partilhar as glórias com os jogadores. Devia ter percebido que todas as decisões têm duas entradas.

Para tornar as coisas ainda mais ridículas, Bruno de Carvalho é um grande utilizador das redes sociais e utiliza-as… em demasia. Foi nas redes sociais que o presidente do Sporting CP teceu alguns comentários e publicou comunicados. E foi ali que se trocaram algumas palavras que levaram a que o presidente Bruno de Carvalho apresentasse alguns processos judiaciais contra adeptos do seu próprio clube.

Depois disso, e por causa de uma troca de palavras (sempre as palavras!) com o roupeiro do Gil Vicente, Bruno de Carvalho foi castigado pela Liga de Clubes e está, por isso, impedido de se sentar no banco de suplentes, ao lado da equipa técnica e dos jogadores, durante os jogos, durante um mês.

Entretanto o presidente Bruno de Carvalho desentendeu-se com o jogador Jefferson, em vésperas de ida ao Dragão, e meteu-lhe um processo disciplinar, pô-lo a treinar sozinho e sem poder ser escalonado para os jogos.

Depois disso o Sporting CP foi perder por 3 a 0 com o FC Porto, o que o afastou, quase em definitivo, da luta pelo título, e mesmo do acesso directo à Liga dos Campeões, e tem de se preocupar com o SC Braga, que lhe está a morder as canelas pelo último lugar de acesso à Liga dos Campeões, mesmo que indirectamente.

E depois das notícias de hoje, o que é que falta acontecer a este Sporting CP?

Boas Apostas!