Em Espanha, o grande tema dos primeiros meses da competição vai ser, inevitavelmente, o facto do Barcelona não poder registar os seus reforços, vendo-se assim impedindo de evoluir da equipa do ano passado, onde se registaram algumas saídas, para aquilo que será a ideia de Luis Enrique. Pelo contrário, Real e Atlético de Madrid estão ferozmente no mercado a tentar aproveitar o que poderá ser uma fragilidade dos catalães, numa Liga que parece voltar a ter cavada uma diferença entre o trio da frente e os restantes candidatos. O que não implica que na luta pelo acesso à Liga dos Campeões, não encontremos grandes equipas com projetos capazes de voltar a dar cartas nas provas europeias.

O ano depois de Xavi

Messi barcelona

Ainda há Messi…

Para alguns, poderá considerar-se que Xavi já não era, no ano passado, figura essencial no onze do Barcelona, mas a sua presença no balneário e no plantel, permitiam a Luis Enrique descansar quanto à capacidade de ter alguém entre os jogadores que não precisava de qualquer palavra para agir conforme aos interesses do treinador e da equipa. Este ano já não há Xavi e, pior que isso, não haverá reforços até chegar janeiro. O treinador vê o plantel ficar mais curto em opções e sem nada poder fazer. Nos jogos da Supertaça Europeia e Espanhola sentiu-se já essa fragilidade. Ofensivamente, a equipa pode continuar a ser brilhante – assim recupere Neymar o mais rápido possível -, mas no meio-campo e na defesa Luis Enrique sabe que terá problemas nestes primeiros meses. Minimizar os estragos e manter vivas as esperanças de lutar por todas as competições vai ser o principal objetivo até que chegue o Dia de Reis e, com ele, as prendas que o Barcelona necessita para ser mais forte outra vez. Para lá chegar intacto, vai valer muito ter Messi.

Há “petróleo” em Madrid

Sendo uma das equipas mais poderosas do mundo, é normal que o Real Madrid demonstre, ano após ano, capacidade para atacar o mercado e reforçar-se como bem entende. Este ano faz chegar o técnico Rafael Benítez para voltar a lutar por títulos, uma escolha que parece fazer pouco sentido tendo em conta os jogadores disponíveis e o estilo de jogo que melhor convém ao plantel. No entanto, é com Benítez que a temporada vai começar e foi para satisfazer as ideias do novo técnico que Casemiro regressou a “casa” e vão chegando jogadores como Danilo e Kovacic, precavendo incapacidades defensivas numa equipa que renovou, ainda, com o seu capitão Sérgio Ramos. O objetivo de aproveitar neste início de temporada as fraquezas do seu principal concorrente poderá chocar com a lesão de Cristiano Ronaldo que o tem deixado sem pré-temporada competitiva, mas com Gareth Bale a ganhar protagonismo no plano de Benítez, o português poderá ser obrigado a adaptar-se.

Jackson Atletico

Jackson vai marcar para a capital espanhola

Ser o parente pobre de Barcelona e Real Madrid não faz do Atlético uma equipa mais pobre do que a maioria dos grandes da Europa. Diego Simeone beneficia de mais um grande ataque ao mercado, com a chegada de Jackson Martínez a prometer um homem de muitos golos para a posição mais adiantada da equipa. Ferreira-Carrasco e Luciano Vietto são mais duas opções para o ataque dos colchoneros, enquanto Savic e Filipe Luís vêm reforçar a linha defensiva. No meio-campo, Óliver Torres deverá ter a oportunidade que o ano passado demonstrou merecer, depois de grande temporada no FC Porto. O Atlético tem, claramente, condições para voltar a aproximar-se dos dois primeiros lugares, mantendo, ao mesmo tempo, distâncias para eventuais perseguidores.

Quem alcança o lugar Champions?

No ano passado, o Valencia terminou em quarto lugar, com o Sevilla, logo a seguir, apenas a um ponto. Este ano entram os dois na Liga dos Campeões, o Valencia no playoff e os sevilhanos após terem conquistado a Liga Europa. Uma vez mais, parecem também estas duas equipas as mais preparadas para enfrentar a luta pelo quarto lugar.

No Valencia, o investimento de Peter Lim continua a dotar a equipa de opções, sendo que o valor de mercado da equipa é muito superior ao da sua concorrência. Nuno Espírito Santo ainda vai ter que saber qual o desenrolar do episódio Otamendi – que deverá estar de saída, faltando saber quem chega para o plantel em troca -, tendo no guarda-redes australiano Mat Ryan e no médio defensivo Danilo mais duas opções para o seu onze.

O Sevilha reforçou-se à altura de um lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões, com Konoplyanka e Immobile a serem os nomes mais sonantes, mas com N’Zonzi e Krohn-Delhi a terem um impacto muito importante no meio-campo da equipa de Unai Emery. Será o número de jogos mais competitivos em crescendo que, no entanto, poderá colocar à prova as condições da equipa andaluza para estar nos primeiros lugares do campeonato.

Athletic bilbao

Já houve festa para o Athletic na Supertaça

O Athletic de Bilbao também estará nesta luta, mesmo com meios muito mais frágeis do que a concorrência. A conquista da Supertaça de Espanha vale um acréscimo de confiança ao plantel de Ernesto Valverde, que continua a apostar muito na capacidade de formação de jogadores da sua academia, juntando-lhes outros bascos como Elustondo, Eraso e Bóveda. Parece sempre roçar a aventura de ficção científica, mas o Athletic não deixar de estar forte na busca de um lugar entre os melhores.

Finalmente, o Villarreal, orientado por Marcelino, reforçou-se muito e bem para tentar medir-se com conjuntos bem mais poderosos. A chegada de Soldado é uma espécie de cereja no topo do bolo, que já tinha Samuel e Samu Castillejo, vindo de Málaga, Victor Ruiz chegado do Valência, e ainda o empréstimo de Leo Baptistão. Com todos estes nomes, o Submarino Amarelo poderá continuar a sonhar com surpresa e grandes feitos num campeonato onde há qualidade para além do dinheiro.

Uns quantos históricos

A Liga Espanhola é ainda feita de muita história, e se equipas como a Real Sociedad, o Málaga ou o Celta de Vigo poderão continuar a criar muitas dificuldades aos conjuntos mais poderosos, os regressos do Real Bétis, do Sporting Gijón e do Las Palmas são como um regresso ao passado de glórias que deixaram os seus nomes inscritos na história do futebol deste país.

Por outro lado, Rayo Vallecano, Getafe ou Eibar são, hoje em dia, símbolos de uma novidade que insiste em resistir entre a nata da Liga BBVA, mesmo quando as suas reais condições apontam para outras realidades. Uma Liga de histórias e estórias que, de tão boas, têm que ser bem saboreadas, jornada após jornada, com toda a intensidade.