Mais uma vez, a salvação veio da cabeça do capitão Harry Kane, já em tempo de descontos. A prestação da Inglaterra no jogo de estreia parecia o guião de um filme. Entra muito forte, chega ao golo e a os ingleses já achavam que podiam ser campeões do mundo. Perdulários nas chances, um erro de Walker e a igualdade. Segunda parte, manietada pela Túnisia, a seleção inglesa parece sem ideias, apesar do esforço. Por fim, uma bola parada, e um Kane, salvam o dia. Melhor do que fizeram alemães, brasileiros e argentinos. Não é um mau começo.

Entrada de Leão

A Inglaterra alcançou o objetivo mas chegou lá por caminho tortuoso. Foi até à última. O golo de Hary Kane, já para lá dos noventa, permitiu respirar de alívio. Quem tem um Kane acredita. Ainda assim, como jornalistas ingleses realçavam, jocosamente, fez melhor do Alemanha, Brasil e Argentina, só para referir candidatos ao título. O resultado é bom, a exibição precisa de análise mais detalhada. No espaço de noventa e poucos minutos a formação inglesa foi aos píncaros, caiu violentamente à terra, atravessou um deserto e acaba por se safar numa reação final.

A seleção inglesa entrou tão bem no encontro que aos três minutos a situações de golo já se tinham sucedido. Aos onze, a bola sobra para o capitão inglês, em frente ao guarda-redes, e ele não perdoa. A equipa estava a dar espetáculo e parecia embalada para fazer gato-sapato dos tunisinos. Mas as bolas não entraram. Faltava acutilância em frente à baliza dos homens que se isolavam. Jesse Lingard desperdiçou várias oportunidades.

Os ingleses bem reclama que o penalti é soft mas aquele braço em movimento estava a pedi-las.

Os ingleses bem reclamam que o penalti é soft mas o braço em movimento estava a pedi-las.

A outra face

Na segunda parte, a Inglaterra entrou irreconhecível. Algum mérito da Tunísia, que percebeu como manietar o centro nevrálgico do adversário. Dele Alli e Jesse Lingard deixaram de ter espaço e a bola deixou de entrar na área. Por esta altura o jogo estava empatado, graças à distração de Kyle Walker que valeu um penálti. Havia frustração, alguma quebra física, nuvens de mosquitos e ausência de ideias.

Sublinhados de Southgate

No desfecho, Gareth Southgate elogiou o jogo de paciência dos seus jogadores, que nunca perderam a cabeça e insistiram até ao fim. É um ponto positivo, sim, sobretudo tendo em conta que um Mundial afeta elementos bem mais experientes. Mas o selecionador inglês acrescentou que a equipa criou tantas boas oportunidades, sobretudo na primeira parte, que o triunfo final é de inteira justiça. Aí ele devia ficar bem mais preocupado. Porque a Inglaterra podia ter encaminhado o resultado nos primeiros quarenta e cinco minutos, se não fosse tão perdulária. A dependência de Kane para a finalização é um problema. Porque é mais fácil eliminar um elemento do que várias ameaças e também porque a equipa tem outros jogadores capazes de assumir essa responsabilidade. Só não conseguem ter a mesma eficácia na seleção que têm nos respetivos clubes.

Ao cair do pano, a eficácia de Harry Kane poupa Inglaterra ao deslize.

Ao cair do pano, a eficácia de Harry Kane poupa Inglaterra ao deslize.

Southgate também se mostrou satisfeito com as alternativas que Inglaterra tem no banco e no que esses jogadores conseguiram acrescentados quando chamados a jogo. A energia e velocidade que Marcos Rashford e Loftus-Cheek imprimiram à equipa foi importante para encostar a Tunísia à baliza mas não podemos esquecer que nessa altura eles estavam frescos e o adversário bastante desgastado.

Não é um mau começo

Fica o resultado, que é muito positivo, e a Inglaterra pode garantir a qualificação para os oitavos de final já no segundo jogo, frente ao Panamá. Neste momento fica a preocupação com Dele Alli. O homem do Tottenham magoou-se e apesar de se manter em campo até aos oitenta esteve claramente limitado fisicamente no segundo tempo. Em terras de Sua Magestade também se vai discutir à exaustão a titularidade de Raheem Sterling.

Boas Apostas!