António Augusto da Silva Veloso, nasceu em São João da Madeira, em 1957.

Notabilizou-se como jogador de futebol, especialmente ao serviço do SL Benfica, de quem foi um excelente defesa, direito e esquerdo, e um grandíssimo capitão.

Hoje, Veloso é também conhecido por ser o pai de Miguel Veloso, que foi jogador do Sporting CP e agora está no Dínamo Kiev, e por os dois não se darem muito bem.

Mas Veloso também ficou na história como o jogador que falhou a marcação da grande penalidade que afastou o SL Benfica do título de Campeão Europeu frente ao PSV Eindhoven na final da Taça dos Campeões de 1987/88.

Tristezas à parte, Veloso faz parte de uma pequena elite que se confunde com o clube. Veloso era o defesa direito de uma equipa de luxo que acabou por nunca conquistar o céu, mas andou lá perto, e foi deslumbrando os campos por onde passava. Ao serviço do SL Benfica, mas também da Selecção Nacional. Veloso fez parte daquela selecção que deslumbrou a Europa em 1984, no Europeu de França, onde Portugal atingiu o terceiro lugar, depois de ter sido eliminada pela selecção da casa, num jogo de grande emoção, por 3 a 2, após prolongamento, e depois de ter estado a ganhar.

Um Lugar ao Sol

António Veloso começou jovem como jogador de futebol na equipa da sua terra natal. Na Sanjoanense, equipa de São João da Madeira, António Veloso fez o trajecto normal das camadas jovens, como avançado. Ao mesmo tempo, trabalhava numa fábrica desde os 11 anos.

Veloso & Eusébio

Veloso e Eusébio, duas gerações, dois exemplos da alma benfiquista

Em 1978, António Veloso muda-se para Aveiro, e torna-se jogador do Beira-Mar, então na Primeira Divisão. Está 2 épocas no clube. 2 épocas que são suficientes para despertar a atenção do SL Benfica. António Veloso jogava no meio-campo, responsabilidade que partilhava com Sousa, médio que acabaria por ir para o FC Porto.

1980 é o ano da grande mudança. Na época de 1980/81, António Veloso, que entretanto passará a ser, apenas, Veloso, muda-se para a capital, para jogar no SL Benfica. Até 1995, Veloso será defesa das águias. Depois do ataque, do meio-campo, a defesa. À direita ou à esquerda. Onde fosse mais necessário. E durante 7 épocas, Veloso será, também, capitão de equipa e um grande exemplo para os novos jogadores. Depois de Mário Coluna, Veloso foi o jogador que mais vezes exibiu a braçadeira de capitão no braço. Exemplo de entrega, humildade, profissionalismo e dedicação. Veloso tornou-se um exemplo da alma benfiquista.

Logo na sua primeira época de águia ao peito, António Veloso venceu o Campeonato Nacional da Primeira Divisão, a Taça de Portugal, numa final com o FC Porto do seu antigo companheiro Sousa, que derrotou por 3 a 1, e a Supertaça Cândido de Oliveira.

Quando ganha a titularidade no SL Benfica, Veloso coloca também um pé na Selecção Nacional, do qual era já um habitual frequentador desde as camadas mais jovens.

Mas Veloso é contemporâneo de João Pinto, o mítico defesa direito do FC Porto que era, também, o titular da Selecção, o que levou, numa primeira fase, a que Veloso fosse o suplente de João Pinto e, mais tarde, a ganhar o lado esquerdo da defesa.

Veloso foi também convocado para a Selecção Nacional para o triste Mundial de 1986, no México. O tal do caso Saltillo. Mas acabou por não ir e ser substituído por Bandeirinha, na altura, jogador do FC Porto. Supostamente acusou positivo numa análises anti-dopping. No entanto, numa contra-análise feita mais tarde, deu negativo, mas já era tarde para voltar a ser incluído na comitiva. Contudo não se sabe muito sobre o caso porque há sempre tendência, neste casos, para muita contra-informação, segredos e teorias da conspiração. Ficará, para sempre, a dúvida.

Depois do caso Saltillo, Veloso voltou à Selecção Nacional.

Veloso e o Penalty Falhado

Veloso e a grande penalidade falhada na final da Taça dos Campeões contra o PSV

Mas antes desse episódio do Mundial, Veloso viveu a sua primeira final europeia com o SL Benfica. Foi na temporada de 1982/83. O SL Benfica atingiu a final da Taça UEFA, onde acabou por ser derrotado pelos belgas do Anderlecht.

Voltaria mais tarde a outras duas finais, desta feita, da Taça dos Campeões. A primeira foi na época de 1987/88. A segunda foi na época de 1989/90. O SL Benfica perderia ambas as finais, a primeira para o PSV Eindhoven, e a segunda para o AC Milan. Mas para Veloso e para os benfiquistas, o que ficaria na memória e na retina para toda a vida foi a final da Taça dos Campeões de 1987/88, contra o PSV, onde, depois de um nulo durante os 90′ e mesmo depois do prolongamento, o jogo foi para a marcação das grandes penalidades, com as duas equipas a marcarem os 5 penaltys da ronda. Quando, depois de se manter o empate, o jogo entra na série final de grandes penalidades, onde o primeiro a falhar perde, chega a vez de Veloso que marca mal, frouxo e sem colocação e o guarda-redes holandês defende e garante o título de Campeão da Europa. Veloso foi muito criticado por esta grande penalidade falhada. E isto iria acompanhá-lo por toda a vida.

Mas recuperou. E continuou como uma grande alma do SL Benfica. Na época de 1989/90, no regresso de Sven-Göran Eriksson, o SL Benfica vai de novo à final da Taça dos Campeões, e volta a perder, desta vez com o AC Milan. Mas Veloso não jogou essa final. Um cartão amarelo na segunda-mão das meias-finais, com o Marselha, afastaram o capitão dos encarnados da final que seria, também, perdida.

Dias de Chuva

Veloso continuou como titular do SL Benfica até aos 38 anos. A temporada de 1994/95 foi a última. Mas foi na época anterior, 1993/94, sob o comando de Toni, que Veloso conquistaria o último troféu da sua longa e riquíssima carreira, o Campeonato Nacional da Primeira Divisão.

Assim, aos 38 anos, e numa época de grandes transformações na equipa do SL Benfica, Veloso abandona o futebol, enquanto jogador. Porque logo de seguida começa uma carreira de treinador que iria levá-lo aos comandos do FC Alverca, do Atlético CP, do Atlético da Malveira, do AD Oeiras e do Estrela da Amadora. Pelo meio ainda voltou ao SL Benfica como técnico adjunto de Toni e, mais tarde, como treinador principal da equipa B. Mas foram períodos não muito longos.

Depois chegou uma época em que Veloso perdeu o nome e começou a ser o pai de Miguel Veloso.

António & Miguel Veloso

António e Miguel Veloso. pai e filho e as sombras de uma relação conturbada

O filho de Veloso, jogador do Sporting CP explodiu numa época em que a Academia do Sporting dava cartas. Depois de passagens breves, ainda criança, pelo SL Benfica e pelo Pontinha, Miguel Veloso chega à Academia do Sporting e é aí que é potenciado e atinge o sucesso quando se torna profissional.

É na altura que Miguel Veloso sai do Sporting para Itália, para o Genoa CFC, que começam os dramas da vida de António Veloso, o pai.

António Veloso está na miséria. Todo o dinheiro que ganhou nos anos em que jogou no SL Benfica foram investidos em negócios que se revelaram ruinosos e, quando deu por isso, António Veloso estava na miséria.

Aqui começaram também os problemas familiares de António Veloso, com quem o filho deixou de falar, entre troca mútua de acusações.

Depois de um período muito complicado, sem trabalho, sem dinheiro, separado da ex-mulher, com os filhos afastados, António Veloso acabou por se aproximar de um terceiro filho de uma outra relação que teve no passado.

Ultimamente tem sido um dos comentadores dos jogos do SL Benfica na Benfica TV. Altura de recuperar um pouco da dignidade que se perdeu algures.

Para a história ficarão, contudo, os 7 Campeonatos Nacionais, as 6 taças de Portugal, as 2 Supertaças Cândido de Oliveira e as 3 finais europeias, perdidas, e uma delas não jogada. A história de um jogador que representa, para muitos, um pouco da alma benfiquista.

Boas Apostas!