Belgrado vestiu-se de vermelho na década de 1990, quando o Estrela alcançou a Europa.

Sucesso

Corria a temporada de 1989/1990 quando o Estrela Vermelha se sagrou campeão da Liga Jugoslava com 11 pontos de avanço sobre o segundo classificado, Dínamo Zagreb.

A Taça da Jugoslávia juntou-se ao campeonato. O clube de Belgrado venceu o Hajduk Split, por 1-0.

Nessa época, a Sérvia fazia parte da Jugoslávia assim como a Eslovénia, Croácia, Bósnia, Montenegro e Macedónia, e foi precisamente em 1989/1990 que o campeonato ficou marcado pelo episódio de 13 de Maio. Ocorreram incidentes no jogo entre Dínamo e Estrela Vermelha, com base em motivos políticos.

A Cróacia pretendia a independência e queria demonstrar a sua vontade nas eleições. Do outro lado, a Sérvia pretendia manter o sistema comunista. Houve centenas de pessoas feridas e Boban, capitão do Dínamo, chegou mesmo a agredir um polícia. Este cenário marcou o princípio do fim do campeonato jugoslavo que só durou mais duas temporadas. Simbolicamente, muitos consideram que este episódio marcou o início da Guerra da Independência da Croácia.

Pátria Amada

A chegada de Ljupko Petrovic ao comando técnico, e o título da época de 1989/1990, trouxe à equipa uma esperança renovada para a época de 1990/1991.

O Estrela Vermelha conquistou novamente o campeonato e foi mais longe na Taça dos Campeões Europeus do que nas épocas anteriores.

Em termos internos, o clube de Belgrado voltou a dominar. No campeonato terminou em primeiro lugar com 54 pontos, 25 vitórias, 4 vitórias por penalties, 2 derrotas por penalties e 5 derrotas. Nesta altura uma vitória valia 2 pontos e um empate valia 1 ponto, sendo que os empates eram decididos através das grandes penalidades.

O Estrela Vermelha apontou 88 golos, mais 9 que na época anterior, com Darko Pancev a melhorar o seu registo pessoal ao passar de 25 golos para 34, tornando-se, pela segunda época consecutiva, o melhor marcador do campeonato.

Na Taça, o Estrela Vermelha voltou a chegar à final e teve o mesmo adversário da época transacta, o Hadjuk Split, mas desta vez o desfecho foi o contrário, com o Estrela Vermelha a perder 1-0.

Jugoslávia Europeia

A maior surpresa deu-se na Taça dos Campeões Europeus.

Estrela Vermelha 0 - 0 Marselha

Na final da Taça dos Campeões Europeus de 1991, o Estrela Vermelha empatou a zero com o Marselha, mas sagrar-se-ia campeão ao ganhar por 5 a 3 na marcação de grandes penalidades

Na 1ª ronda, a equipa de Petrovic eliminou os suíços do Grasshoppers, por 5-2. O empate a um na Jugoslávia previa um cenário complicado mas, na Suíça, a equipa de Belgrado venceu por 4-1 sem contestação. Seguiu-se o Glasgow Rangers, que foi eliminado por 4-1, 3-0 em casa e 1-1 fora. Em 4 jogos, já a estrela do clube, Pancev, levava 3 golos.

Nos quartos-de-final foi a vez do Dynamo Dresden cair por 5-1, 3-0 na Jugoslávia e 3-0 na Alemanha, por imposição da UEFA, uma vez que, com o resultado em 2-1 para os jugoslavos, os alemães começaram a atirar objectos para o campo e o jogo foi dado por terminado.

A grande surpresa deu-se nas meias-finais com o Bayern Munique a ser impedido de chegar à final pela formação jugoslava. A jogar em casa, o Bayern não conseguiu ultrapassar a equipa jugoslava e perdeu por 2-1, com Pancev e Savicevic a apontarem os dois golos do Estrela Vermelha. Na 2ª mão, um golo aos 90 minutos ditou o afastamento dos germânicos. Mihajlovic abriu o marcador para a equipa da casa aos 25 minutos. Klaus Augenthaler fez o empate para o Bayern aos 62 minutos e, 5 minutos depois, foi a vez de Manfred Bender fazer o 2-1 para a equipa germânica. Aos 90 minutos o mesmo Klaus apontou um golo na própria baliza e ditou o resultado final em 2-2, com o Estrela Vermelha a alcançar a tão desejada final com uma das estrelas da equipa, Pancev, a apontar 5 golos até à final.

Corria a noite de 29 de Maio de 1991, no Estádio San Nicola, em Itália, quando o Estrela Vermelha entrou em campo para defrontar o Marselha, treinado por Beckenbauer. Frente a frente, os jugoslavos de Pancev contra os franceses de Papin. O resultado não foi além de um empate por 0-0, mas a sorte sorriu aos jugoslavos no desempate por grandes penalidades. Stojanovic, guarda-redes e capitão do Estrela Vermelha, brilhou entre os postes e defendeu a primeira grande penalidade. Prosinecki, Binic, Belodedici, Mihajlovic e Pancev apontaram as cinco grandes penalidades, levando o troféu para a Jugoslávia ao vencerem o Marselha, por 5-3, nas grandes penalidades.

Estrela Mundial

Estrela Vermelha 3 - 0 Colo-Colo

Na final do Mundial de Clubes, em 1991, o Estrela Vermelha defrontou e ganhou, ao Colo-Colo do Chile, por 3 a 0

Após a excelente época de 1990/1991, seguiu-se a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes.

O Estrela Vermelha perdeu alguns pilares, como o treinador Petrovic, o capitão Stojanovic e o médio Prosinecki. Estas baixas dificultaram a tarefa do clube jugoslavo em vencer o Manchester United para a Supertaça Europeia. Derrota por 1-0, com McClair a ser o autor do único golo da partida, um dos primeiros títulos internacionais da era Ferguson.

No Mundial de Clubes, o Estrela Vermelha encontrou o Colo-Colo do Chile, vencedor da Libertadores 1991. O clube de Belgrado dominou toda a partida e abriu o marcador aos 19 minutos, por Jugovic que bisou na partida à passagem do minuto 58. Pancev fechou o resultado final em 3-0.

Foi no Japão que o Estrela Vermelha viu o seu melhor período terminar. O clube sérvio nunca mais figurou entre os melhores da Europa mesmo depois da independência da Sérvia.

Hoje em dia, Belgrado divide-se entre o Estrela Vermelha e o Partizan, naquele que para muitos é um dos maiores clássicos da Europa.

Boas Apostas!