António Oliveira é sobejamente mais conhecido, das novas gerações, por ser o irmão de Joaquim Oliveira, o todo-poderoso senhor da Olivedesportos, da qual, inclusive, António Oliveira foi sócio, e por ter sido seleccionador nacional de uma parte da geração de ouro, com resultados bem díspares, para além de ser, agora, também, comentador desportivo em canais de televisão por cabo.

Mas antes, muito antes, já António Oliveira tinha sido presidente do FC Penafiel e, mais importante que tudo isso que veio a acontecer no futuro, avançado e marcador de golos do FC Porto e do Sporting CP.

Do clássico que se vai jogar amanhã, António Oliveira é um dos poucos jogadores que pôde jogar pelos dois lados. Para onde tombará, agora, o coração? Pelo clube da formação? ou pela equipa onde se reformou?

António Oliveira começou na distante época de 1969/70 nas camadas juniores do FC Porto, de onde seguiria até ao plantel principal, e por onde se manteria até à época de 1979/80, tendo saído, aos 28 anos, para uma, muito breve, experiência no estrangeiro, no Real Betis de Sevilha, em Espanha, tendo acabado, na mesma época, por voltar ao FC Porto.

António Oliveira no FC Porto

Na época de 1977/78, António Oliveira foi pela primeira vez campeão nacional pelo FC Porto, um título que fugia à 19 anos

Na época de 1977/78, e após 19 anos de jejum, o FC Porto voltava a ganhar o Campeonato Nacional da 1ª Divisão, com os mesmos pontos que o SL Benfica. Um FC Porto comandado por José Maria Pedroto, e já com Pinto da Costa ao leme da equipa, que não, ainda, do clube. António Oliveira entraria em todos os jogos do campeonato e marcaria 19 golos, o que o tornaria o Terceiro Melhor Marcador da prova, atrás do, também portista, Fernando Gomes, com 25 golos e de Chico Gordo, do SC Braga, com 20 golos. Nessa época, o FC Porto teve o Melhor Ataque da prova com 81 golos marcados contra os 63 golos marcados pelo Sporting CP, o Segundo Melhor Ataque, tendo a equipa ficado em terceiro lugar com menos 9 pontos que os dois primeiros, e contra os 56 golos marcados pelo SL Benfica, Terceiro Melhor Ataque do campeonato, sem derrotas e segundo lugar no campeonato com os mesmos pontos que o campeão, FC Porto.

Devido às excelentes épocas, o nome de António Oliveira salta a fronteira e, na época de 1979/80, António Oliveira, ele próprio, salta também a fronteira, para Espanha, para o Real Bétis. Mas a experiência não dá resultado. E na mesma época retorna ao FC Porto. E retorna ainda a tempo de voltar a ganhar o Campeonato Nacional pelo FC Porto, com 1 ponto de vantagem sobre o segundo classificado, o SL Benfica, e de vir a ser, de novo, o Terceiro Melhor Marcador, com 17 golos, atrás dos 27 golos de Fernando Gomes, do FC Porto e dos 25 golos de Nené, do SL Benfica.

Na época de 1980/81, e um pouco agastado com a guerra institucional entre Pinto da Costa (com quem, depois, vem a ter uma relação de amor/ódio) e Américo Sá, o presidente do FC Porto na altura, António Oliveira deixa o clube, e ruma ao FC Penafiel, o clube da sua terra natal, e acumula a função de jogador, com o cargo de treinador, naquela que foi a sua primeira experiência na função. Mas só está em Penafiel durante uma época. Na temporada seguinte, de 1981/82, António Oliveira acede ao convite do Sporting CP e muda-se para Lisboa, e para um clube onde estará até à temporada de 1984/85, e onde, logo na época de estreia, se sagra campeão nacional, pela terceira vez na vida. Na época seguinte, voltou a acumular a função de treinador à de jogador, no Sporting CP. Com essas funções, acabou por ganhar a Supertaça Candido de Oliveira. Mas na época seguinte voltou a ser, de novo, só jogador.

Nos últimos clássico que jogou, na época de 1984/1985, pelo Sporting CP, os dois jogos, em Alvalade e no Dragão, terminaram empatados a zero.

É na época de 1985/86 que, saindo do Sporting CP, mudou-se para o Marítimo. No Marítimo, António Oliveira, já com 33 anos, deixa definitivamente de ser jogador de futebol e abraça, a tempo inteiro, a carreira de treinador. Vai ainda passar, a breve prazo, pelas equipas do Vitória de Guimarães e Académica de Coimbra, até se fixar, em 1989, nas camadas jovens da Selecção Nacional, por um período de 2 épocas.

Depois ainda passaria, como treinador, pelo Gil Vicente e SC Braga, antes de voltar, de novo, à Selecção Nacional, desta vez para treinar a Selecção A.

António Oliveira no Sporting CP

No Sporting CP, António Oliveira voltou a ser, de novo, campeão nacional

Estávamos, então, em 1994. António Oliveira é convidado para seleccionador nacional com o objectivo de conseguir o apuramento para o Europeu de 1996, em Inglaterra. Objectivo conseguido, a Selecção Portuguesa abrilhantou a Europa com o futebol da sua geração de ouro. No Euro ’96, Portugal ficou em primeiro lugar no Grupo D, com 2 vitórias, por 1 a 0 à Turquia e por 3 a 0 à Croácia, e 1 empate a 1 golo, com a Dinamarca. Nos quartos-de-final, Portugal seria eliminado pela Selecção da República Checa por 1 a 0, golo marcado por Poborsky, que acabaria no SL Benfica, selecção Checa essa que seria a finalista derrotada pela Selecção da Alemanha, na final desse Euro.

Com a boa campanha executada pela Selecção Portuguesa, António Oliveira é convidado, na época de 1996/97, por Pinto da Costa, para treinar a equipa do FC Porto. António Oliveira está duas épocas no FC Porto e vence o Campeonato Nacional nessas duas épocas. Depois, devido a vários desentendimentos, sai do Porto e ruma a Sevilha para treinar o Real Bétis mas, tal como da primeira vez, António Oliveira não se dá bem com os ares da Andaluzia e sai do clube antes mesmo do Campeonato Espanhol começar. O Betis, não é, definitivamente, o objecto de trabalho de António Oliveira.

António Oliveira enceta, então, um período sabático que só rompe em 2000 para voltar, de novo, à Selecção Nacional. Consegue a qualificação da Selecção para o Campeonato do Mundo de 2002, na Coreia do Sul-Japão, mas o torneio corre muito mal, com muitos casos e muita polémica e António Oliveira é despedido da Selecção e a geração de ouro ensaia ali o seu canto do cisne, com um Mundial muito miserável. Eliminado logo na fase de grupos, com 1 vitória por 4 a 0 sobre a Polónia, mas com 2 derrotas, por 3 a 2 com os Estados Unidos e por 1 a 0 com a Coreia do Sul.

Desde essa época, negativamente tão marcante, António Oliveira nunca mais voltou a treinar, nem clube, nem selecção.

Em 2003 torna-se presidente do FC Penafiel e leva o clube até à Primeira Liga. Mas na época de 2005/06, o FC Penafiel volta a descer de divisão e António Oliveira abandona a presidência do clube.

Desde então, tem estado afastado do futebol. Entretanto licenciou-se em Direito.

Nos últimos tempos tem aparecido na televisão no papel de comentador desportivo.

O homem que um dia foi, a par do seu irmão Joaquim, um dos homens mais importantes no futebol nacional, sendo accionista da Olivedesportos, deixou tudo para trás quando se incompatibilizou com o irmão. António Oliveira é, e sempre foi, directo e objectivo, não compactuando com o que não concordava, o que lhe causou alguns disabores na vida, colocando-o em campos opostos de pessoas importantes e influentes, mas também sempre deu a cara por tudo em que acreditava. Foi campeão numa altura muito diferente, em que os holofotes não brilhavam da mesma maneira, nem com a mesma intensidade.

Lembrado no FC Porto e no Sporting CP como um avançado de excepção, António Oliveira era um predestinado que hoje faria falta ao futebol. Não se sabe por qual clube estará a torcer no clássico de Sexta-feira, mas supõe-se que seja pelo seu FC Porto. Do qual se fala, amiúde, que desejaria, um dia, e depois de Pinto da Costa de afastar, de ser presidente.

Mas o que gostaria mesmo é que o clássico fosse um grande jogo de futebol jogado no limite, como ele próprio fazia.

Boas Apostas!