Em São Petersburgo, cidade à qual o czar Pedro I – O Grande – em tempos concedeu o estatuto de capital do Império Russo, o português André Villas-Boas brilha no comando do Zenit, emblema local que conduziu ao título de campeão nacional.

Resgatando o ceptro da posse de um dos principais emblemas da atual capital, o Zenit voltou a sagrar-se campeão depois de ver o CSKA levantar o troféu por duas épocas consecutivas. O clube do norte da Rússia luta, de resto, contra o centralismo moscovita, que alberga, nada mais nada menos, que cinco formações que militam no principal escalão.

Na Mãe Rússia

Sucessor de Spalletti no comando, depois de ter feito metade da pretérita temporada e até se ter acercado do título, só este ano conseguiu sagrar-se efetivamente campeão.

Fê-lo, de resto, num dia 17 de Maio que fica marcado pelos triunfos de três técnicos portugueses nos respetivos campeonatos que disputam: Jorge Jesus (Benfica), Paulo Sousa (Basel) e, claro está, André Villas-Boas (Zenit).

André Villas-Boas no FC Porto

Foi no FC Porto que André Villas-Boas ganhou o seu primeiro título de campeão nacional e, depois, também a Liga Europa

O treinador que conquistou a Liga Europa ao leme do FC Porto venceu, deste modo, o seu primeiro campeonato fora de Portugal, o segundo da sua carreira. Para o Zenit, foi o quinto título para o respetivo palmarés. O clube tem vindo a reerguer-se ao longo a última década, tendo agora como desafio, cimentar a sua posição no futebol russo.

Decerto que os responsáveis pelo clube têm por meta estabelecer uma hegemonia, importando referir que o existem efetivamente condições para alcançar esse objetivo. Com mais uma época de contrato, pese embora o alegado assédio de outros clubes, André Villas-Boas poderá comandar a formação nesta cruzada que, de resto, se quer extensível à europa para que, aí sim, seja elevado a André, O Grande.

Após a conquista do título, as declarações do técnico luso foram precisamente nesse sentido: “Precisamos de continuar a crescer ganhando e melhorar a nível das competições europeias. Para alcançá-lo, ocorrerão algumas mudanças e surgirá maior investimento”.

Em termos de onze, na realidade russa, não é fácil encontrar um emblema com tanta qualidade do ponto de vista individual, quanto o Zenit. Em termos de plantel, podemos considerar nesta equação – embora sem os resultados que se esperariam em termos práticos – o Dínamo de Moscovo.

Realce-se a valia de vários intérpretes bem conhecidos do futebol português quando falamos no título do Zenit. Neto, Garay, Javi Garcia, Witsel, Danny ou Hulk, participaram na campanha da equipa fundada na antiga Leningrado. Não desconsiderando papéis, importa sublinhar a importância dos dois últimos elementos mencionados na campanha russa. Enquanto que o internacional português é um dos jogadores com mais assistências para golo, Hulk é o Melhor Marcador do campeonato russo, com 15 golos, quando estamos a um encontro do termo da prova. Quando a inspiração coletiva faltava, na frente de ataque, dois elementos que se assumiam como verdadeiro abono de família.

Com a 30ª e última jornada por disputar, – sagrou-se campeão na 29ª – o Zenit surge na condição de Segundo Melhor Ataque da prova, com 57 golos, apenas superado pelo registo (63) do CSKA. A nível defensivo, o Zenit destaca-se claramente dos demais, com apenas 17 golos consentidos, nos 29 jogos já disputados. Em 29 jogos, conquistou 19 vitórias, 7 empates e 3 derrotas – uma delas frente ao Amkar, na última jornada, já campeão.

Campeões em Casa

O calendário não indicava nesse sentido, mas o Zenit conseguiu mesmo que o jogo do título fosse disputado em sua casa, o Petrovsky.

André Villas-Boas no Zenit

Ano e meio depois de chegar à Rússia, André Villas-Boas sagra-se campeão com o Zenit

O FC Ufa, rival da 28ª jornada, viu o seu estádio ser interdito para encontros da segunda volta, uma vez que os responsáveis pela liga russa consideraram que aquele palco não tinha condições adequadas e necessitava de obras. Desde então que a equipa da Basquíria vinha disputando os seus jogos em Perm.

Porém, o convite do Zenit para que o jogo se realizasse no seu estádio foi bem visto pelos dirigentes do Ufa. Embora o clube esteja a lutar pela manutenção e pudesse criar mais problemas ao adversário jogando num recinto que não o Petrovsky, a receita de bilheteira acabou por seduzir a direção do Ufa que cedeu e permitiu que o jogo fosse em São Petersburgo.

Escusado será dizer que tal facto somado ao empate – que serviu os interesses de ambas as equipas – já levantou várias suspeitas…

Aprendiz com Sintomas de Special One

Embora vitorioso, André Villas-Boas não se livrou da crítica.

Boris Chukhlov, ex-jogador do Zenit, campeão soviético em 1984, aponta o dedo à estratégia do português.

Acusa o Zenit de “praticar um futebol secante”, criticando a excessiva dependência de Hulk e Danny e advogando que a equipa deveria ter rubricado melhor prestação a nível europeu.

Ex-adjunto de José Mourinho, técnico que também se sagrou campeão inglês mas não se livrou da crítica feroz devido ao futebol praticado pelo Chelsea, AVB parece ter que lidar com o mesmo problema…

Boas Apostas!