Imprevisível até ao último instante, o saldo final do grupo F constitui uma autêntica surpresa. Portugal, conjunto mais cotado, não conseguiu vencer qualquer jogo. Já a seleção húngara, com o lote de elementos menos valioso da fase final, venceu o grupo com uma vitória e dois empates. A Islândia também assegurou presença nos oitavos-de-final ao garantir a segunda posição. A Áustria foi a grande desilusão.

Hungria

44 anos depois, a Selecção da Hungria finalmente volta a pisar os palcos do Campeonato da Europa.

Quem diria, Hungria. A vitória na jornada inaugural, diante da Áustria, demonstrou de imediato ao que vinha a histórica seleção magiar. Sem semelhante brilhantismo desde os tempos de Ferenc Puskas, a equipa não se escudou na menor responsabilidade inerente ao estatuto de “outsider”. Encarando cada partida de forma desinibida, a Hungria apresentou uma proposta de jogo atrativa, demonstrou um grande sentido competitivo e o apuramento com estatuto de líder fica-lhe bem. Foi bafejada pela sorte no último minuto, quando empatou com a Islândia, porque a procurou. Teve sorte em dois dos golos que apontou diante de Portugal, porque também não se resguardou e quis jogar olhos nos olhos com uma equipa portuguesa de orgulho ferido. A quantidade e qualidade das soluções que apresentou a meio-campo – Gera, Kleinheisler, Nágy ou Elek – foram essenciais para o desempenhopositivo. No ataque, Dszudszák demonstrou que melhores opções na respetiva carreira poderiam tê-lo catapultado para outros patamares e Szalai também tem vencido as duvidas. No plano defensivo, o controlo da profundidade e a tentativa de contrariar equipas com elementos rápidos no ataque são uma verdadeira dor de cabeça para os elementos que compõem o setor.

Islândia

Aron Gunnarsson e Gyfli Sigurdsson, os dois jogadores-chave do meio campo da Islândia.

Ainda que não tenha exibido a mesma qualidade em termos exibicionais que a congénere húngara, a seleção islandesa soube ser suficientemente eficiente para alcançar um feito com contornos históricos. Com um futebol físico, sem grandes virtudes técnicas, a organização e disciplina táctica apresentada pela Islândia foi suficiente para passar na segunda posição, ao empatar frente ao Portugal (1-1) e Hungria (1-1) e vencer a Áustria já no último minuto, com o adversário descompensado, naquilo que foi uma autêntico ultrapassagem ao “sprint” à equipa portuguesa. Um coletivo forte, muito difícil de ultrapassar quando se encontra em posição confortável, tal como ficou demonstrado diante de Portugal. Em virtude da dimensão física da maioria dos elementos que compõem esta seleção, é uma equipa de créditos firmados nas bolas aéreas defensivas, factor que poderá complicar a vida da Inglaterra nos oitavos-de-final.

Portugal

PortugalNão há margem para rodeios: A prestação da seleção portuguesa nesta fase de grupos do campeonato da Europa ficou aquém das expectativas. Assegurar o acesso aos oitavos-de-final com três pontos, resultadp de três empates, não se coaduna com as ambições da armada lusa. Nas hostes da seleção nacional, esta fase de grupos fica marcada pela indefinição. As mutações nas escolhas de Fernando Santos têm sido frequentes, não há uma identificação total no que diz respeito à componente táctica e quem tem sofrido é o coletivo, excessivamente entregue a individualidades que também não se têm exibido em todo o seu esplendor. A seleção tem oscilado entre um 4x4x2 e um 4x3x3, deixando uma pálida imagem em campo, pouco capaz de debelar adversários que dêem pouco espaço para jogar e sejam consistentes atrás. Exige-se mais verticalidade no meio-campo, um jogo mais pensado no ataque e, claro está, maior discernimento no capítulo da finalização. O conformismo ao qual a seleção portuguesa se prestou nos últimos minutos do encontro com a Hungria permite-nos inferir que a terceira posição do grupo condiz bem com a prestação portuguesa nesta fase de grupos.

Áustria

AustriaÀ entrada para este campeonato da Europa, a Áustria era dada como principal rival da seleção portuguesa na luta pelo primeiro lugar do grupo F. A realidade foi bem mais dura para portugueses e austríacos, confinados ao penúltimo e último lugares do grupo, respetivamente. Depois de uma fase de qualificação tão auspiciosa, esperava-se mais da Áustria de Fuchs, Alaba, Arnautovic e companhia. A equipa austríaca falhou a toda a linha e poderia muito bem ter saído do campeonato da Europa sem qualquer ponto, não fosse a ineficácia portuguesa no encontro que terminou com um nulo no marcador. Em virtude da maturidade competitiva dos eleitos de Koller, nada fazia prever este desfecho, mas a verdade é que as suas principais unidades não brilharam e coletivamente a prestação também esteve francamente abaixo da expectativa. Na fase final, esta seleção austríaca foi um mero esboço da formação dominadora que se exibiu na fase de qualificação. A posição de Marcel Koller está em risco.

Boas Apostas!