Depois de anos agarrado ao dinheiro, Wenger decidiu abrir os cordões à bolsa. No ano passado foi Mesut Ozil, desta vez foi aliciar Alexis Sánchez ao Barcelona. Não se fazem omeletes sem ovos e para continuar a competir com colossos como Chelsea, os dois de Manchester e os Bayerns da Europa, o Arsenal não pode assentar exclusivamente em jovens talentos. Como Ozil, o chileno é, mais do que um reforço, uma afirmação. Os Gunners estão dispostos a investir forte para voltarem a ser vencedores.

Abrir os cordões à bolsa

Durante anos, Arséne Wenger foi acusado de ser forreta. O Arsenal simplesmente não gastava dinheiro em grandes contratações, apostando no faro do francês para identificar talentos precoces e moldá-los. Não parece ter havido uma mudança de filosofia, só uma necessidade premente. A falta de troféus dos últimos anos obrigou os Gunners a tomarem uma posição. Há um ano, Wenger conseguiu seduzir Mesut Ozil e trazê-lo para os Emirates. Onze meses depois, é o chileno Alexis Sánchez que é arrebanhado ao Barcelona. Como declaração de intensões, dificilmente o Arsenal poderia ter feito melhor. E o novo reforço, conhecido pela frontalidade e ambição, disse logo ao que vinha. Sanchéz está em Londres para ganhar títulos, em toda e qualquer competição em que os Gunners estejam envolvidos.

Convém esclarecer que Alexis não é um rejeitado do Barça. O clube blaugrano gostaria de contar com um homem que, sobretudo a partir do banco, marcou dezanove golos. Mas Sánchez quer, e merece, a titularidade numa equipa competitiva e em Barcelona tinha que discutir a posição com um dos meninos queridos da afición catalã, Pedro Rodriguez. O investimento feito pelos culé em Luis Suárez obrigava também o clube a vender algum dos seus ativos e a valorização do chileno, graças à boa prestação no Brasil, veio mesmo a calhar.

Wenger decisivo na escolha de Sánchez

alexis-sanchezA dar crédito ao que vai circulando nos meios de comunicação, não faltaram interessados, sendo que a disputa final se resumiu a Juventus, Liverpool e Arsenal. A certa altura Sánchez parecia estar na eminência de rumar a Anfield mas os Gunners acabaram por vencer a corrida. Os média apontam vários argumentos que pesaram a favor dos londrinos. Para começar a localização, sendo Londres uma metrópole apelativa, depois as excelentes recomendações de Cesc Fabregás, que terá destacado o ambiente familiar que se vive nos Emirates. A presença regular na Liga dos Campeões também não há de ter passado despercebida. Mas Alexis destacou apenas dois: a filosofia de jogo e Arsène Wenger. O avançado chileno disse apreciar a forma como o Arsenal joga, um estilo de jogo que ele considera próximo do praticado pela seleção do seu país, e no qual acredita que se irá integrar com naturalidade. Mas decisiva na sua escolha foi a possibilidade de trabalhar com o treinador francês, um técnico com quem se pode aprender muito e evoluir. Segundo consta, Wenger pegou no telefone e falou diretamente com Alexis, à semelhança do que tinha feito com Ozil, para lhe explicar os planos que tinha para o clube e como gostaria de o incluir neles. Esse toque pessoal, esse charme de velho mestre que todos reconhecem a Wenger, parece ter feito a diferença.

Arsenal tem tudo a ganhar

Os valores exatos envolvidos não foram divulgados oficialmente mas fala-se numa cifra que ronda os trinta e cinco milhões de libras. Dispendioso, para os padrões do Arsenal, mas acredito que Sánchez vale cada cêntimo e vai render o dobro. Aos vinte e cinco anos, com menos de um metro e setenta, muitos podem imaginar que aqui vem mais um pequeno tecnicista, tão ao estilo da formação catalã. Mas Alexis é um touro, compacto e possante. As qualidades futebolísticas foram bem evidenciadas nos anos mais recentes, tanto no Barça como no Chile. O drible, a tendência para partir para cima do adversário no um-para-um, os remates certeiros, serão contributos importantes para a sua nova equipa. Mas realmente diferenciadores deverão ser a rapidez, intensidade e entrega ao jogo que Alexis Sánchez tem e que tanta falta fizeram aos Gunners em diferentes períodos da temporada passada. Se estiverem dispostos a isso, tanto Walcott como Oxlade-Chamberlain terão muito a ganhar e a aprender com a nova contratação. A versatilidade do chileno – que pode jogar em qualquer uma das linhas ou no centro, como avançado – vai permitir mais diversidade tática a Arsène Wenger, podendo adaptar a formação ao adversário. Quem deve estar radiante com o novo reforço é Olivier Giroud. Com Sánchez no plantel, o francês não só terá companhia de qualidade na frente de ataque como também direito a algum descanso.

Mesmo que não chegue mais ninguém, ao assegurar os serviços de Alexis Sanchéz sem hesitações o Arsenal dá uma forte indicação para a época que se avizinha. Não se trata apenas de manter, e reforçar, a posição no top-4 da Liga Inglesa. Chegar perto dos títulos já não é suficiente, desta vez querem conquistá-los. Se a falada mudança de Kedira para os Emirates também se vier a concretizar, não restarão dúvidas – os Gunners não querem ficar para trás e aproximam-se claramente da elite do futebol europeu. As Ligas Inglesa e dos Campeões só têm a ganhar.

Boas Apostas!