A catorze dias do clássico que ajudará a clarificar posições no topo da Liga BBVA, o FC Barcelona voltou a ser primeiro classificado, aproveitando a derrota do Real Madrid em Bilbao e goleando o Rayo Vallecano por 6-1 na manhã de domingo. Os duelos entre culés e merengues têm sido sempre muito disputados, mas num momento da temporada em que o Real vive uma crise de rendimento, é a consistência dos catalães que serve para definir quem é o mais forte no futebol espanhol.

2015 é ano de Messi

Messi Barcelona

O golo à flor da relva

Se Cristiano Ronaldo prometeu, na cerimónia de entrega do prémio de melhor do mundo de 2014, trabalhar para ganhar a Bola de Ouro outra vez, a verdade é que Lionel Messi tem vindo a marcar pontos neste início de ano. O argentino pegou na equipa depois do “desastre” de San Sebastian e recuperou a energia e a alegria de jogar com a camisola culé. Deixaram de ouvir-se notícias sobre a sua situação fiscal ou de conversações para abandonar Barcelona, passando o Camp Nou a respirar fundo sempre que a bola chega aos pés do pequeno astro: sabe-se que, dali, sairá algo digno de ser visto.

À volta de Messi fez-se o novo Barcelona. Se o tiki-taka foi, muitas vezes, visto como um estilo de jogo criado para englobar a forma de jogar de Messi, a verdade é que podem inserir-se bem mais variantes na estrutura, que Messi continua a fazer brilhar a equipa. Mesmo que o Barcelona tenha, hoje em dia, capacidade para fazer sair a bola com passes longos, explorando a forma como Neymar e Luis Suárez podem correr na frente de ataque, e mesmo que a equipa catalã saiba, agora, jogar no contra-ataque, é em volta do argentino que se criam as linhas de passe e de progressão para chegar com facilidade ao golo. E, na maior parte das vezes, isso acontece sem problemas.

Sobreviver às derrotas

Outra das facetas do Barcelona nestes meses iniciais de 2015 é a sua capacidade de sobreviver às derrotas. Se bem que as duas principais equipas espanholas nos habituaram, nos últimos anos, a dar de caras com equipas que procuram a invencibilidade, a verdade é que a principal característica das grandes equipas não é a de não errar, mas a forma como reage ao erro. As duas derrotas do Barcelona este ano foram seguidas de momentos de afirmação. Depois de perder em San Sebastián, o Barça goleou o Elche por 5-0. Poucos dias depois de perder com o Málaga, foi ao Etihad vencer o Manchester Ciy.

Suarez Neymar Messi

Trio sul-americano devolve alegria ao Barcelona

O Barcelona poderá ter dificuldades, na próxima temporada, se se confirmar que não se pode reforçar no mercado. Por isso mesmo, parece mais urgente para Luis Enrique vencer este ano. O seu plantel reúne todas as condições para alcançar esse tipo de sucesso e é muito provável que a idade de alguns elementos pese ainda mais no próximo ano, para além de haver a natural saturação dos jogadores que não fazem parte das escolhas regulares do técnico. Ganhar para, depois, gerir a vitória num ano bem complicado, é um objetivo que a equipa poderá estar mais perto de conseguir.

O fundamental 22 de março

Corre o risco o Real Madrid de ter colocado o seu olhar demasiado cedo no dia 22 de março. O Barcelona, sente-se, compreendeu que este mês poderia ser decisivo para resolver a temporada, preparando-se para estar na sua melhor forma da temporada agora. Os Merengues, por sua vez, descansaram sobre o que foi conseguido na primeira parte da temporada e tem poucos dias para recuperar forma e confiança até jogar em Camp Nou.

Mesmo que as duas equipas persigam o objetivo europeu, a verdade é que nem um nem outro são os principais favoritos para conquistar a Liga dos Campeões, com o Bayern Munique e o Chelsea a apresentarem, pelo menos, argumentos iguais aos dos gigantes espanhóis. A grande avaliação da temporada far-se-á por aquilo que ambos consigam fazer na Liga BBVA. Por agora, é o Barcelona que volta a estar melhor posicionado para ser considerado ganhador.