“[…] que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança […]”

pequeno excerto de Pedra Filosofal de António Gedeão

Por vezes é aos safanões. Outras vezes, surge, de forma natural, numa continuidade circular. Mas outras vezes, é preciso revolucionar. Virar do avesso. Transformar. Fazer diferente. Para ganhar valor. Para ser melhor. E diferente. Mas não por puro acaso. Por necessidade. Por experiência.

Michel Platini, o poderoso presidente da UEFA, veio sugerir algumas transformações no futebol. Em nome do espectáculo. E, também, assim um bocadinho, pela verdade desportiva. Algumas medidas compreendem-se e desejam-se. Outras, parecem folclore. Mas o que é necessário é que, se forem implantadas, o sejam verdadeiramente, e não sejam unicamente um verbo de encher. Como os árbitros de baliza. Que nunca estão lá, e só lá estão quando não deviam estar (lembro a subida de Beto no penalty do SL Benfica na final da Liga Europa com o Valencia). O que é que os árbitros de baliza lá estavam a fazer?

Mas claro que se aplaudem quaisquer medidas que venham contribuir, ainda mais, para a espectacularidade e honestidade do futebol.

Estas sugestões de Michel Platini estão no livro que escreveu, e que foi publicado ontem (Quinta-feira), chamado Parlons Football e, segundo a Lusa, estas sugestões que se seguem estão lá justificadas.

As Novas Medidas

Então, uma das sugestões de Michel Platini é avançar com o aumento do número de substituições que uma equipa poderá fazer ao longo de uma partida de futebol. A ideia é manter as mesmas 3 substituições feitas ao longo dos 90′ de jogo, quando se quiser, mas acrescentar mais 2 que, no entanto, só poderão ser feitas durante o intervalo para não interromper o jogo mais do que já interrompe hoje em dia.

Michel Platini

Michel Platini, um jogador de excepção que quer, também, marcar o futebol como dirigente

Outra das sugestões era a introdução de um cartão branco que suspendesse o jogador por um período de 10′. Este cartão seria para castigar um jogador que discutisse com o árbitro, ou contestasse acções e medidas das equipas de arbitragem, e assim, evitar essas constantes picardias com os árbitros, de cada vez que apitam contra uma das equipas.

Mas não se ficou por aqui. O presidente da UEFA também sugere outra formas para sancionar algumas faltas.

Por exemplo, Michel Platini quer acabar com a tripla sanção (penalty + expulsão + suspensão) na falta feita pelo último jogador antes da baliza. Para Platini, se o último jogador que estiver entre a sua baliza e o jogador adversário cometer falta dentro da área, deverá ser marcado penalty, e o jogador que cometeu a falta ser castigado com a amostragem do cartão amarelo. Se a falta for cometida fora da área, deverá ser marcado livre directo, mas o jogador deverá ver o cartão vermelho directo e ser, consequentemente, expulso.

Outras das sugestões avançadas por Platini tem a ver com a equipa de arbitragem. Primeiro, o presidente da UEFA defende que os árbitros que estão junto às balizas possam entrar dentro de campo se necessário for.

Depois que os árbitros deixem de estar sujeitos à ditadura da idade, propondo que deixe de haver limite de idade para um árbitro continuar em actividade.

Michel Platini vai ainda mais longe nas suas sugestões para modernizar o futebol e então sai das quatro linhas e ataca também a parte administrativa da legislaçao. Uma das suas propostas é que o International Board, o orgão que regula a leis do futebol, e que aceita ou rejeita as eventuais alterações propostas, passe a ser composto, também, para além dos actuais componentes, por antigos jogadores e antigos técnicos de renome, em jeito de uma Academia.

No seu livro, Parlons Football, Michel Platini não se limita a sugerir alterações às leis do jogo e ao International Board. Platini também lança vários ataques políticos a Joseph Blatter e à FIFA. Sobre Blatter, acusa-o de usar a FIFA como uma máquina eleitoral ao serviço do seu presidente que está, há 16 anos, à frente da federação e, há mais de 40 anos, noutras funções dentro do msmo organismo. E diz mais, que a FIFA é, neste momento, patrona das Federações de quem era, inicialmente, empregado.

Percebe-se, também, que este livro é bastante político, a que não deve ser alheia a vontade de Michel Platini se lançar à presidência da FIFA. A ver vamos.

Boas Apostas!